Inarius

Mago e nobre benfeitor; Discípulo de Therion, o Bondoso

Description:

Raça: Humano
Classe: Wizard 5, Master Transmogrifist 6, Abjurant Champion 5
Divindade: Bahamut
Idade: 30 anos
Altura: 175 cm
Peso: 70kg

Bio:

Prelúdio
Nascido e criado em Baldur’s Gate, Inarius é o mais novo de três irmãos, todos filhos de Cereus, um homem que se tornaria influente no estado. O pai de Inarius sempre foi uma pessoa íntegra e honesta. Começou a trabalhar desde jovem com criação de gado em um lote de terra, recebido por direito consanguíneo de um parente sem herdeiros. Com o tempo, Cereus prosperou devido à crescente demanda por gado de abate, provocada pelo aumento do contingente dos Punhos Flamejantes, durante a queda do Conselho dos Quatro e da polícia Balduriana em 1384 DR. No mesmo ano, Cereus apaixonou-se e casou com a bela Yolandrae, uma tradicional estudiosa em magia que acabara de receber o título de arqui-maga e intendente do templo de Mystra.
Após a morte da deusa no ano seguinte e o colapso da ordem mágica, Yolandrae caiu em desgraça… tudo que havia conquistado, todos os anos de estudo e dedicação escorreram por entre seus dedos. Cereus achou que a única coisa que poderia fazer por sua amada era dar uma vida confortável a ela, sendo assim, trabalhou e ampliou suas riquezas, achando que o conforto poderia distrair a mulher. Cinco anos depois, Yolandrae engravidou. A felicidade parecia ter retornado ao lar após o nascimento dos gêmeos. Houveram complicações no parto… ambos sobreviveram, no entanto, uma das crianças chegou a ser dada como morta, pois ficou muito tempo enforcada pelo cordão umbilical.
Em homenagem aos avós, Yolandrae batizou seus filhos como Marius e Isandrae. Isandrae era uma jovem vigorosa de espírito forte, curiosa e contestadora – cresceu brincando com outros meninos, contrariando a pompa de uma “dama da nobreza”. Já Marius, de saúde frágil, cresceu em meio aos livros… era tímido e muito reservado, dependia de aparatos confeccionados por mestres gnomos de Lantan para poder sobreviver. Os gêmeos possuíam personalidades e características ironicamente antagônicas.
Alguns anos se passaram e Yolandrae teve outro filho: Inarius, um bebê portador de uma serenidade majestosa. O jovem Marius olhou para a criança com desdém, enquanto Isandrae não pôde esconder o ciúme, ela sabia que já não seria mais o centro das atenções.
Três anos depois, os gêmeos completaram 18 anos. Isandrae tornou-se ‘Punho Flamejante’, contrariando os desejos de seu pai, que planejava que ela se casasse com o filho de um outro grande pecuarista, o que sacramentaria o monopólio da criação/venda de gado em Baldur’s Gate. Marius comprou uma loja de reagentes e poções, onde tornou-se apotecário, vivendo a maior parte dos dias enclausurado em seu laboratório.
Quando Inarius completou 8 anos, Yolandrae planejou uma expedição às terras do Sudeste, juntamente com alguns magos e estudiosos em magia – apesar dos riscos, ela insistia que de uns tempos para cá começou a ter sonhos que julgava ser um “chamado da deusa”. Cereus resistiu até onde pode, mas sabia que nada poderia fazer contra a vontade de sua esposa, e acabou cedendo, inclusive, patrocinando a expedição.
Foram cinco longos anos de saudades, Yolandrae mandava corvos mensalmente, contando sobre os locais que passara e detalhes da expedição. Até que o último corvo chegou, com descrições e relatos horripilantes, eles haviam chegado a Ankhapur – cidade onde Yolandrae e a maioria de seus companheiros haviam estudado. Os relatos informavam que a terra havia sido devastada, como se tivesse sido implodida de dentro para fora. Cereus esperou desesperado por outra carta de sua amada… ela veio, mas com péssimas notícias.

Capítulo I
Já haviam meses desde que aquela carta havia chegado. Todos os dias, Cereus sentava-se junto à janela da torre de sua residência, onde fitava, esperançoso, o poleiro que os pássaros pousavam trazendo mensagens de sua esposa.
- Elas nunca mais virão, pai. – disse Marius, com sua lúgubre frieza convencional.
Cereus fitou os olhos do filho, sabia que ele estava certo. Escorou-se sobre a mesa, repousou a testa sobre as mãos e suspirou. Marius saiu em silêncio, se dirigindo ao quarto do irmão caçula. Inarius estava no quarto lendo um pequeno livreto quando percebeu que alguém o observava, tentou escondê-lo por trás de si. O pai proibira o envolvimento com magia desde a notícia da morte de Yolandrae. Marius estava parado em frente à porta, balbuciou algumas palavras do que parecia ser uma rápida condolência, e saiu.
Inarius, possuía uma personalidade que parecia uma mistura do temperamento de seus irmãos, era um jovem cheio de energia, mas ao mesmo tempo tímido e sério. Parecia também ter herdado o interesse em magia de sua mãe, mas a perspicácia e a dedicação laboral do pai.
- Inarius, arrume suas coisas, você passará um tempo com o irmão de sua mãe. – disse Cereus, com a voz embargada. Preciso de um tempo para reorganizar meus pensamentos.
Inarius baixou a cabeça e iniciou um choro silencioso, enquanto arrumava suas bagagens.
Foram longos dias de viagem até Candlekeep. Nas mãos, Inarius possuía um livro belíssimo, com uma capa de veludo azul índigo, ornada em pedras preciosas. A jovem mente não se esquecera das últimas e frias palavras do pai. Já nos portões da fortaleza o boleeiro parou o coche, desceu e foi em direção a uma pequena janela, falou alguma coisa fazendo os longos portões se abrirem. Nos jardins da bela fortaleza, havia um homem sentado em um banco de pedra. Inarius desceu da carruagem e foi incentivado a ir em direção àquele homem. Ele era inconfundível, seu rosto era quase igual ao de sua mãe, com exceção de um cavanhaque muito bem feito. O homem sorriu, desarrumou os cabelos de Inarius num gesto terno, pegou suas bagagens e se dirigiu para dentro da fortaleza. A fortaleza era maravilhosa, suas paredes eram preenchidas por grandes estantes, apinhadas de livros.
- Existem milhões de livros neste lugar, todo o conhecimento do mundo ao alcance dos que tem o privilégio de estar aqui… você é um deles, Inarius – disse o tio, orgulhoso.
Os dois se dirigiram para uma série de escadarias que levavam a uma sala com uma única porta, Viggo, tio de Inarius, morava na fortaleza havia anos. Ele retirou dos bolsos um molho de chaves, olhou para uma, testou, abriu a porta e se deparou com um salão de baile.
- … qual era mesmo a chave?! – pensou em voz alta.
Fechou a porta, chaveou-a com a anterior, usou outra chave e “voilà!”: uma sala completamente diferente surgiu. Inarius esfregou os olhos, que tipo de truque mágico era aquele? Os dois percorreram a antessala e se dirigiram a um escritório nos fundos. Viggo deu três batidas compassadas e a grande porta de carvalho se abriu, revelando uma biblioteca bagunçada. Por trás de uma mesa havia um elfo solar de aparência madura, ele usava um óculo de haste enquanto lia um livro.
- Viggo?! Veio me cobrar aquele nosso chá com bolachas? – exclamou o elfo com uma voz grave e penetrante.
Viggo gargalhou.
- Já se passaram 10 anos desde que eu lhe fiz o convite, velho amigo!
- Nossa! O tempo passa rápido não?! Bom… você sabe como eu sou: quando começo um livro só paro de lê-lo quando termino.
Inarius espantado olhou para o tio, com os olhos arregalados, e cochichou:
- Faz 10 anos que ele está nessa biblioteca, lendo esse mesmo livro?
Viggo sorriu e assentiu com a cabeça. Os elfos possuem uma percepção de tempo diferente dos humanos. Kalinder passa anos nessa sala.
- Esse é um livro mágico, meu jovem. Ele renova suas páginas todos os dias, como se estivesse sendo escrito a todo momento… O que temos aqui? – Kalinder estendeu a mão buscando o pacote que Inarius carregava.
Por um instante ele fechou o semblante, enquanto analisava o grande livro. Olhou para Inarius por alguns segundos, e deu um sorriso largo. Viggo suspirou aliviado e novamente bagunçou os cabelos do sobrinho.
- Seja bem-vindo meu jovem. – Disse Kalinder, receptivo.

Capitulo II
Dezesseis anos se passaram. Inarius se tornara um homem maduro e culto. Passava a maior parte do tempo estudando extensos compêndios, e quando não estava fazendo isso, estava viajando com o tio. Viggo estava muito velho, começou a ter problemas para enxergar.
- A dama da morte é cruel com os decrépitos, meu caro… dos bardos retira a audição e a potência da voz, historiadores retira a memória. E daquele que só encontrou prazer nas belezas do mundo e no conhecimento dos livros, retira a visão. – resmungou Viggo, com os olhos apertados, tentando ler um pergaminho.
- Retira os sentidos, meu velho tio, mas jamais vai retirar a sabedoria e a experiência. – disse Inarius, com um afago terno.
Viggo fitou o sobrinho, orgulhoso:
- Que belo homem que você se tornou, Inarius. Não está na hora de casar e ter filhos com uma bela esposa?
Inarius gargalhou, beijou a careca do tio e saiu em direção aos seus aposentos.
Quando se encaminhava para o salão principal, viu um homem parado o encarando das sombras. Inarius seguiu, desconfiado, em direção ao homem.
- Sentiu saudades de mim, irmão?
Inarius não pode conter a surpresa ao ver o irmão, ele estava tão bem, tão… jovem(?). Num ato impulsivo, Inarius correu e abraçou o irmão que, mesmo sem jeito, retribuiu de forma contida. Marius estava diferente, não mantinha mais os respiradouros gnômicos de antigamente.
- O pai está morto, Inarius. Em seu leito de morte fez um último desejo: que você o perdoasse.
Com os olhos embargados, Inarius suspirou, mas logo se recompôs. Foi até seus aposentos, preparou suas bagagens, deu um “até logo” ao tio e partiu para o funeral do pai, de volta à Baldur’s Gate. A viagem pelo Caminho do Leão fora reflexiva. Marius preferiu ir em uma carruagem separada, como sempre. Alguns dias de viagem e o boleeiro fez um sinal de parada.
- Temos uma situação logo à frente, senhor. – disse ele.
Inarius desceu do coche para averiguar a situação. A carruagem de Marius estava muito a frente, e acabaram seguindo viagem – não seria difícil se encontrarem no caminho que seguira. Inarius caminhou receoso até a borda da estrada: um pequeno caminho que levava à uma cabana incendiada. À frente dela, um corpo estirado em meio a pedaços de madeira: um homem loiro, muito bem vestido, parecia estar pouco ferido. Inarius o ajudou, e com auxílio do boleeiro levou o homem até a carruagem. A viagem seguiu, o homem foi recobrando a consciência e alguns instantes depois acordou.
- Acalme-se, você está em segurança, rumo à Baldur’s Gate.
- Obrigado, milorde… – disse o homem misterioso, com uma imponente voz de barítono-baixo.
O silêncio imperou por alguns minutos, até que o homem começou a falar:
- Me chamo Therion… a quem devo minha vida?
- Não se preocupe senhor Therion, o senhor não me deve nada… a propósito, meu nome é Inarius.
Therion era um homem de presença, possuía traços nobres e sofisticados, como se fosse um híbrido da raça humana com os eladrin de Tel-Quessir. Os dois conversaram trivialidades e sempre que Inarius voltava ao assunto que dizia respeito ao ocorrido, Therion desconversava de maneira abrupta.
- Baldur’s Gate há 5 minutos! – gritou o boleeiro.
- Senhor Inarius, agradeço mais uma vez por ter salvo minha vida. Se o senhor não tiver muito ocupado, gostaria de que me encontrasse na Torre de Ramazith, tenho alguns assuntos a tratar, mas imagino que no início da noite já tenha resolvido.
Inarius assentiu, os dois cumprimentaram-se em um forte aperto de mão.

Capítulo III
O esplendor da metrópole já podia ser visto das janelas do coche, Inarius não pisava na cidade há mais de 10 anos. A carruagem cruzou os grandes portões abertos do belo distrito de Wyrm’s Rock em direção à passagem de mesmo nome. Guardas reconheceram a insígnia dourada de Cereus, deixando a carruagem passar, sem interrupções.
- Você gostaria de verificar o estado desses seus ferimentos? Meu irmão possui uma farmácia no centro, poderia dar olhada no senhor. – disse Inarius, prestativo.
- Não, muito obrigado, milorde! Sei que tens assuntos mais urgentes a tratar na cidade. Além do mais, preciso me alongar um pouco! – exclamou Therion, com um sorriso no rosto.
Mais uma hora se passou. Therion se despediu, puxou a pequena sineta de dentro do coche, fazendo com que o boleeiro parasse a carruagem.
- Eu fico aqui. Lembre-se, se puder me encontrar à meia-lua em frente a Torre de Ramazith. – insistiu Therion.
A carruagem seguiu viagem até o distrito a qual se localiza o templo do deus Kelemvor, onde o corpo de Cereus estava sendo velado. Ao chegar, Inarius foi recepcionado por pessoas que não conhecia, todos prestavam gentis condolências. No fundo do grande templo, ao lado do esquife, havia uma linda mulher armadurada de longos cabelos loiros, era Isandrae, irmã de Inarius. Ao lado dela estava Marius, com sua tradicional e indecifrável expressão. Inarius aproximou-se do esquife: seu pai estava com uma aparência horrível, mesmo com todo o preparo do cadáver pelas mãos talentosas dos sacerdotes daquele lugar… Cereus havia morrido no momento em que recebeu aquele corvo.
Isandrae foi até Inarius, colocou sua pesada mão sobre o ombro do irmão, ela não queria demonstrar fraqueza, mas era perceptível que seu coração quebrara em mil pedaços. Ela e seu pai estavam brigados desde seu alistamento nos punhos flamejantes, onde exercera um dos postos de comando mais altos da corporação. Ao lado dela havia um homem chamado Gaskel, também possuía insígnias de distinção.
Inarius beijou a testa do pai, uma única lágrima correu por seu rosto. Sentou-se ao lado de Marius e os dois permaneceram em silêncio por algumas horas. Após os ritos fúnebres, o esquife foi cerrado e houve um breve cortejo até a entrada das catacumbas onde repousaria Cereus em seu sono eterno. As pessoas permaneceram ali por mais algum tempo, fora oferecido uma refeição para os nobres e convidados.
No início da noite, Inarius se dirigiu até o ponto onde havia prometido se encontrar com Therion. Lá estava ele.
- Meus pêsames, milorde.
Inarius suspirou, e esboçou um breve sorriso de gratidão:
- O senhor gostaria de falar comigo, sobre o que seria? – perguntou Inarius, um pouco impaciente.
Therion pediu para que Inarius o acompanhasse até uma pequena choupana à leste da torre. Chegando lá, Therion entrou, pronunciou algumas palavras em dracônico e revelou um alçapão no canto da cabana. Ambos desceram por uma rampa extensa que dava acesso a uma única galeria. Ao fim da galeria havia uma porta gradeada. Havia uma presença mágica muito forte, Inarius sequer precisou conjurar para sentir a forte aura mágica daquele lugar.
- Você é um estudioso em magia, não é, Inarius? Peço para que, independente do que você veja aqui, não grite, nem se apavore. Absolutamente nada acontecerá com você.
Em instantes, Therion tomou distância e se revelou um grande dragão dourado.
- Este sou eu, meu amigo. O verdadeiro eu. – disse ele, em toda sua majestade.
Inarius deu um pulo de espanto e já começou a gesticular uma magia, que fora anulada por Therion antes mesmo de ser completada.
- Acalme-se, milorde! Eu tenho uma proposta a lhe fazer.
- Não… não me devore, por favor! – disparou Inarius, indefeso.
Algumas horas se passaram e Therion explicou a situação, ele disse ter sido emboscado por um grupo de caçadores de uma seita secular chamada “Culto do Dragão”. A seita tinha como mentor o mago Sammaster, destruído há 20 anos atrás. Therion explicou que o culto ainda possui adeptos, ávidos por capturar e transformar dragões em “dracoliches”, escravizando-os e utilizando seu poder e se apossando de seus tesouros. Therion informou que estava refugiado em Baldur’s Gate há alguns meses, mas que possuía um esconderijo próximo a Cloakwood.
- Você salvou minha vida, Inarius. Como pode ver, os dragões são seres solitários… nós, os dourados, somos justos e acreditamos em um mundo harmônico entre todos os homens
Os olhos de Inarius brilharam e, por um momento ele hesitou… mas concordou. Uma grande amizade se iniciaria desde então.

Capitulo IV
Inarius se estabeleceu em Baldur’s Gate onde herdara a casa do pai, tal como uma parcela da herança deixada por ele. Vendeu sua parte das terras, pois a maior parte da vida passou em um lugar onde dividia o quarto com o tio. Sempre foi humilde, mesmo sabendo de suas responsabilidades com a nobreza, gostava de conforto, mas não esbanjava. Seu tio se correspondia por cartas que chegavam praticamente toda a semana, às vezes ia visita-lo.
Therion retornara ao seu covil, onde Inarius o visitava uma vez por mês; em alguns meses mais de uma vez, ficando vários dias em companhia do amigo. Havia todo um ritual, Inarius desenvolveu magias de transmutação, o que eliminava as suspeitas acerca de seus encontros com seu mestre. A cada encontro, Inarius recheava-se da sabedoria dracônica. Therion era jovem, mas possuía um conhecimento próximo ao dos seus mestres anciões de Candlekeep.
Seus encontros não só despertaram sua já acurada curiosidade e dedicação para com a magia, mas também o senso de proteção aos fracos e desprendimento ao egoísmo. Therion sempre disse que “a maior riqueza do mundo é a experimentação do conhecimento…”, Inarius concordou, ele sabia que a ganância era a principal responsável pela ruína do homem. Therion não o encorajou a se livrar de sua fortuna, pois acreditava que ela poderia ser usada para fazer o bem.
Inarius tornou-se um famoso filantropo nos tempos turbulentos da guerra entre os reinos. Alimentou as famílias dos soldados mortos em batalha, criando um fundo de amparo às vítimas da guerra. Therion estava orgulhoso de seu pupilo.

- Existe esperança, meu caro amigo. Este mundo ainda pode ser salvo.

Inarius

Aventuras nos Reinos Esquecidos ruben_braccini