Bale Shieldheart

Paladino de Kelemvor

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TRILHA:


CAPITULO I – Cidade Maldita

Naquela manhã estavam todos mortos. Levantei do chão frio e olhei ao redor mais uma vez. Todos mortos: mulheres, crianças, jovens, velhos… alguns degolados, outros com cortes no peito e nas costas. Fui em direção à porta e notei que os machucados também eram sérios em meu corpo. O sangue escorria pelos buracos na minha armadura e andar era uma tarefa árdua naquele momento. Com certa dificuldade consegui chegar até a parede e olhar pra rua pela porta entreaberta. Onde diabos eu estou? Mais corpos estavam atirados pelo chão do beco, mas não vi nenhum sinal de vida.

Tentei me lembrar do que estava fazendo naquele lugar, mas não recordava nem mesmo o meu nome. Estava sozinho e ferido num lugar desconhecido e tudo que eu sabia era que eu pertencia a uma família digna de ter um brasão em uma armadura… grande coisa. Me sentei no chão e adormeci encostado na parede.

Acordei novamente com o sol entrando pela janela por culpa do ocaso. Levantei e, desta vez, consegui caminhar com mais facilidade. Peguei minha espada e saí pelo beco com escudo em punho. As ruas fediam e o movimento era inexistente. Ao norte eu conseguia enxergar o topo de uma torre espreitando sobre as casas. A oeste, algumas velas no que, provavelmente, era o porto. Eu precisava sair daquele lugar – então fui em direção ao porto.
A sensação de caminhar por aquelas ruas era estranha. A morte parecia estar por ali, naqueles becos. Eu sentia seu cheiro mais forte a cada esquina e uma sensação de insegurança que aumentava a cada passo. Finalmente consegui enxergar o porto, com apenas um brigue ancorado e uma movimentação intensa no convés. Sem pensar muito, fui em direção ao que parecia ser a única saída daquele lugar.

Chegando mais perto da embarcação, notei que a movimentação era pra zarpar imediatamente. Apertei o passo enquanto via a ancora subir lentamente na corrente enferrujada pela maresia. Estava há menos de 50 metros quando ouvi o capitão gritar: “ELES ESTÃO VINDO! MAIS RÁPIDO, SEUS VERMES!”. Ele apontava na minha direção, então olhei sobre meu ombro direito e vi do que eles queriam fugir: uma orda de esqueletos e zumbis saindo das vielas da cidade e marchando em direção ao brigue pirata. Sinalizei para o navio com os braços. “BALE, SEU MALDITO, VAMOS SAIR DESSE INFERNO!”. Bale… esse era meu nome. Corri o máximo que conseguia para atravessar a prancha com o barco em movimento. Saímos com uma chuva de flechas, mas ninguém foi atingido.

TRILHA:


CAPITULO II – Shieldheart

Nick Caolho era capitão do Albatroz, o brigue pirata que assolava a Costa da Espada em busca de “bons negócios”. Conversamos longamente pela noite que se seguiu aos acontecimentos em Luskan – esse era o nome da cidade onde acordei. O capitão contou o pouco que sabia sobre mim: meu nome é Bale Shieldheart, contratei o Albatroz pra me levar de Waterdeep até Luskan e esperar um dia até eu voltar. Paguei bem, e adiantado, pela viagem – o que fez o pirata esperar conseguir mais uns trabalhos ao meu lado e cumprir o acordo.

Durante a primeira noite, os marinheiros foram até terra firme e descobriram que Luskan era ainda pior que a sua fama. Mortos-vivos andavam pelo distrito norte matando quem encontrassem. Marujos se esconderam pela cidade e alguns poucos voltaram para o navio. Com o amanhecer, o ataque pareceu ter cessado e a tripulação começou a voltar. Tentando cumprir o acordo, Nick Caolho esperou durante o dia, mas o ocaso trouxe um mau agouro no horizonte e o capitão começou os preparativos para a retirada. Foi nessa hora que eu cheguei.

Perguntei sobre os meus motivos para ir a cidade, mas o capitão dizia não saber. O bom pagamento foi o suficiente pra o pirata caolho não atiçar sua curiosidade. Eu sentia muita dor e precisei de cuidados médicos no navio. O sacerdote de Umberlee que acompanhava a tripulação olhou espantado para os ferimentos. “Você devia estar morto, meu amigo. Kelemvor parece ter negado sua entrada no Plano de Fuga!”. Um pirata que passava enquanto eu tirava minha armadura olhou fixamente para o brasão na couraça. “Eu vi esse simbolo na cidade! Não lembro onde, mas eu tenho certeza que vi esse brasão por lá!”.
Quem era Bale Shieldheart? Por que eu fui pra uma cidade cheia de mortos-vivos querendo sangue? Como eu tinha sobrevivido? Eu não tinha resposta pra nenhuma dessas perguntas…

TRILHA:


CAPITULO III – Destino

Nos primeiros dias de viagem eu tive febre e enjoo. Ninguém soube dizer o que era, mas eu delirei por dias. Eu sonhei com as cenas que vi e com coisas que eu não lembro, mas sei que já vivi. Dor, morte, traição, injustiça… vi muita coisa ruim nesses dias que eu passei febril no Albatroz. Mais uma vez eu voltei: no quinto dia a febre baixou e eu me recuperei. Contei dos sonhos que eu tive para Alliand, o elfo clérigo da deusa dos mares, que, mais uma vez, se espantou com a minha recuperação. “Você deve agradecer aos deuses quando chegar em terra. Sua vida é uma dádiva divina!”. Nos dias que se seguiram eu comecei a pensar muito sobre isso. Questionei o elfo sobre pra qual deus eu deveria agradecer. “Pra quem esteve tantas vezes perto da morte, o senhor dos mortos é alguém que merece ouvir suas preces”.

Chegando novamente em waterdeep eu fui até o lugar onde os mortos descansam: A Cidade dos Mortos. Era de tarde e o parque estava quase silencioso, com um movimento que parecia habitual. Me dirigi ao templo do Grande Juiz e as portas estavam abertas. No salão principal haviam alguns corpos sendo preparados em caixões. Um anão de idade avançada caminhou em minha direção. O sacerdote de Kelemvor se chamava Dokrok e me ouviu por, pelo menos, duas horas. Quando terminei de contar minha saga e meus sonhos o ocaso já se extinguia e o anão levantou. “Bem, se você acredita que o Senhor lhe fez um favor, talvez seja hora de retribuir”. Ele caminhou para a rua e fez um sinal para que eu o seguisse. As portas do templo foram fechadas e o anão caminhou pelo parque iluminado pela lua e pela lanterna que carregava.

Eu escapei da morte, fugi dos mortos-vivos e não lembro de nada do que aconteceu no meu passado. Eu fui escolhido para uma missão. Eu não temo a morte, ela virá quando o Senhor dos Mortos desejar. Ele me fez ver a dor, a mentira e as mortes desonradas que acontecem pelo mundo. O Grande Juiz precisa de um guerreiro que faça sua justiça e envie a ele os que desrespeitam suas leis. Levantei a espada, empunhei o escudo e me preparei para enfrentar os inimigos que saiam de suas tumbas. Ali eu me tornei a espada de Kelemvor.

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EPÍLOGO

Depois de meses como guardião da Cidade dos Mortos e aprendiz de Dokrok, eu resolvi levar a justiça de Kelemvor adiante. Um novo guerreiro ficou em meu lugar, então Waterdeep poderia dormir em paz. Separei uma mochila, peguei um bom cavalo e andei por vilarejos remotos, levando conforto para os que estavam vivos e garantindo a passagem segura das almas até o Grande Juiz.

Meu passado continua uma incógnita. Às vezes eu tenho impressão de conhecer algum nome que ouço, sensação de já ter estado em alguns lugares e até sonhos com uma vida que eu não lembro ter vivido. Quem foi o Bale Shieldheart de três anos atrás? Eu não sei. Mas hoje ele é um Paladino de Kelemvor incansável que está chegando novamente a uma grande cidade em busca da justiça do Senhor dos Condenados. Amanhã saberei o que me espera em Baldur’s Gate.

Bale Shieldheart

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