Saatari

O Rapina.

Description:

“Estrada para ruína”:

https://www.youtube.com/watch?v=-3mos3MNoqE

Bio:

**1° Time-skip – “A Noite Eterna”:
Após a destruição de Ashok – o mal iminente, Saatari retornou a Ferrolargo onde viveu exilado por alguns meses até se reestabelecer completamente. Os ferimentos de batalha, somados às incuráveis feridas provocadas pela remoção do Gal-Ralan, não doem tanto quanto às lembranças de ver Zad morta pelas mãos de demônios. Um pesadelo acordado, interminável. Saatari imergiu em uma depressão absoluta, construindo um exílio… uma fortaleza de dor e solidão nas ruínas dos túneis subterrâneos de Ferrolargo, vivendo em estado de animação suspensa. Shadowfell ficou mais densa, mais amarga, mais agoniante.
Foi então que Silenoz, servo de Asteenu – O Demônio da Agonia, ofereceu um trato a Saatari: a vida de Bóris e ajuda na ascensão de seu mestre ao posto de Ashok, em troca da ressureição de Zad. Saatari foi tentado e, no auge de seu desespero, aceitou o trato. Por semanas, ele espreitou e estudou a rotina, os movimentos… esperando o momento certo, a esperança e o desespero travavam uma luta feroz, de igual para igual, dentro de si. Chegada a hora, Saatari estica seu arco armado de uma flecha que possuía apenas um destino: o coração do clérigo de Moradin. Fechando os olhos para a razão, Saatari prestes a disparar a flecha envenenada é interrompido por uma voz serena:
- Testemunhei teu martírio e me solidarizo, shadar-kai. Também perdi um amor neste plano. Não deixai que as trevas de tua alma amaldiçoem também a luz que acendeste com teus últimos feitos.
Seu nome era Hyperion, um elfo (ex)paladino de Ilmater. Ele revelou ter perdido as contas de quantos anos estava ali. Contou também sua trágica história de como foi banido para aquele lugar, ao ser enganado pelo então corrupto sacerdote da igreja de Calimport:
- Neste lugar perdi amigos, entes queridos, perdi até meu amante… perdi o amor do Deus Sofrido, que não se atreve a despejar sua graça nesse plano profano.
Hyperion revelou que seguia o grupo desde os eventos de Forja da Melancolia, onde ganhava alguns trocados fazendo reparos em embarcações. Não era sua profissão, mas era um ofício, uma forma de ganhar a (sobre)vida naquele lugar… e o melhor de tudo: informações grátis. Ele sonhava com o dia que pudesse voltar a Faerûn, onde tinha uma pequena casa em Calimshan, deixada como herança por um amigo moribundo, devoto de Shaundakul, atingido pela praga mágica em uma de suas viagens. Hyperion revelou que Asteenu teria financiado o ‘proeminente’ grupo de mercenários desde o início, pois com Mandthe’eal, Rat’utarg, Sirtak e Maritza fora de seu caminho, destituir Ashok seria mais fácil. Assim, ficou óbvio que Asteenu jamais traria Zad de volta à vida. A esperança em Shadowfell é um natimorto.
A sensação de decepção diante das revelações de Hyperion, fizeram o shadar-kai explodir em ira. O sentimento de dor e tristeza se dissolveram nas sombras de Shadowfell, sendo substituídos pela velha chama vermelha do ódio. Saatari jurou extinguir Asteenu e todos os demônios do mundo. Mesmo que não conseguisse, a justiça viria imparcial, impiedosa.
Partiu mais uma vez, sem falar nada.
A cada demônio morto, uma sensação de conforto preenchia sua alma amaldiçoada. Os demônios o caçavam também, mas Saatari e as sombras haviam se tornado íntimos, unos… ele aprendeu a domar suas emoções explosivas, tornou-se mais centrado, focado. A sinergia entre a paciência e as sombras o tornaram o caçador perfeito, como uma rapina. Não demorou muito até surgirem histórias de um ser misterioso atuando nas províncias, ninguém o conhecia, poucos o tinham visto, e os poucos que o fizeram não sobreviviam para testemunhar.
“Havia um cara nervoso, de passos largos e marcha rápida, parecia desconfiado… olhava para todos os lados como se estivesse sendo perseguido. Foi quando, de repente, uma flecha saiu da escuridão e o atingiu em cheio, no peito. Aquele cara virou uma criatura horrenda! Pelos deuses… ele agonizou por horas, antes de morrer. Parece que quem disparou aquela flecha sabia que não mataria de primeira… parece que queria fazer sofrer. ”
Testemunha anônima.

**2° Time-skip – “Medidas Desesperadas”:
Saatari repousa no alto de um obelisco, enquanto fita atentamente a metrópole Porto dos Perdidos. Sem sono, sem fome, sem sede… o único combustível para continuar é o ódio. Lá embaixo, pessoas indo e vindo, assaltos, bêbados brigando, comerciantes gritando seus produtos na entrada de suas lojas… nada fora do comum. De repente sente uma presença em sua retaguarda e, quase que de pronto, dispara duas flechas em direção à figura, que nem se moveu.
- As próximas acertarão, demônio.
A figura se revela, parece ser apenas uma… criança?!
- Nem demônio, nem celestial. Sou como tu, um espectador. A diferença é que eu deixo as coisas seguirem seu curso natural… Tens perturbado um balanço, mesmo que de forma tênue, Saatari.
Tentando não parecer espantado, Saatari permanece em silêncio enquanto ainda mantém o arco apontado para a criatura.
- … meu nome é Baal e não há o que eu não veja. Os demônios estão mais esquivos e receosos, pois sabem o que estás fazendo. No entanto, há um dos teus que desempenha um contrapeso muito maior do que aquele que desempenhas.
Baal sorri em um misto de inocência e arrogância, seus olhos púrpuros brilham:
- que a Dama da Noite guie tuas setas ao coração de teus inimigos, Rapina.
E desaparece em plena vista. Saatari não caçaria mais naquele dia.
Algumas semanas se passaram. Os demônios sobreviventes estavam sendo escravizados pelas ascendentes forças de Arakrush, ou submetidos à vontade de Asteenu. Uma trégua se estendia por Shadowfell, mas Saatari sabia que não demoraria muito até uma investida orc devastadora. Começou a entender as coisas que Baal disse. Vendo que seus esforços solitários já não eram mais suficientes para conter os desfechos de seus atos, Saatari partiu em busca de pessoas competentes, com motivações compatíveis, para que pudesse continuar desempenhando suas funções.
Em Porto dos Perdidos, conheceu Nero, um mercenário extremamente habilidoso, mas pouquíssimo ortodoxo. Nero teve um pequeno grupo de assaltantes nas estradas do sul, e durante uma investida a uma caravana teve o azar de topar com Mandthe’eal. O demônio estuprou sua irmã caçula, depois a devorou, lentamente, enquanto ela disparava gritos absurdos de dor e agonia. Seus outros dois irmãos foram crucificados, tiveram seus órgãos sexuais arrancados e colocados em suas bocas. Nero, foi enterrado, apenas com a cabeça para fora da terra, para testemunhar a lenta morte de seus homens. Passou dias sem comer ou beber, quando foi resgatado por um grupo de comerciantes que rumava à cidade mais próxima. Nero, ouviu sobre os trabalhos do Rapina e decidiu segui-lo.
Saindo de Porto dos Perdidos, foram longos 12 meses de viagem entre terras ermas. Hyperion era um homem de contatos, articulava com pessoas de confiança para que cedessem estadias seguras nos locais por onde passavam. Nos arredores de Arakrush, o grupo conheceu o solitário orc chamado ‘Tar’. Ele contou que figurava a linha de frente durante a investida aos cavaleiros comandados por Marduk, mas sua montaria foi ferida por uma lança e o derrubou. Pela velocidade na qual estava e violência de como foi ao solo, Tar ficou inconsciente por horas. Quando despertou, estava em uma carroça junto com outros corpos em Farol Incandescente, haviam outros corpos sendo cutilados por um demônio grande e gordo, que juntava os pedaços de carne e as colocava em barris de salmoura. Tar, percebendo que os orcs nada mais eram do que joguetes para os demônios, entrou em fúria e partiu para cima do demônio, despedaçando-o em poucos segundos. Outros demônios investiram contra ele, mas o orc, armado de um cutelo, destroçou a todos e conseguiu fugir. Sob a alcunha de “Quebra-Queixos”, Tar uniu-se ao grupo.
Os três partiram em direção a Ferrolargo, a cidade anã. A viagem foi relativamente tranquila – a trégua instaurada após Marduk assumir a fortaleza de Farol Incandescente, trouxe uma paz inquietante para o local, no entanto, era inegável o fato de que o clima de tensão era constante. Hyperion e Saatari acessaram a cidade por túneis auxiliares, seus contatos levaram-nos a um nome: Artorion.
Artorion foi o único sobrevivente à incursão a cidadela de Farol Incandescente, onde foi comandante de uma divisão que assegurou a passagem dos guerreiros que rumaram à torre de Ashok. Sobreviveu soterrado nas ruínas dos túneis, onde se viu obrigado a beber urina e comer a carne morta de seus próprios soldados, enquanto que, praticamente sem esperanças, aguardava algum resgate. Após muitas semanas, ele veio: as tropas de Amamlion varreram a superfície, enquanto o anão, paciente, aguardara rente às pedras que soterravam. Com a última centelha de sanidade que ainda lhe restara, Artorion gritou, desesperado… um silêncio quase que momentâneo precedeu o tilintar de picaretas nas densas pedras que o engolfavam, Artorion estava livre. De volta a cidade as coisas mudaram drasticamente, o anão tornara seus hábitos ainda mais reservados. O conselho da cidade o recebeu bem, herói que foi… recebeu honrarias rasas, nada de festas ou banquetes: os horrores da guerra cobraram seu preço.
Saatari e Hyperion encontram-no sentado em um pequeno banco de estopa perto à janela, enquanto observava, distante, o movimento das esparsas e calmas ruas de Ferrolargo. Sua casa parecia ter sido cenário de uma batalha recente: restos de comida sobre a mesa e chão, copos atirados sobre todos os cômodos e, ao fundo, um pequeno altar à Moradin completamente destruído – o machado de Artorion encravado no centro da bigorna, símbolo do deus… não só a fé abandonou o anão, sua vida também. Em todo momento, pareceu não se importar com a presença dos dois. Artorion parecia ter voltado dos mortos, para ele, era preferível ter morrido. Após uma longa conversa, Hyperion convence o guerreiro a tentar recuperar seu ânimo, a ideia de vingança parecia trazer conforto.
Alguns dias de viagem, circundando a cordilheira leste, em direção aos perigosos Pântanos de Pedra. Artorion relatou conhecer uma poderosa feiticeira que havia se refugiado naquelas terras, talvez as mais ermas do mundo. Sequer sabiam se estaria viva. Foram horas tentando penetrar os densos pântanos, não é à toa que os chamam de “Pântanos de Pedra”, até que, com muita dificuldade, Saatari conseguiu descobrir um rastros interessantes: patas de um felino grande que, metros a frente, tornavam-se pegadas humanas. Seguindo a diante, os rastros sugeriam que aquela criatura teria ido em direção a um pequeno cômodo, escamoteado em meio às pedras da encosta. Saatari, com sua vasta experiência, desconfiou daquele desleixo da preza e quando tentou se postar em defensiva, foi tackleado ao solo por Quebra-Queixo, que o fez desviar de um relâmpago disparado da copa de uma árvore. Nero, com uma acrobacia de costas também conseguiu escapar. O relâmpago explodiu no solo, levantando a lama fétida aos ares.
Artorion, ineditamente gargalhou, enquanto olhava em direção ao ponto de partida do relâmpago. Um rugido imponente cercara o grupo, o anão sorria peculiarmente enquanto abria os braços, na esperança de que sua velha conhecida o recebesse. Alguns instantes se passaram e uma linda mulher saiu do cômodo, completamente nua. Ela tinha olhos luminescentes, que emanavam uma radiação cianótica. Seu corpo era rude, mas atlético: músculos rijos, vigorosos e firmes, como os de um jovem puma. Nero olha para Quebra-Queixos, os dois sorriem, enquanto Hyperion parece desconfortável
- Meus velhos olhos jamais apagaram a memória do mais belo felino que já vi… tal como a mulher mais linda que já existiu! Exclama o anão, faceiro.
Pantara permanece quieta, enquanto expressa um breve sorriso de canto de boca. Após longas horas, ela resolve compartilhar sua história.
Pantara viveu em Porto dos Perdidos, onde possuía um pequeno comércio comprado com os dotes recebidos de seu marido. Ele, um soldado folgado, que vivia se esbaldando, gastando as economias do casal em puteiros e tavernas, enquanto ela trabalhava duro durante horas, tentando uma vida comum sem os estigmas impostos por seu sangue mágico. O sonho de Pantara era engravidar, mas os curandeiros diziam que seu ventre era infértil – vítima da benção negra do plano de Shar. Sem que seu marido soubesse, foi até Amamlion pedir a graça do misterioso estadista. Ele sorriu maliciosamente e propôs devolver a fertilidade da moça, sob a condição de que ela se deitasse com ele. Envolvida em um estranho e súbito sentimento de desejo, Pantara despiu-se, e foi possuída por Amamlion ali mesmo, nos carpetes rubros do salão.
Os guardas se divertiam, enquanto isso, Pantara era penetrada de maneira quase inerte, submissa à vontade de Amamlion. Ele, mantivera sua expressão debochada quase todo o tempo, como se a dominação o dera mais prazer do que o próprio ato sexual. Quando cansou-se, deixou a moça atirada ao solo, levantou e sentou-se desnudo em seu grande trono, enquanto saboreava um “vinho” peculiar, num extravagante cálice dourado. Pantara, vestiu-se lentamente, enquanto recobrava a “consciência”.
- Vá e aproveite os milagres da maternidade, minha jovem! Disse ele, enquanto continha o riso. Pantara partiu a passos tímidos, enquanto tentava cobrir o corpo moço, com as vestes rasgadas, tentando não olhar ninguém nos olhos.
Algumas semanas se passaram, Pantara engravidara. Apesar de pequenos flashes de memória, onde parecia recobrar a ciência dos fatos, a jovem se mantinha excitada com a realidade de gestar. Não demorou muito até que os boatos do ocorrido começassem a circular por entre os soldados, até que chegaram aos ouvidos de seu marido. Quando voltou para casa, extremamente bêbado, seu marido a agrediu, e muito. Pantara apanhou, quase que passivamente. O homem saiu de casa, e depois de algum tempo fora, chegou a notícia de que ele teria sido encontrado morto… provável suicídio. A jovem descobriu que na realidade o infértil da relação, era seu marido e não ela. A surra que tomou fez Pantara abortar. Ela partiu, com o pouco que ainda tinha, e nunca mais foi vista.

O grupo havia sido reunido, uma nova força se levantara…

**3° Time-skip – “Retaliação”:
A “milícia” de caçadores não tinha uma base de operações fixa, geralmente atuando de forma itinerante. Não havia previsão de quando, ou onde iriam agir, e quando agiam, era quase que de pronto. Os demônios atacados geralmente eram surpreendidos sozinhos ou em pequenos grupos. De maneira incisiva e rápida, Saatari coordenava os caçadores que, facilmente, extinguiam os inimigos em poucos instantes. O alvo primário era Asteenu, que costumava agir em baixo perfil, muito mais cauteloso do que costumava ser. No entanto, seus rastros estavam sendo descobertos, e pouco a pouco, seu paradeiro começou a vir à tona.
Após torturar um demônio, Saatari ouviu o nome de um velho conhecido: Farak, e descobriu que havia uma conexão entre ele e as motivações de Asteenu. Temendo pela vida do antigo companheiro, o grupo partiu quase que de pronto para o ponto onde foi dito que o demônio estaria. Chegando no local, Saatari deparou-se pontualmente com Asteenu, prestes a atacar o druida. Um embate se inicia, o grupo foca nos demônios menores e Silenoz, enquanto Saatari ataca o poderoso demônio, mas logo percebe que as forças dele são formidáveis e que não conseguiriam supera-lo, não ali. Ele possuía vantagens, o ataque não foi planejado… requisito mínimo para o sucesso de suas incursões.
A batalha estava parelha, eis que surge um mago poderoso, Arannis, e o quadro começa a mudar. Asteenu foi atingido por uma magia e foi visivelmente abalado, o mago grita algumas (inaudíveis) palavras a Farak, que hesita por alguns segundos, mas acaba cruzando o portal. Os demônios estão sendo subjulgados, eis que Asteenu corre e supreendentemente cruza o portal também. Saatari investe, mas é surpreendido por Pantara, que segura seu braço:
__- Mate aquele desgraçado… por todos nós!
Ela dispara magias potentes, enquanto o grupo começa a se agrupar tentando impedir que algum outro demônio fugisse pelo portal também. Arannis ordena que Saatari entre no portal, ele e Hyperion conseguem atravessar com segurança. Chegando a Toril, ainda meio confuso, Saatari ajoelha-se diante do explendor do sol, enquanto é amparado pelo amigo… por um momento, quase esqueceu de sua missão, de seus deveres. Hyperion resolve levar Saatari para um lugar seguro, a fim de que possam reestabelecerem suas forças e planejarem seus próximos passos.

Saatari

Aventuras nos Reinos Esquecidos ruben_braccini