Reznor

O Vigilante de Baldur's Gate

Description:

Humano

33 anos, olhos castanhos, cabelos escuros, 1,76m, 72kg.

Neutro e Leal

Bio:

DE VOLTA AO LAR

Dificil pensar numa sensaçao mais agradavel e revigorante que o cheiro salgado da costa de Baldur’s Gate ardendo nas narinas. Faziam dois anos desde que partira rumo as montanhas da Espinha do Dragao as margens do gélido Rio Branco. Nao fora uma decisao complicada de se tomar. Era preciso se reencontrar, era preciso que o Coruja partisse afim de alimentar seu espirito para desafios maiores. Era preciso esquecer o passado e preparar sua mente e seu corpo para oque seu coraçao sempre desejou ser.

Filho do amor de um marinheiro e uma dama de companhia, Reznor jamais pudera aproveitar aproveitaro carinho da mae e os ensinamentos do pai. Tinha apenas 7 anos de idade quando presenciou a decaptacao da propria mae, a beira da fonte onde usualmente lavava as roupas. Apesar de jovem, ele jamais pôde tirar da mente o olhar parado daquela que lhe deu a luz enquanto o vermelho manchava a limpida agua da fonte. O rosto do homem tambem jamais esqueceu. Seus longos cabelos loiros, seus traços afetados e seu ar insano, apoiados pela armadura escura e soturna e sua gigantesca espada ensopada do sangue de Abril, sua progenitora.

As autoridades jamais foram capazes de compreender os motivos do crime e muito menos encontrar o cruel assassino. Nenhum sinal de violencia sexual, nenhum furto, nenhuma outra agressao a membros da nobre familia a qual Abril servia desde pequena. O esposo se encontrava em viagem como de costume. Dessa vez no entanto, se esperaram dois anos por sua volta que jamais ocorreu, e o menino Reznor foi levado a uma casa para orfaos.

Ele desceu por fim da embarcaçao que o trazia de volta ao lar, e por muitos minutos caminhou pelo cais, embriagado pela vivacidade que o vaivém e a maresia injetavam em suas veias. Percebeu que como ele, sua cidade também mudara. A praga magica fizera de Baldur’s Gate um dos locais mais cobiçados pelos refugiados e isso inflara ainda mais a populaçao da metropole.

Quando criança lembrava correr pelo mercado com seus amigos, todos fugidos do orfanato, cansados de maus tratos. Lembrava dos bons mercadores, que sempre lhes ofereciam sobras da feira de bom grado, lembrava dos Punhos Flamejantes de boa indole, de quando se sentava debaixo das tendas para lhes ouvir contar de grandes aventuras. Infelizmente lembrava-se nitidamente também do sofrimento. Da fome, da penuria, da ingratidao de homens ignobeis, soldados de milicia crueis, agressores, abusadores, do descaso da nobreza e dos grandes comerciantes com os problemas da cidade, da corrupçao daqueles que pouco tinham e assim fechavam os olhos para tudo que havia de errado em troco de algum dinheiro.

Mas especialmente lembrava-se de Lea. De sua lisa e sedutora pele escura, de seus cachos volumosos e macios, de seus olhos negros e firmes, de seu sorriso capaz de derrubar qualquer barreira. De sua bravura, imbuida de um carinho feroz e audaz, tipico da maravilhosa arrogancia da juventude. Lembrava-se dos anos mais belos de sua vida, onde todo sofrimento era nublado pela presença magnética dela. Ela que fora e sempre seria o motivo de tudo, ela que morrera para dar vida a ele, ao verdadeiro homem por tras da mascara. O homem que jamais descansaria até que o equilibrio fosse alcançado e a injustiça varrida da face de Baldur’s Gate.

Perdido em lembrançcas Reznor mal notara que ja se aproximava de sua Toca. Como de costume, nao se utilizou a entrada de sua velha casa, um casarao semi destruido e ha muitos anos abandonado da qual o primeiro andar totalmente falso ja lhe salvou de alguns invasores. Em vez disso dirigiu-se a insula ao lado. Com sua chave, abriu a porta e vislumbrou a sala de estar. Comum, prosaica e intocada. Caminhou rumo as escadas e subiu, foi ateh a janela e suavemente recostou a persiana que dava para a Toca. Pela escada de corda caminhou com rapidez e leveza até sua real alcova, atravessando entre as arvores q dividem as estruturas a escada era praticamente invisivel durante a noite.

Chegou a pequena sala que dividia o segundo andar de sua casa. Destrancou a grande porta de madeira e parou por alguns segundos, contemplando o lugar onde mtas vezes escapara de perseguidores, se curara de terriveis ferimentos e preparara os planos de sabotagem à cargas ilegais, assaltos e ataques ao povo de sua terra. Obversou por alguns intantes a grande besta de repetiçao debruçada sob a janela. Ainda apontava em direçao a escada de corda, como se esperando todo esse tempo pela volta daquele que a manejava. Deixou entao os olhos correrem pela sala. Papeis com nomes, mapas e retratos falados antigos afixados em todas paredes, e sob o centro da mesa de madeira seu capuz marrom e a mascara negra, as luvas e botas gastas, o cinto e suas adagas, a besta leve marcada por ataques de espada e pelo uso. Era como se olhar no espelho apos muitos anos. Era como nascer de novo.

Mal pode evitar as lagrimas ao perceber o colar de Lea repousado sobre o peito da blusa de couro marrom, colar que lhe dera seu nome, colar que carregava o pingente de uma coruja de prata de olhos cinzentos, porem brilhantes. Unica lembrança dos pais verdadeiros de sua querida Lea. Unica lembrança que lhe restava dela. Lembrança coletada de seu corpo jah sem vida, ja sem a negra firmeza nos olhos.

Era o fim do entardecer e Reznor tinha terminado seus serviços de entregas no cais e rumava para encontrar Lea naquela mesma casa que se encontrava agora, num tempo onde ela ainda contava com um primeiro andar e vivia cheia de amigos, musica e alegria. No caminho escutou gritos, a voz era inconfundivel. Correu em direçao a esquina e chegou a tempo de ver dois homes saindo de uma viela de chao batido, enquanto um guarda esperava parado na esquina. Reconheceu ambos agressores quando esses passaram um saco de moedas ao guarda. Se tratavam do padrasto e irmao de criaçao de Lea, uma familia de apotecarios que por muitos anos adotou crianças para utiliza-las como serventes. Algo que todos sempre souberam mas jamais algo foi feito. Mas dessa vez a
falta de escrupulos dessa familia haviam ido longe demais.

Correu desesperado rumo ao corpo dela, no rosto a poeira e a lagrimas ainda umidas nas faces, marcas de agressao em seu corpo moreno, dilacerado pelo desejo doentio de dois monstros. A morte e a violencia pareciam acompanhar Reznor onde quer que fosse, pareciam acercar-se de tudo e todos em sua cidade e a lei se mostrava infrutifera em sua forma de resolver esses problemas. Baldur’s Gate estava cheia de herois e glorias, mas deixava que seu proprio povo amargasse a fome, a dor e a injustiça. Baldur’s Gate nao precisava de outro heroi. Precisava de um guardiao. Naquela mesma noite pai e filho foram presos pela guarda apos confessarem o crime de estupro e homicidio. Segundo os guardas eles pareciam palidos e assombrados enquanto faziam seu depoimento.

As noticias sobre o vigilante noturno que sobrevoa as noites da capital logo se espalharam. Para muitos se devia ao Coruja a tranquilidade de dormir em paz, e era amado especialmente pelos mais pobres. Odiado, entretanto, pelos poderosos e pelas autoridades, bem como por pessoas influenciadas por comentarios maldosos, ligando o vigilante a crimes hediondos ou apenas como uma historia para crianças. A verdade é que O Coruja havia se tornado parte do dia a dia daquele povo, e muitas vezes faltou a Reznor capacidade para lidar com tanta carga. Era hora de aprender a ter controle sobre si e sobre as responsabilidades que isso trazia. era hora de preparar seu corpo e espirito para ser os olhos e ouvidos da igualdade.

E por isso partiu as montanhas geladas, para esquecer q um dia fora um menino orfao vitima de uma fatalidade mal explicada. Que um dia fora um dos orfaos do cais, que um dia fora o amor da vida de Lea. Que um dia fora um homem. Se mesclar ao mundo e deixar para tras toda magoa. Contemplar a verdadeira sabedoria e alcançar o equilibrio que advém do desapego e da reflexao.

EPILOGO

Tres meses haviam se passado desde o retorno do Coruja. Alguns boatos ja se podiam ouvir. Dado como morto ha 2 anos atras, uns falavam da volta do estranho guerreiro, outros de um sucessor, e ainda muitos que se tratava apenas de uma historia ou mais um dos muitos bandidos que assolam a cidade cada vez mais caotica e complicada. Mas Reznor sabia que nada disso era verdade.

Coruja nao morrera, nao era bandido algum e era sim um ser de carne e osso, como qualquer outro. Mas o guerreiro que voltara das montanhas da Espinha do Dragao nao era sequer de longe o mesmo homem que deixara sua terra anos atras. E esse novo guerreiro sabia que sozinho ja nao mais poderia defender seu povo da massacrante e crescente desigualdade. Era hora de dar um passo adiante. Era hora de ser o heroi que Baldur’s Gate precisava, e nao somente um cavaleiro montado num belissimo cavalo e com os bolsos cheios de dinheiro. Mas para isso sabia que precisaria de aliados.

Preparação (Reznor Time Skip 1)

O topo da alta montanha a nordeste de Callidyr se tornara o local sagrado de Reznor, ali por muitas sentara em busca de tranquilidade, reflexão e iluminação enquanto contemplava logo abaixo de si o pequeno local que Kendrik lhe permitira construir para que pudesse se preparar para o compromisso que assumira com Lalrian e Evedhel. Depois de tudo que ocorrera eles foram compreensiveis ao fato que o ex-vigilante precisava se readaptar aos novos rumos.

Dores excruciantes, pesadelos e a frustração haviam sido razoavelmente faceis para a mente do monge, até que o navio afundasse e diante do caos e da inutilidade que se encontrava seus poderes despertaram, acordara para os dons da mente como jamais imaginaria possivel, e isso foi demais para seu corpo ja debilitado. Acordara do coma apenas meses depois, quando viera a saber que fora salvo por sua fiel Adelaisa e o corajoso Guideon.

A situação em Callidyr era cada vez mais preocupante. A tensão com Amn era cada vez maior e Reznor tentava ajudar como podia, mas sabia que seria de muito mais utilidade em Baldur’s Gate, onde poderia ajudar a organizar seu povo e quem sabe assim formar uma união contra os amnianos. Por ora fizera o que lhe era possivel: indicara que Alana trabalhasse com Evedhel, como sua guarda-costas, mas principalmente como sua espiã, indo e vindo entre Baldur’s e Callidyr, e buscando informações sobre os planos de Amn daonde quem sabe uma luz surgisse para dar fim ao terror da guerra.

Nesse interim Jorell crescia a olhos vistos, a puberdade chegara e seu corpo se modificara, o que fazia de seu treinamento cada vez mais forte e completo. Se intensificara tambem sua amizade com a menina Vanes, a total contragosto de Guideon, diga-se, mas os dois pareciam a cada dia se entenderem melhor e não parecia haver muito que o mercenario pudesse fazer para impedi-lo.

Desde que Boris trouxera as noticias de Shadowfell, o Coruja assumira os cuidados a Taryel e Rianra, como divida ao amigo Solomon, como se sentisse que isso talvez pudesse trazer um minimo de conforto a pobre alma que Dra’ax condenara. Jamais imaginaria que o mund das sombras traria tanto terror e corrupção ao carater do meio-dragão. Por vezes tentava se convencer que Ressyl pudesse o ter corroido por dentro, mas ainda não encontrara sapiencia e iluminação dentro de si suficientes para perdoar a bestialidade do ex-companheiro.

Mas nem tudo eram magoas na vida de Reznor, aos poucos seu corpo se ornara mais forte o que nunca e sua mente afiada lhe rendia a cada dia novos frutos. Quando Adelaisa lhe dera a noticia do bebê encontrara uma paz unica e sonora dentro de si, se sentia pronto, completo. Sabia que O Coruja teria que ficar para trás e que talvez ja fosse hora de retornar a sua terra e cumprir seu papel no senao. Por mais que no fundo isso lhe fizesse sofrer, era hora de entender sua situação e a de Baldur’s Gate, afinal, seria pai, e pais não possuem direito algum a ideias egoistas.

Descia a montanha rumo a humilde mosteiro quando ao longe percebeu que uma figura subia na direção oposta. Após alguns segundo foi capaz de identificar Alana. Sorriu, ha alguns meses não tinha noticias da elfa, e ansiava por saber noticias, ainda mais agora que se sentia preparado para seu retorno.

“Problemas” – logo iniciou a arqueira, sem “olas”, sem efusividade, tipico dela, direta ao ponto – e levantou a altura dos olhos dele um cartaz, na imagem um retrato-falado de detalhismo no minimo esdruchulo, para não dizer nulo.

“Parece que você tem um fã. No ultimo mês muitos homicidios forma relatados e ligados a essa pessoa. Sempre disfarçado ele parece matar sem um intuito ou modus operandi especifico, tirando o fato de sempre deixar um unico recado: está no aguardo do Coruja. Parece bastante confiante que ninguem pode dete-lo e que voce é quem ele quer.”

Os olhos fundos do ex-vigilante e sua palidez eram impossiveis de disfarçar. A volta para casa era mesmo inevitavel, e visivelmente por mais que tentasse, não haviam formas de estar mesmo preparado.

Suplicio (Reznor time skip II)

A carroça velha de tabuas soltas balançava indolente pela estrada escura, e Reznor concentrava em sua respiração para não ser notado. O ar de Amn sempre oprimira seus pulmões, mas havia um bom tempo que nem isso mais o incomodava. A guerra, a prisão, os maltratos, nada disso quebrara o espírito do monge. Mas a total falta de notícias de Baldur’s Gate e Callidyr, de sua esposa, de sua criança que jamais vira sequer o rosto, isso era o desafio que penetrava em sua mente cada dia mais fundo.

O cheiro forte de cebolas infiltrava suas narinas e ajudava a esconder seu proprio odor. Ha semanas sem um banho, sem um refeição decente e sem dormir mais de duas horas, o corpo do ex-vigilante sofria e ele concentrava todas suas forças para o momento necessário. Ficara pouqíssimos dias em Baldur’s Gate apenas para organizar sua família e ja partira rumo a Callidyr novamente, com novidades sobre uma aliança contra os amnianos, porém jamais chegara a seu destino. Ja ha muito perdera a noção de ha quanto tempo fora escravizado, Jorell devia ser um homem feito a essa altura, estaria ele vivo? Estaria Baldur’s Gate ainda de pé? Logo saberia.

O barulho do lado de fora se tornava mais frequente, e Reznor previa-se proximo do seu destino. A cidade que encontraria a sua frente era uma total incógnita, mas o sentimento de estar a poucas milhas de Callidyr ja lhe dava o alento preciso. Por fim a carroça parou, ouviu uma voz falar em amniano e pelo ranger da madeira o mercador descera para tratar com os guardas. A viagem do cais até ali tomara mais tempo do que ele esperava, ele poderia estar em qualquer área de Gwyneth agora, não havia formas de dizer, mas era preciso arriscar.

Esperou com calma, espreitou sua presa, analisou seus movimentos e constituição fisicas e e finalmente agiu. Com a mesma rapidez de sempre o monge psiônico saltou de seu esconderijo diretamente sobre o guarda mais distante dele e um único e certeiro golpe em sua nuca foi o que bastou – morto, pensou ele – seus olhos brilhavam num azul placido, quase branco, o fazendo ver alem do enxergavel e dificultando a visão dos adversarios. Quando pensava em reagir o segundo guarda já tinha Reznor atrelado a seu pescoço, que com um veloz movimento ja decretava talvez o ultimo suspiro do inimigo, num estalar seco de suas vértebras. Por fim vislumbrou frente a frente o mercador que inconscientemente o guiara até ali. Um simples golpe com as costas da mão fora o suficiente para desacorda-lo. A guerra e a escravidão haviam mexido com os brios do Coruja, mas matar um homem inofensivo era algo que ele jamais faria.

Observou o posto fronteiriço em que se encontrava com calma. Parecia desabitado agora que abatera os dois guardiões do local, mas não demorou para perceber murmurios pedindo por socorro advindos da torre de guarnição. A arquitetura érlfica denunciava que aquele posto fora simplesmente tomado para si pelo exercito de Amn.

Balkan era o nome do homem que ele libertara. O ex-comandante de Waterdeep fora preso em batalha naval contra piratas a mando de Amn e fora deixado em Gwyneth para ser deslocado a Amn, onde teria o mesmo fim de Reznor: a servidão forçada. O meio-elfo contou a ele que Gwyneth aos poucos vinha sendo recuperada pelos exercitos de Callidyr, após ter sido ha mais de um ano, e que algumas docas improvisadas na costa podiam ser encontradas onde seria seguro suficiente encontrar uma embarcação que rumasse a capital. E assim partiram rumo a mais uma arriscada empreitada.

Balkan era seguro, firme, centrado, porém claramente sofrido e desgastado pelo sofrimento da guerra. Ainda assim um excelente companheiro. O estranho era que cada metro mais proximo de retornar a sua família e seu povo Reznor se sentia mais intranquilo e ansioso do que jamais estivera em seus meses como escravo.

Dever

“Nevermind”

_The war was lost, the treaty signed
I crossed the line
I was not caught, though many tried
I live among you, well disguised

I had to leave, my life behind
I dug some graves, you’ll never find
The story’s told with facts and lies
I had a name, but never mind
There’s truth that lives and truth that dies
I don’t know which, so never mind

Your victory was so complete
That some among you thought to keep
A record of our little lives
The clothes we wore, our spoons our knives

The games of luck our soldiers played
The stones we cut, the songs we made
Our law of peace which understands
A husband leads a wife commands

And all of this expressions of
The sweet indifference some call love
The high indifference some call Fate
But we had names more intimate
Names so deep and names so true
They’re blood to me they’re dust to you

There is no need that this survive
There’s truth that lives and truth that dies
Never mind. never mind
I live the life I left behind

I could not kill the way you kill
I could not hate, I tried I failed
You turned me in. at least you tried
You side with them whom you despise

This was your heart, this swarm of flies
T’was once your mouth, this bowl of lies
You serve them well, I’m not surprised
You’re of their kin. you’re of their kind

Never mind, never mind
The story’s told with facts and lies
You own the world. so never mind

Never mind. never mind
I live the life I left behind
I live it full, I live it wide
Through layers of time you can’t divide

My woman’s here, my children too
Their graves are safe from ghosts like you
In places deep with roots entwined
I live the life I left behind_

“Seu pai era um grande homem” – disse o Coruja – “um grande homem mesmo”.
“Eu sei” – respondeu o menino – “não preciso que todos repitam isso”.
O vigilante ponderou alguns segundos e prosseguiu – “Você carrega essa grandeza consigo, eu posso ver a mesma força dentro de você, e ele também o via. Existem momentos que dividem nossa vida… entre antes e depois, eu devo contar ao menos cinco até hoje… esse é o seu primeiro. Mas, a grandeza persiste exatamente em por mais duros, injustos e sofridos que eles sejam, nós saiamos pessoas melhores deles. Isso é a dor. Seu pai era um grande homem, e você também será. Nesse momen…”

As palavras dele foram interrompidas, pelo abraço do filho de Basbel, falecido sumo-sacerdote de Torm. Reznor também sentia a dor do garoto. Basbel fora um de seus maiores aliados por anos, e perdê-lo de forma tão terrível só fazia mais latente a necessidade de acabar com seu antagonista, O Abutre, era como já o chamavam pelas ruas.

Beijou a fronte de Pelor e seguiu seu caminho na escuridão, sabia q essa longa noite ainda estava longe do fim, Bóris fazia um bom serviço como senador, e a situação com os anões rebeldes começava a se tornar mais contornável, mas a iminente guerra com Amn facilitara muito o florescer da criminalidade em Baldur’s Gate, e com os problemas enormes que recaiam nas mãos dos Punhos Flamejantes cabia a ele proteger sua cidade de dentro, pra q estivesse pronta para os ataques externos.

Era noite alta quando bateu a porta de Ferdald. “O que diabos quer aqui essa hora?” – perguntou o capitão. Reznor percebeu que ele estava armado e que tinha uma magia já preparada. “Precisamos conversar” – respondeu em tom sério.

O clima tenso se manteve quando se sentaram um de cada lado da mesa, se analisando. “Veio até aqui para um desafio de encaro, vigilante?” – soltou Ferdald. Em tom mais brando, o monge replicou, “Eu vou colocar calmamente minhas mãos sobre a mesa, espero realmente que você ainda tenha a mesma sensatez de outrora e não tente me atacar, meu desejo não é espanca-lo dentro de sua propria casa.” Dito isso ergueu lentamente suas mãos em direção ao rosto e retirou sua máscara, enquanto o Punho Flamejante lhe mirava num misto de curiosidade e braveza.

“Reznor?” – indagou incrédulo – “Como? Recebemos a notícia oficial de sua morte do exérrcito de Waterdeep há mais de um ano, ja fazem 3 anos que seu navio foi destruido!”. “Apenas um favor prestado por um amigo” – respondeu rapidamente o vigilante – “O Coruja não poderia existir enquanto Reznor ainda vivesse… apenas, Basbel sabia que ainda vivo, e agora você. O faço como um voto de confiança para que ouça com atenção e me ajude.”

Ferdald ainda parecia estranhado, demorou algum tempo até falar novamente. “Ajudar você? O que diabos pensa que sou? Eu deveria prendê-lo imediatamente!”. “Capitão” – ele retornou – “se fui capaz de abdicar de minha familia e minha vida para fazer o que é preciso por Baldur’s Gate, não é o seu dever como Punho Flamejante que há de me impedir. Nem sequer Boris ou Janos estão ciente que O Coruja é e sempre será Reznor. Confio plenamente em ambos senadores, mas sei que não são bons em esconder segredos, e colocar as vidas deles em risco com tantos outros assuntos externos a serem resolvidos seria leviano da minha parte. Vim a você porque sempre fora alguém dispoto a fazer o certo, e com inteligência suficiente para ver que os Punhos não podem fazer tudo sozinhos”. "E o que esta tramando afinal? – as palavras eram rispidas, mas o tom de voz de Ferdald ja soava mais brando. “Eu preciso que você reinstitua o cargo de Rimena, despromove-la por suspeitar de seu envolvimento comigo fora um ato cruel e nada util, além disso preciso de uma conexão com quem eu possa dividir minhas informações, e agora que Basbel está morto minha unica opção é uma ligação direta com a guarda. Eu cuidarei d’O Abutre, de Nove Dedos, de Razerg e pelos deuses até do maldito Farsir se necessário. Mas, preciso de seu apoio, pois sabes muito bem que seus homens não tem minimas condições de segurar nossas defesas e lidar com esses crápulas.”

Quando deixou a casa de Ferdald a noite já era alta e o horário da negociação se aproximava. Percorreu rapidamente os becos em direção as docas enquanto preparava sua mente para o combate. Nos ultimos meses ele procurava utilizar sempre abordagens diferentes, fazendo uso de suas diversas e novas habilidades para manter os relatos de possiveis testemunhas confusos e distantes do modus operandi do antigo Coruja, na maioria das vezes deixava que seu servo sombrio fizesse o trabalho, se possivel. Mas dessa vez ele teria que se utilizar de tudo que tinha a disposição.

O pagamento nunca chegaria as mãos de Razerg. Infelizmente os escravos vendidos ja ha muito não estavam mais ao alcance da ajuda dele, mas aquele dinheiro seria de muita utilidade aos órfãos da guerra. Naxus e mais alguns escaparam, mas isso era algo que o vigilante teria que resolver em outro momento. O aparecimento de outras duas figura encapuzadas no local traziam uma preocupação muito mais iminente e importante. Um era claramente O Abutre, que provavelmente tirara essa informação do corpo quase sem vida do pobre sacerdote da justiça. O outro lhe deixara confuso, mas pelo modo de agir e lutar parecia claro se tratar de Jorell. Pelos sete infernos o que aquele garoto tinha na cabeça? Jamais o treinar pra isso, jamais quisera para ele a vida de solidão e sacrificio que levava. Talvez tivera tido masi tempo para chegar a essa lição o garoto compreendesse que algo muito maior e mais significativo lhe aguardava, mas para isso o vigilante noturno teria que garantir que seu pupilo não acabasse precocemente com a própria vida. Perseguia o jovem pelas ruas discretamente quando seus pensametos forma cortados pela visão de seu antagonista. Se obrigou a parar para enfrentar O Abutre enquanto via Jorell se perder de vista. No fim a longa noite parecia se tornar bem mais comprida do que ele mesmo previra.

A NOITE SILENSIOSA

Time Skip parte III

A porta do pequeno cubículo que estava se abriu, e a luz feriu seus olhos por uns instantes, logo um homem de altura mediana o segurou pelo pescoço e ergueu firmemente seu corpo obeso. Não era nenhum dos outros que o capturaram, mas vestia as cores dos punhos flamejantes como eles. Sabia que eram fasantes, os punhos flamejantes jamais fariam algo assim, sequestrar um membro da guilda de Razerg e obriga-lo a leva-los ao local onde armazenavam os escravos. Provavelmente eram do tal novo vendedor de escravos que surgia tentando tomar a posiçãao de seu chefe. Logo foi reunido aos outros “Punhos” e carregado vendado até o lugar. Precisavam apenas da voz dele para receberem entrada livre ao cativeiro, depois o matariam, com toda certeza. quando sentiu o golpe na nuca logo que proferiu a senha de entrada sabia que era o fim de sua gorda existência.

Quando abriu novamente os olhos, ainda desnorteado, ouviu o som de batalha fervorosa e correu as mãos a venda. Os “punhos flamejantes” haviam matado todos os homens e agora se engalfinhavam com uma figura encapuzada e extremamente ágil. Notou que o homem que o carregara até ali sumira. A luta foi rápida, a velocidade do homem era incrivel, e ele desmarava e espancava os inimigos de mãos nuas. Percebeu que os homens de Razerg tambem tinha apenas ferimentos de concussão, embora muitos estivessem deformados pelos golpes. Terminado o combate o encapuzado se virou para ele. Os olhos brilhavam numa palida luz esbranquiçada e um mascara de ferro como um bico de coruja encobria a parte inferior de seu rosto. “Desculpe, mas você viu meu rosto. Não saira vivo para contar isso”.

Enquanto sua vida se esvaia, atras do sangue que cobria seus olhos ele podia ver os escravos de Razerg sendo libertados pelo vigilante.

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A vida tinha ganho nova cor desde que assumira posição no templo de Amaunator. Se senti a util novamente e feliz por ajudar Baldur nesses dificeis tempos. Mas em noites como aquela sempre se sentia sozinha, pensativa. O templo fechava-se sempre ao por-do-sol, como de costume, porem Adelaisa ficava ainda por horas olhando para fora pelas grandes janelas, perdida em seus pensamentos. Amanhā começaria a grande feira, e ela sabia o quanto Reznor adorava as festividades. Ver seu povo feliz, sorrindo, principalmente os mais pobres, que poucas alegrias tinham para comemorar. Nessas horas a saudade batia forte e por muitas vezes uma singela lagrima escapava pelo rosto da sacerdotisa do Iluminado. Haviam quase 5 anos da morte dele, mas por vezes parecia ontem, como o tempo em que passou enclausurada pela armadilha de Ressyl.

Um barulho estranho vindo do mezanino que levava ao solar a retirou de suas memórias. Subiu a procura do ruído, provavelmente algum pássaro noturno que entrara pelo solar e ficara preso. Caminhou olhando ao redor pelo local iluminado apenas pela luz da lua, quando reparou em uma pequena folha de papel, segura ao chão por uma pequena coruja de obsídia. O pegou e levou a altura dos olhos: “Procure pelo templo de Selune, o sol deve unir-se a lua e auxiliar os amaldiçoados pela licantropia. Encontrem Kael, ele vive e foi visto pela ultima vez em Callidyr. É o que Reznor faria. Boa sorte.”
Haviam mais palavras escritas, mas riscadas as pressas e ilegiveis. Ela imaginou ler “amor” entre elas, mas era impossivel ter certeza.

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Niala andava ocupadissima nos ultimos dias, mas feliz como poucas vezes estivera, o festival se aproximava e nas favelas o festejo seria de forma diferente, mais humilde, mas muito mais comunitário e provavelmente mais animado. O que lhes faltava em verbas lhes sobrava em esperança e coragem. Com o fim da guerra a tensão diminuira na região e graçdas ao vigilante mascarado ali se tornara mais seguro do que em muitos outros lugares, alem das grandes doações feitas pelo estranho guerreiro. Ela sabia que o dinheiro vinha de apreensões ilicitas, porem ali o destino que lhes davam era muito mais nobre do que qualquer senhor daquela cidade jamais seria.

Caminhou por entre as tendas armadas, cumprimentada pela dupla de Punhso Flamejantes que fazia a ronda naquela região. Ambos refugiados que conseguiram seu emprego graças a grande demanda de homens da lei enviados para o campo de batalha. Fora um periodo de muita dor e sofrimento e estava orgulhosa de que os necessitados se reerguiam cada dia mais e escaparam do arduo momento com muito afinco. Quando chegou ao lugar que marcara com o menino Jorell ele ja estava la, escorado a parede, enrolando tabaco num cigarro bastante mal fechado. Desde que assumira seu posto como guardiã dos refugiados, junto com Gadruk, o rapaz vinha sendo seu mensageiro direto com o vigilante, e muitas vezes seu protetor pessoal. Seus ombros ficavam cada dia mais largos, e ja tinha porte fisico de um homem, embor ao sorriso juvenil ainda estampasse seu rosto magro e escuro.

“O Coruja tem um plano, senhora. Vamos nos livrar do Abutre de uma vez por todas, e o festival vai ser o momento mais adequado. Ele vai precisar de seu apoio. Fique atenta aos sinais que lhe daremos nos proximos dias.”

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O capitão pousou a mão sobre a mesa de cabeceira e procurou pelo copo de agua que deixara ali para ter sempre que acordava de madrugada, insone. Desde ontem a insonia piorara muito. Fora complicado tomar aquela decisão, mas tivera de se afastar do Coruja. Com o fim da guerra Gaskel voltara a dar mais atenção as questoes internas de Baldur, e ambos ele e o vigilante sabiam que ele não poderia mais ter sua imagem atrelada a do justiceiro. Prometeu que seguira tentando patriar os refugiados mais confiaveis e habilidosos aos ranques da guarda e que manteria Rimena nos arquivos a todo custo, mas não mais poderima agir juntos de forma direta. E por mais que soubesse da inevitabilidade disso não conseguia deixar de se sentir culpado, e seu sono sofria ainda mais com isso. Tempos dificeis ainda viriam, talvez mais do que nunca nas ruas da cidade. Licantropos, traficantes de escravos, o Abutre, os jogos politicos… e o festival era muito mais importante e complicado do que parecia para a maioria.

Levantou-se lentamente, esticando cada musculo do corpo, o sol nem sequer aparecera, mas sabia que não dormiria mais. Sentou-se em sua escrivaninha e começoua folhar seu grimório. Havia um ultimo favor a se prestar ao vigilante nesse ultimo dia.

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Caminhava agil, porem sem pressa, esgueirando sobre telhados e ruelas. Não havia por que correr, a noite era longa e sabia que encontraria o amigo lá. Se aproximando do centro da cidade parou por alguns instantes para vislumbrar tudo que se havia montado aguardando o festival. Lembrou-se de Lea, de seus amigos do orfanato, do quanto amavam essa epoca. Passou a ponta dos dedos sobre o amuleto em forma de coruja, unica lembranca de sua primeira amada, retirado do seu corpo ja sem vida. Baldur era um cidade dura para se viver, onde os bons normalmente pagavam pela ação dos ruins, onde fazer justiça e trazia muitas consequencias complicadas.

Escalou com calma os muros do Senado, em direção a unica sala iluminada naquele horário. Ja conseguia ver a silhueta do anão proxima a sacada. Boris era mais uma prova viva da dificil missão que era nadar contra a maré balduriana. Entretanto o servo de Moradin fora exemplar, dissessem o que dissessem sobre ele nas ruas, o anão garantira a sobrevivencia de Callidyr e por consequencia a da propria Baldur com seu trabalho e Reznor estava muito orgulhoso do amigo.

Quando se aproximou silenciosamente da bancada pode ver com clareza seu companheiro há anos distante. Parecia mais roliço que em seus áureos tempos, mas a barba e cabelos negros ainda eram fartos e o simbolo de Moradin em sua mesa denunciavam que mantinha-se fiel a seus preceitos. Ele parecia distraido, absorto, com os olhos presos em sua linda armadura, montada sobre um maquenim. Não sabia como Boris a conseguira, mas era magnifica e muito mais condizente com o senador do que a antiga monstruosidade que tiraram do cadaver de Thoryss. A julgar pela forma que olhava para ela, o amigo sentia falta de sua epoca de combates e invasões a tumbas.

Se era isso que se passava na cabeça de Boris, O Coruja mataria suas saudades em uma unica visita.

Reznor

Aventuras nos Reinos Esquecidos tim_langendorf