Kael

Mercenário de Baldur's Gate

Description:

Raça: Meio Elfo
Classe: Lâmina Maldita 2 / Marechal 2 / Bárbaro 1
Divindade: Minha Rola
Idade: 25
Altura: 1,92 cm
Peso: 117 Kg

Bio:

Trilha:

Kael

Era noite, o vento uivava frio, e na sala da casa de campo de um nobre mercador escravista de Amn, se encontrava um homem sentado chamado Kael, completamente armadurado, tendo como reféns um mercador de escravos e sua família. Mal sabia, o escravista, o que o destinho lhe tinha à vista, e das mãos do invasor veio pedaço extenso de papel, e sentado em uma cadeira rica de mogno, ele disse ao nobre aflito, “Leia… leia com atenção o que tem escrito”.

“Caro Nathanael

Você deve estar se perguntado porque está amarrado nessa cadeira, você e sua família, pergunta-se quem é essa criatura cruel, que invadiu minha casa, assassinou meus guardas e agora me força a ler esta carta. Pensei vários dias em lhe contar, lhe falar o motivo pelo qual me encontro em sua casa após esse tempo tardio, mas resolvi lhe escrever para contar o meu, e o seu destino, portanto, preste bem atenção caríssimo tio.

A vinte e três anos atrás, quando sua linda esposa adoeceu, sucumbiu e enfraqueceu, o senhor procurou a solução, e então cruzou pela primeira vez os caminhos meus. Você contratou três bruxas, Sarina, Aislin e Nehana, recorda-se? Pois bem, lhe foi oferecida a troca, o sacrifício de um amor seu por outro, esse era o preço a pagar pela vida da sua amada esposa, e senhor resolveu paga-lo.
Escolhestes sua jovem, rebelde e amada irmã, infelizmente caro tio, não me recordo o nome dela, mas a questão, é que na mesa de sacrifício, com minha mãe em profundo sono, obra de seu artifício, por sinal, o senhor desconhecia que havia uma criança no ventre de sua indomável irmã, provavelmente filho de um intercurso descompromissado de sua consorte de sangue, no caso, essa criança era eu, este homem que esta na sua presença e que te fita agora, no ventre da sua irmã havia uma criança tio.
Mas o ritual foi realizado com sucesso não? Não… e agora começo a lhe explicar porque todos os dias da sua vida, o senhor foi perseguido pelo destino e a morte. Quando o senhor deixou a sala, levando nos braços sua esposa recuperada e corada, as três bruxas me retiraram do ventre de minha mãe morta, não sei se foi fruto de artifícios mágicos, mas acontece que sobrevivi tio, e durante os meus próximos dez anos de vida, fui criado pelas irmãs que tu contratastes.
Dez anos, dez anos de solidão, não sei se entendes, mas por mais que tivessem suas intenções misticas em minha vida, não podemos chamar três praticantes de magia obscura como mães ideais, e minha criação foi conturbada, uma infância solitária entre livros e passatempo com criaturas estranhas, lembro-me eu, de conversar com as árvores, cada uma delas tinha um nome e uma personalidade diferente que criei, meus amigos eram em maioria…árvores.
Quando completei o décimo primeiro ano de vida, na primeira manhã, minhas roupas, que cabiam em uma mochila leve de viagem, já estavam prontas à porta, era “o dia” de acordo com Aislin, “o dia que o menino aprende com o mundo a viver nele”, era hora de procurar meu destino, o meu propósito. Então fui mandado embora, com pão, água, vestes miseráveis e sandálias tão mal desenhadas, que no segundo dia de caminhada para chegar ao primeiro vilarejo, as larguei ao pé do caminho, pois a dor dos espinhos e das pequenas pedras finas era mais agradável.
Após três dias, encontrei o primeiro vilarejo, poucas casas ali haviam, e as poucas famílias que existiam, exaustas, trabalhavam e sobreviviam de sua própria agricultura, e ali fui acolhido, por Johel e seu filho Tanis, Johel aparentava ter seus quarenta anos, e seu filho aproximadamente quinze, a esposa de Johel havia falecido febril perante a praga, mas infelizmente, eles não tinham muitos membros nem riquezas para um ritual, não é mesmo tio?
Foram três anos trabalhando nas pequenas fazendas, não digo que minha adaptação foi fácil, afinal, não se encontrava nenhum sinal em mim de criança normal, mas Johel era um homem de bondade superior, e logo, começamos a nos relacionar muito bem, mas como eu lhe disse tio, o mundo me fez estar aqui agora.
O senhor, como grande mercador, deve saber como funciona pequeníssimos vilarejos familiares em Amn, e o que acontece quando não conseguem pagar seus tributos ao estado não sabe? Pois então, certo dia, após um terrível verão que secou quase todas as plantações do leste, um grupo de enviados do território emitiu o aviso, mas não conseguimos pagar, e hoje, tio, provavelmente nas suas senzalas deve haver algum morador daquelas pequenas casas. Mas eu escapei, eu sonhei, na noite anterior, sonhei que deveria ir embora dali, era o presente de Sarina, um sussurro do aviso de partida, e na mesma noite, juntei minhas coisas, e rumei.
Esmeltaran, a cidade que chego, tinha quinze anos de vida nesta época, e todos os dias após meus onze anos ouvi seu nome no meu ouvido tio, todos os dias passava fome, todos os dias que era pego furtando e era surrado, todos os dias que abri minhas costas carregando caixas no no cais, mas antes quando tinha árvores e companhia, era apenas um ódio trabalhável do senhor, pois claro, era sua culpa eu ter vindo ao mundo e sofrer todos os dias a pressão de ser nada, um desgraçado, um livre homem escravo, mas o auge, e digo, o principal momento que me conduziu até essa casa luxuosa no dia de hoje, foi o mundo a mim desvelando-se.
Estava faminto, não tinha comida em lugar algum, a seca acabava com os mantimentos e pessoas brigavam com pombas por migalhas de pão, e eu esfomeado, localizei três viajantes bêbados cambaleando taverna afora, uma algibeira fácil de ser pega, mas infelizmente, talvez pela fraqueza, fui pego durante o furto, e sabe o que fizeram em um beco afastado dali caro tio? Fui estuprado pelos três, um de cada vez, e a cada segundo que eu sofria, cada grito, cada vez que me debatia… eu ouvia seu nome, em cada dor lancinante, em cada tapa que levei naquele instante, eu ouvia seu nome, eu não me recordo completamente do rosto deles, mas eu lembro todas as vezes que ouvi seu nome durante aquela noite.
Com dezoito anos, dotado de um constituição física invejável, me inscrevo para a academia do exército de Amn, as relações na fronteira estavam estremecidas e recrutavam cada dia mais homens, e foi assim que peguei em uma arma pela primeira vez, e acredite, eu era um dos mais habilidosos de minha classe, talvez talento descendente do pai que não conheço, e no exército, fiz meus primeiros dois amigos na vida, Cezares e Petro, pessoas como eu, pessoas que aprenderam na dor, na pobreza, na amargura, foram os primeiros homens a me mostrar o lado humano da lealdade, e em cada acampada, em cada batalha, quando o silêncio avisava o fim da matança… eu ouvia seu nome.
Mas o destino Nathanael, as vezes, pode ser cruel sempre, Cezares teve a cabeça decepada por um machado, e Petro sucumbiu à infecção de um ferimento na perna direita, veja bem, os únicos amigos que tive foram levados pela ânsia de sangue e poder dos habitantes deste mundo, e digo-lhe, que uma grande tristeza se abateu sobre meus ombros, e quanto mais fundo eu ia no poço, quanto mais me transformava em sombra, em esboço….mais alto eu ouvia seu nome.
Larguei o exército, e perdido, desolado, procurei amparo em minhas “mães”, algo me chamava, me levava até elas, foram mais de doze anos sem contato, doze anos que não tinha nem ideia se ainda estavam no mesmo local, mas elas estavam. Quando me aproximei da gigantesca casa no meio do nada, as três me aguardavam a porta, e com um sorriso no rosto e os braços abertos disseram, “Bem vindo a sua casa Kael”.
Caro tio, muitas coisas não fazem sentido a primeira vista, mas quando se chega perto do fim, quando se chega no limiar da dor e da morte, podemos achar um sentido, uma fagulha que nos deixa em pé. Contaram-me as bruxas e eu entendi, que Sarina me presenteou com a vida no dia que invadiu meu sonho e me mandou embora, que Nehana me presenteou com seu nome todos os dias para ter um motivo pelo que ficar vivo, e Aislin… bom, ela me presenteou com uma armadura completa de batalha e um mangual atroz de três correntes, que o senhor vê neste momento acariciando as coxas nuas de sua filha. Cada orbe desta arma tem o simbolo de uma delas Nathanael, tudo porque no dia em que você assassinou minha mãe, no dia que você trocou seu amor por outro, você recebeu uma benesse, mas foi por mim amaldiçoado caro tio, e o mundo me moldou todos os dias para que eu aqui retornasse, e viesse cumprir o que a muito tempo você me deve, a vida me criou para ser assim, grilhões, julgamentos…isso, nós deixamos para os fazedores de regras e guardas, mas eu não, à aquelas pessoas que apoiam a dor, o sofrimento, a miséria, as lágrimas, pessoas como você tio, estas vão ganhar minha retribuição em dobro, no seu caso, em triplo.

Nathanael, Nathanael, Na-tha-na-el…como é bom repetir esse nome pela última vez.”

Kael se levantou da cadeira, a esta altura o nobre já implorava, mas Kael nem o ouviu, caminhou até onde a filha adolescente do mercante se encontrava, e com as mãos, girou seu pescoço até sua face olhar para o sul de sua espinha, e após, caminhou até a esposa do homem, ergueu o mangual sobre a cabeça e desferiu um golpe certeiro sobre o crânio da mulher, fazendo sua cabeça distorcer-se e deslocar-se até a altura do tórax.
A Esta altura, o cheiro de urina, fezes e sangue já tomava conta da sala, Kael espalhou óleo por todos os cômodos da casa, e após, aproximou-se com passos pesado à Nathanael, Kael o fitou por alguns segundos, encarou a cara apavorada e desiludida do mercante, segurou-o pelos ombros e o ergueu do chão, foi aproximando vagarosamente o nobre dos cravos afiados de sua armadura dizendo:

- Você não pode imaginar, a quanto tempo espero, para lhe dar esse abraço tio.

Kael

Aventuras nos Reinos Esquecidos Mauricio