Amon "Meia Noite"

Arpista dos Ventos

Description:

Raça: Humano
Classe: Paladino
Divindade: Shaundakul
Idade: 28 anos
Altura: 177 cm
Peso: 75kg

Bio:

Amon Alvar, nascido em Darromar, com o falecimento de sua mãe ao lhe dar a luz mudou-se com seu pai para o norte de Faerun, seu pai, Enok, havia trocado seus pertences e pago um lugar em uma caravana até o grande e gelado norte, confiando na indicação de conhecidos que aquela região seria bastante próspera e que lá poderiam recomeçar sua vida longe do sofrimento que pairava nas regiões do sul e longe das dolorosas lembranças de sua mãe. A jornada foi desgastante e nas noites cada vez mais frias o pai de Amon desenvolveu um grande apreço pelas tendas de festas que eram montadas em torno do acampamento e pelo álcool que lá se encontrava. Em breve o que era um simples escape de uma realidade difícil se tornou um vício destrutivo para seu Enok.

Chegando em Everlund a realidade era muito diferente da qual lhes foi dita, as oportunidades de trabalho eram escassas e a dificuldade foi agravada pelo intenso vício desenvolvido durante a viagem. Em uma morada construída com poucos recursos as margens da cidade, foi criado Amon, como o convívio com seu pai era pouco e na maioria das vezes inexistente Amon cresceu nas ruas, na morada de vizinhos, roubando alimento dos comerciantes e fazendo amizades nas caravanas que por ali passavam ,em especial Eskel e Ellara, irmãos gêmeos que no verões, quando a neve das passagens e das estradas derretia faziam um tipo de segurança personalizada para as caravanas de maior valor junto com seu pai Ravell, Eskel era um sujeito calado, ele era os músculos, Ellara, a gêmea mais velha era o cérebro da dupla, muito falante, foi a primeira paixão de Amon, não correspondida, já que a garota dois ou três anos mais velha estava muito mais interessada acertar alvos com sua besta pesada. Certa vez Amon tinha certeza de ter visto Eskel materializando um objeto pontiagudo e o atirando como um virote em uma arvore atualmente ele não tem certeza se realmente viveu isso ou foi só mais um sonho de criança. Com Ravell, Amon nunca teve muito contato, nem quisera, o homem era assustador, sempre com os olhos de quem estivesse tramando algo, fazia muitos negócios com o Enok, principalmente pequenos serviços de limpeza e manutenção das carroças das comitivas que eles protegiam.

Pelo tom escuro de sua pele, pouco comum naquela região, e por estar nas ruas até bastante tarde da noite o pequeno ganhou o apelido de “Meia Noite”, algo que primeiramente o deixou bastante incomodado, mas que com o tempo acabou se tornando um escudo para o rapaz.

O vicio em bebida do pai de Amon acabou afetando gravemente sua saúde e no inicio da puberdade do garoto seu pai já estava gravemente debilitado, Enok nunca foi má pessoa mas teve sua jornada encurtada pelo desgosto perda de sua companheira. Porém em um ultimo esforço para garantir ao seu filho um futuro diferente, novamente ele trocou todos os seus pertences por uma pequena quantia de ouro e deixou tanto seu filho quanto o ouro aos cuidados daquele que possivelmente foi o único amigo dos dois na sua estada em Everlund, Vaharandar. Por fim Enok viria a falecer para o frio e para a bebida pouco tempo depois da partida de Amon.

A partida não foi nada difícil, pelo contrário o garoto tinha real admiração por Vaharandar, o mercenário veterano seguidamente passava pela cidade buscando suprimentos, a cada passagem Vaharandar encantava mais o jovem com seu estilo de vida, não foram poucas as vezes que Amon se propôs a seguir o mercenário, porém nunca com coragem para deixar as fronteiras ao lado do homem. Com a morte de Enok o jovem não tinha mais raízes em Everlund e Vaharandar o levou, era inegável que o mercenário endurecido pelo tempo nutria apreço pelo garoto e os valores arrecadados pelo seu falecido pai garantiriam que o garoto não seria um peso a mais em seu orçamento.

A adolescência de Amon foi passada trabalhando junto de Vaharandar nas Cinco Companias de Halruaa, mais especificamente na companhia de Tundag, os melhores guerreiros de todas a frota, lá Amon aprendeu a se defender e desenvolveu seu espírito de descoberta, certa vez Amon indagou um por um dos integrantes da colossal embarcação Martelo do Trovão capitaneada pelo anão Kurkar Monterubro qual era a sua nacionalidade, todos responderam as mesmas palavras “Sou da terra onde os ventos sopram mais fortes, onde o trovão relampeja mais alto, onde o sol nasce mais claro, onde as sobras são mais escuras, onde os homens são livres para fazer o que bem quiserem de suas vidas”. Ao longo de sua estada no Martelo do Trovão a resposta sempre foi a mesma.
Vaharandar e Kurkar tinham exatamente a mesma personalidade, o anão ancião insistia em dizer que “no Salão Mitral onde ele foi criado, a pele dos homens era forjada da pedra, sua alma das chamas e quem não fosse assim poderia tentar a vida em qualquer outra embarcação da frota, pois ali não era seu lugar.” a dureza de suas palavras só não era maior que a generosidade em seu coração, Kurkar Monterubro foi um segundo pai para Amon, o levou consigo por quase dez anos, sabedoria, honra, espirito de equipe, auto-sacrifico, coragem e respeito eram seus preceitos e foram passados a Amon. Eventualmente Amon viria a descobrir que Vaharandar fora criado por Kurkar da mesma forma que ele.

Além do capitão e de seu imediato, Amon cresceu bastante próximo da lanceira Balsa, eximia guerreira, foi como uma irmã para o jovem durante sua longa estada nas no Martelo, Balsa era quase dez anos mais velha que Amon, uma moça muito séria, algumas vezes até mesmo fria sem razão alguma, quando os reais sentimentos de Amon por Balsa vieram ela já havia partido do da tripulação, sob o pretexto de que queria buscar o perdão pelos pecados de seu passado, Amon nunca entendeu o que ela quis dizer.

Aos seus vinte e um anos Amon deixou o Martelo do Trovão, ja não havia mais nada para aprender com os piratas voadores e se, Balsa na tripulação ele sentia que algo lhe faltava e não seria ali que encontraria, porém em sua estada ele conheceu os magos do Tempestade da Vingança, os gnomos do Lágrima do Bucaneiro, os gananciosos negociadores do Lamassu, os transportadores do Escudo de Savras e até mesmo acompanhou Kurkar, Vaharandar, Balsa e os outros a Yaulazna, a grande fortaleza flutuante, poucos homens podem dizer que fizeram o mesmo com tão pouca idade, porém era hora de partir, ele foi deixado na Costa do Dragão, seu destino seria a capital de Cormyr, Suzail e seu esplendoroso porto.

Em Cormyr, Amon conheceu os Harpistas por intermédio de Ambrose a Flecha da Alvorada e Soriano o armadilheiro, Ambrose o elfo de cabelos curtos era um sujeito fechado e muito focado, seu humor era quase nulo e somente tinha em sua vista a eterna batalha contra as incursões Nethereses e para isso Amon se juntou a ele. Já Soriano, Amon conheceu alguns meses mais tarde, o gnomo possuía uma propriedade bastante vasta na fronteira norte de Cormyr, porém ele não a usava para nada mais do que testar suas engenhosas armadinhas nos incursores nethereses, o anão era extremamente ativo, as vezes parecia estar sob algum efeito mágico de aceleração, tanto de seus pensamentos quanto de seus movimentos, mas era inegável a sua competência no que consistia em bolar estratégias de defesa de território., durante um ano os três vagaram pelo ermos do norte de Cormyr, oeste das Terras dos Vales e os Picos do Trovão frustrando todo e qualquer empreendimento Netherese que estivesse nas suas possibilidades, na companhia do Elfo e do Gnomo Amon foi apresentado a rede de informações dos Harpistas, as suas regras, seus objetivos e preceitos.

“Das rochas salpicadas pelas tempestades em Evermeet, as Planices de Areias Purpuras, todos ouviram falar dos Harpistas de Elmister, alguns podem nos chamar de tolos de uma causa nobre, loucos, perdidos, cegos. Mas outros discordam, dizem: A ultima esperança do reino, a luz na escuridão de nossas vidas, reze para que eles nunca deixem de existir” repetia Ambrose, a aquela altura os três já haviam frustrado um grande numero de incursões Nethereses naquelas terras, um ano se passou e os dois ensinaram Amon a rastear, montar acampamento propriamente, usar as vias de informação dos Harpistas, mas principalmente agir medindo as consequências de seus atos, para um Harpista os fins nunca vão justificar os meios e o equilíbrio deve ser mantido “O bater de asas de uma borboleta pode virar um furacão no outro lado de Toril”. Se Kurkar foi um pai, um tutor para Amon, Ambrose foi sua inspiração, estava claro na mente do jovem que ele havia nascido para fazer parte dos Harpistas, porém os Harpistas agiam sozinhos e tinham seus objetivos separados.

- Vá a oeste pela grande rota de Elturgard, a costa da espada é seu caminho, és um Harpista e somos melhores separados do que concentrados em um lugar, mande lembranças minhas a Melchior em Baldur’s Gate, peça auxilio a ele no que precisar ele também é um de nós, talvez um dos mais sábios e experientes naquela região e de lá faça seu próprio caminho. – E estas foram as ultimas palavras que Amon trocou com Ambrose, o elfo seguiria para Sembia enquanto o jovem para Costa da Espada.

Evento 1

Durante sua primeira noite em um acampamento em Elturgard, depois de um longo tempo resolvendo burocracias para entrar no reino, Amon escuta uma história que o anima e outra que o entristece. As animosidades entre Baldur e Eltugard se encerraram sem que os dois lados derramasse mais sangue e a paz volta à fronteira dos dois reinos. Por outro lado, o Arpista escuta que este é apenas um dos problemas de Baldur: uma revolta de anões pela independência de sua cidade evoluiu para uma guerrilha injusta. Amon escuta de Gilbrand, um anão comerciante, que esses anões revoltosos pilharam em nome de Moradin as terras humanas das suas redondezas. Amon também escuta de Gilbrand uma história que o deixa mais assustado: que Amn tem um almirante invencível e que a costa da espada não é mais segura e que o comércio de escravos prospera. Mas esses são apenas histórias distantes que não fazem muito sentido, embora ainda o entristeçam.

Pela manhã, Gilbrand vendo a simplicidade do jovem, o oferece comida e o convida para seguir viagem com sua caravana já que estão partindo para Elturel, capital do reino iluminado, e que fica no meio do caminho de Baldur. Gilbrand o apresenta a Lyitha, elfa da lua e refugiada dos vales, que também tem o mesmo destino de Amon.
Enquanto a caravana se prepara para seguir viagem, Amon escuta de Lyitha que os vales não são mais seguros e que a companhia das estrelas está perdendo. Ela também conta que Netheril tentou através de Sembia dominar as terras verdes, mas foram frustrados pela companhia das estrelas. Mesmo assim, ela conta que não se sente segura e que muitos estão como ela, sem ter para onde ir. Baldur, ela escutou, é uma terra de oportunidades para pessoas como ela, que não tem mais nada a não ser a própria vida e a coragem, e mesmo com todos os problemas, ainda é uma terra de esperança. Amon percebeu a verdade olhando nos olhos de Lyitha: não haverá tranquilidade enquanto Netheril permanecer crescendo, muitos outros como ela irão procurar lugares melhores para se viver, muitos ainda vão se refugiar. Só Cormyr resiste.

A caravana parte, Amon se junta a eles, Melchior era seu objetivo, teria que acha-lo na grande capital, mas isso não seria problema, não para um Arpista, nestes tempos de crise Amon não via porque não se aproximar das pessoas, Gilbrand era mais aberto, Amon não sabia ao certo porque o anão gostava tanto dele, mas ele conhecia bem o comportamento de um clássico anão, então a amizade foi firmada de forma bastante rápida. Conversa fácil, riso também, mais fácil ainda com uma cabaça de aguardente e uma fogueira noturna, Gilbrand o lembrava com saudades de Kurkar, os tons de paternalidade eram os mesmos. Já com Lyitha o contato foi menor, ela demonstrava estar bastante fragilizada por deixar seu lar, Amon não possuía muito tato para conforta-la, porém os três, Gilbrand, Amon e Lyitha ficavam mais próximos a cada dia na estrada.

Por incrível que possa parecer à estrada fora tranquila, com o fim dos conflitos entre Elturgard e Baldur, as vias que levavam a Elturel estavam bastante protegidas. Gilbrand pretendia fazer a rota Cormyr, Elturel e Baldur muitas vezes ainda, o Anão era um misto de ganancia pelos lucros que a guerra poderia lhe proporcionar e compadecimento com os refugiados que estava ajudando, o convite de sociedade para Amon foi feito, o comercio nessas estradas era grande e Gilbrand certamente precisaria de ajuda, Amon assim como Lyitha recusaram o convite, para o Arpista Elturel era seu ponto de parada, encontrar Melchior e dar a ele o recado de Ambrose era sua missão e nada poderia afasta-lo, Amon fizera Gilbrand prometer que deixaria Lyitha na segurança de Baldur, com condições de construir uma nova vida, em troca Amon estaria sempre a disposição de Gilbrand, mas somente depois que ele encontrasse Melchior.

Após reabastecimentos na cidade a caravana partiu, não seria a ultima vez que Amon veria ambos, mas certamente seria a ultima vez que “aquele” Amon os veria, as semanas seguintes foram de coleta de informações, Melchior era a muito esquecido e chegar meramente ao seu nome em uma simples conversa sem levantar demais suspeitas já era um desafio, eventualmente veio aos ouvidos de Amon a informação de que existia um ermitão morando na parte sul da cidade, a sombra da floresta dos Licantropos, a muito anos não era visto, seu nome também fora esquecido.

As técnicas de obtenção de informações dos Arpistas eram realmente úteis, com mais alguns dias de investigação Amon confirmou que o então ermitão era realmente Melchior e foi ao seu encontro. Era um casebre de pedra, quase a beira da estrada, convidativo a qualquer viajante que tivesse algum tempo para o comércio, a frente do casebre uma pequena venda, óleos de diversos tipos, todos a base de uma planta, raiz, casca, todos expostos. Também havia fumo e alguns objetos manufaturados em madeira, atrás de um balcão, um homem de porte médio, barba e cabelos branqueados pelo tempo, roupas simples e com um cachimbo nos lábios cantarolava uma velha canção de viagem.

Tudo parecia um teatro, será que a rede de informações dos Arpistas havia comunicado Melchior que ele estava a caminho? Independente disso Amon estava satisfeito em encontra-lo, em continuar sua jornada, mesmo não sabendo ao certo para onde deveria ir.

Melchior vivia uma vida bastante simples, passava a maior parte dos seus dias sentado em sua cadeira de madeira em frente a sua casa observando os movimentos da entrada e saída de viajantes nos muros de Elturel. Amon era mais impaciente, iludia-se de que a todo lugar, a todo momento havia algo para se fazer, algo a se descobrir. “Estamos descobrindo coisas aqui” dizia Melchior em tom de deboche, Amon passou a dormir em um pequeno cômodo no porão da casa do ermitão. As habilidades do veterano Arpista eram no mínimo curiosas, ele não se alimentava, não bebia nenhum tipo de bebida, não tinha gosto pela batalha, sequer possuía armas em sua casa, Melchior apresentou a Amon a ideologia dos “votos sagrados”, um antigo ritual onde a abdicação de determinadas atitudes mundanas faria com que sentidos ocultos emergissem no ser de Amon, o treinamento era intenso, os limites do jovem eram testados a todo o momento, paciência, resistência, abstinência, fome, sede, independente do clima da região suas roupas seriam sempre as mesmas, trapos, nada mais do que calças e camisola de pano, o que antes eram duas refeições por dia, se tornou uma, ao passar dos meses, meia porção se tornou um quarto de porção até que eventualmente a necessidade de Amon por alimento cessou, o mesmo processo foi feito com a ingestão de líquidos.

“Seu corpo é a sua morada, transforme sua morada em um templo, transforme o templo em uma fortaleza e assim sua pele será mais dura que a mais especial das armaduras, nem o calor, nem o frio, nem a sede ou a fome serão o bastante para para-lo, mas para que seu ciclo seja completo, não terás mais o direito sobre a vida de nada nem ninguém, aprenderás a influenciar e cumprir seus objetivos sem privar ninguém do dom da vida, vidas não são suas para serem tiradas, não és um deus, és um asceta”.

Então Amon jurou nunca mais tirar uma vida, seja ela qual for, jurou também nunca mais ter posses, mesmo que fosse uma única peça de ouro, seus objetivos como um Arpista foram postos em primeiro lugar, sua vida estava destinada fundir a humildade dos Ascetas com o comprometimento dos Arpistas.

Ao longo de três anos Melchior ensinou a Amon tudo sobre ser um Arpista, sobre abdicar das necessidades mundanas através dos votos sagrados e também sobre imbuir seu corpo e espírito com óleos que garantissem propriedades mágicas. “Um corpo livre armaduras é um espirito livre de limites”. Ambos viajaram por todo o império Elturgardiano, Amon conheceu as fronteiras do norte e do sul, os novos campos de refugiados dos vales, o Forte do Senhor da Manhã mesmo que a distancia já que o local estava a muito selado pois segundo Melchior, forças desconhecidas e sombrias dominam aquele que um dia foi o mais sagrado dos lugares. Os terrores da guerra impulsionaram ainda mais as motivações de Amon e sua atenção voltava-se a Baldur, a cidade permanecia politicamente dividida e desligada dos demais assuntos, Netheril avançava a passos lentos sobre a terra dos Vales, os heróis vitoriosos que agora Amon sabia o nome, Ahasverus o mil Vidas, Sete o Construto e Eglath o Meio Gigante, agora fatigados recuavam, de todos os lados vinham informações dos frontes. Melchior esgota seus conhecimentos, foram três anos de estudo, auto descobrimento e considerações por parte de Amon, era hora de partir novamente para sua meta, Baldur, a capital da Costa da Espada.

Antes de juntar-se a mais recente caravana em direção a Baldur, um ultimo presente de Melchior, envolta em um farrapo branco estava Crisálida, a espada dos contos de Melchior, sua antiga companheira, a unica arma que um Asceta suportaria usar, a espada que Amon achou estar perdida agora era sua.

Evento 2

A realidade das terras nortenhas era calamitosa, Baldur estava assolada pela fome, super população, caos politico, mas era lá que Amon deveria estar, mais do que nunca aquela cidade precisava da presença dos Arpistas em suas ruas. Ao raiar do dia em que Amon se despediria das terras iluminadas uma noticia chega, a caravana de Gilbrand fora saqueada, o anão que havia tentado proteger a todo o custo seus pertences havia morrido no processo, em um impulso impensado Amon monta e dispara ao local, Gilbrand havia passado por Elturel no dia anterior, não estava muito distante e a sua caravana, no caminho um pelotão de Paladinos de Elturel passa por ele com um prisioneiro montado e encapuzado, as leis Elturgardianas seriam duras com aquela pessoa, mas Amon precisava ver Gilbrand de perto e o fez, ao chegar a cena do do crime a comitiva estava ainda em choque, o assalto havia acontecido na madrugada e sem seu mestre caravaneiro dificilmente iriam continuar, o mais provável é que voltem a Elturel e lá consigam contratar alguém para continuar guiando a caravana.

Amon retorna, não com a mesma velocidade com que chegou ao local do crime, pensativo, sabia que aquele era o preço da guerra, o preço do conflito, provavelmente Nethereses desbaratados ainda tentando aplicar manobras de guerrilha nas estradas, o corpo de Gilbrand estava sob tutela do Império Elturgardiano, eles iriam se responsabilizar pelas manobras fúnebres, como de costume nessas terras, até mesmo os enterros eram regrados, não havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso.

Chegando ao casebre de Melchior, ele o avisa que o único sobrevivente do assalto a caravana havia sido acusado de roubo seguido de morte,isso nas estradas Elturgardianas era um crime bastante grave e a justiça daquelas terras não era conhecida por ser clemente. Melchior revela que o cativo na verdade é uma moça, uma jovem que Amon ja havia conhecido, Lyitha, sem ouvir o que mais Melchior tinha para dizer Amon corre, corre para a cidade, desta vez sem o cavalo, o casebre do veterano ficava logo na entrada sul de Elturel, Amon seguiu rapidamente até a praça, onde o veredito seria divulgado e a pena seria aplicada a portões fechados, como de costume em Elturgard. Na praça estava ela, realmente era Lyitha, o veredito foi dado, condenada a morte sem dor pela espada de Galfano, o comandante dos Paladinos de Elturel, juiz e executor. A comoção na praça foi grande, o publico aprovou de imediato a pena imposta pelos paladinos, não havia nada que Amon pudesse fazer, não era sua terra, não eram suas leis, mas eram seus amigos, Amon foi impotente, somente assistiu os portões do imponente quartel general se fecharem e a figura de Lyitha desaparecer, desolado voltou lentamente para o casebre, sabia que não era culpa sua mas nada tirava de seus pensamentos que ele poderia ter feito algo mais tanto por Gilbrand, quanto por Lyitha.

Nas proximidades da morada de Melchior, Amon notou algo estranho, leves traços de sangue na entrada e então um urro seguido de um som de mobília quebrando, o Asceta força a porta e se depara com três figuras cobertas de sangue, uma delas era Melchior, a outra uma moça próxima dos trinta e cinco anos de idade, ambos contendo um garoto com não mais de vinte anos que gritava, se contorcia, o garoto tinha uma flecha atravessada em sua canela, Amon rapidamente se lança sobre o garoto contendo seus membros inferiores, ele nota que a flecha havia partido a tíbia em dois, o sangramento era abundante, com um firme golpe na lateral do rosto do garoto Melchior o desacorda. Uma operação bastante complicada ocorre, devido a dificuldade de retirar a flecha e ao osso estar em péssimo estado a perna do jovem acaba por ser amputada, as propriedades especiais dos óleos de Melchior fazem seu trabalho e a vida do garoto estava salva, durante a operação Melchior revela a Amon que estes dois são refugiados dos Vales e explica que os eventos na caravana se deram quando o grupo a qual eles pertenciam passava por dificuldades pois haviam sido impedidos de ingressar nos muros de Elturel, a comida acabou e eles começaram a pedir auxilio a todas as caravanas que passavam por aquela região, ocorreu que a caravana de Gilbrand reagiu a abordagem dos refugiados com violência e perdas foram tidas de ambos os lados, estes dois foram os sobreviventes que não foram pegos pelos Paladinos. Amon se oferece a Melchior para retirar os dois das terras Elturgardianas e guia-los até Baldur’s onde teriam mais chances de reiniciar sua vida. Melchior prontamente aceita a proposta de Amon, mas seria impossível para o garoto que teve a perna amputada viajar naquele estado, precisaria de bandagens limpas, ervas para conter a dor e ajudar na cicatrização, então Melchior envia Amon até a cidade para comprar os itens necessários para a viagem.

Três horas depois e Amon retornava para o casebre, ao se aproximar ele percebe montarias Elturgardianas paradas ao lado de fora da casa e uma intensa movimentação, armários sendo revirados, argila sendo quebrada, os Paladinos procuravam por algo. Ja na porta Amon tem a visão mais aterradora de sua passagem em Elturgard, Melchior estirado no chão, seu rosto afundado por algo que provavelmente seria uma maça Elturgardiana, na cama ao lado, o jovem que recuperava-se da operação no mesmo estado de Melchior, ambos assassinados friamente, o choque de Amon foi tão grande que ele somente recuou, aos poucos, a cada passo Amon via que Melchior ja havia previsto este acontecimento, porém não tão cedo, o ermitão contava que Amon fosse capaz de extraditar os dois refugiados antes que os Paladinos conseguissem os seguir até o casebre, Melchior estava errado. Em Amon toma a estrada para Baldur’s, a moça, na qual não sabia sequer o nome não estava no casebre, se os deuses forem justos ela havia conseguido fugir antes da patrulha chegar ao local. Aquelas terras o enojavam, um estado com uma casca dourada e um núcleo apodrecido por um falso ideal de lealdade e direitos, Elturgard fedia e Amon não suportava mais o odor.

Dois meses se passaram, Amon não estava realmente com pressa, Amon não… Meia Noite, ao sair do território Elturgardiano ele deixou também seu nome para trás, não queria levar nada daquela terra, o seu apelido de infância agora era seu nome e sob aquela alcunha é que dedicaria sua nova historia a salvar aquelas terras dos horrores da guerra. A estrada o agradava muito mais que as cidades, os ventos uivantes das noites frias, os primeiros raios de sol da manhã, neste período Meia Noite conheceu uma jovem Netherese chamada Natalya, independente da nacionalidade da moça ele acreditava que a guerra fazia vítimas de todos os lados e não seria ele que negaria ajuda a um viajante necessitado. Natalya era nada menos que enigmática, não escondia sua nacionalidade mesmo atrás das linha inimigas de seu país, porém nunca contou a Meia Noite os reais motivos pelos quais ela o acompanhava até Baldur.

Algo mais havia mudado em Meia Noite, algo além de seu nome, algo o acompanhava, algo mais que um ideal, aos poucos manifestações sobrenaturais começam a ocorrer consigo, um leve assovio continuo lembrando uma brisa invernal abitava seus pensamentos, o som não chegava a ser irritante, mas de acordo com os avanços na estrada que ligava Elturgard a Baldur’s Gate o som tornava-se mais intenso, era próximo do uivo produzido por ventos fortes cruzando muros de pedra e forçando sua passagem em becos estreitos. A estrada não era solitária, com a proximidade de Baldur’s Gate raramente as rotas estavam vazias e era comum ele e Natalya acamparem de outros viajantes, comerciantes, aventureiros e demais refugiados, eram raras as noites silenciosas.

A noite o Asceta saia para longas caminhadas nos ermos, aos poucos aquele som começou a guiar Meia Noite, estavam a cinco dias de distancia de Baldur’s Gate, três forçando a caminhada. Ele acorda, em um estado de quase transe, uma linha tênue entre sonho e realidade o carregava floresta a dentro, em sua caminhada novas percepções o acompanham, era quase possível ver as distorções causadas pelas lufadas do vento noturno. O terreno muda, após cruzar a floresta Meia Noite depara-se com um caminho bastante íngreme e acidentado, ele traça uma trilha que o leva ao topo de um imponente monte na fronteira do estado de Baldur com Elturgard, do ponto mais alto do monte era possível ter ampla visão de toda Baldur, aquele era um local de poder, um local sagrado, um templo ao ar livre, na beirada da escarpa oeste voltado exatamente para a cidade de Baldur’s Gate havia um buraco esculpido numa rocha no tamanho de um palmo, ao se aproximar do que parecia ser um altar, como aqueles encontrados nas igrejas de Torm, Chauntea, Selune, mas este não possuía símbolos, marcações, aquele lugar parecia não ser visitado a muitos anos. Uma ultima lufada de vento atingiu Meia Noite, os ventos eram tão fortes no topo daquela montanha que quase o derrubaram diversas vezes de seu caminho, ao chocar com a escultura o vento produzia exatamente o mesmo som que Meia Noite vinha escutando ao longo de sua caminhada. O primeiro raio de sol da manhã toca a pele de Meia Noite, o ciclo estava completo, os ventos cessam e um nome é sussurrado em seu ouvido “Shaundakul”. Ele não estava mais sozinho…

Após o retorno de Meia Noite a estrada ele se reencontra com Natalya e os outros caravaneiros, e já bastante próximos de Baldur’s Gate os comentários sobre o Grande festival que se aproximava superaram as conversas sobre a guerra, aparentemente aquele festival seria um grande marco para a cidade, talvez um ponto de partida para um futuro melhor para uma cidade assolada por tantos conflitos.

Amon "Meia Noite"

Aventuras nos Reinos Esquecidos carlomazo