Fennor

Nobre de Tethyr

Description:
Bio:

Capítulo I – Um homem de negócios.
Me recordo de quando meu avô me contava como iniciou seus negócios. Tudo começou quando o mercador de tecidos da região o chamou para ajudar na rota mais influente dos vendedores da época. As coisas iam bem demais para o “senhor dos panos” como era conhecido esse mercador. Meu avô começou a cobrar cada vez mais caro para poder ajudar o mercador, pois conseguia achar produtos de grande qualidade por um preço baixo e conseguia vender como se fosse ouro. O Senhor dos panos estava abismado com a habilidade de meu avô com os negócios, e acabou deixando a administração dos negócios por conta de meu avô quando ele tinha cerca de 40 anos. Com os negócios em alta, meu avô decidiu ser sócio do Senhor dos panos, alegando que se ele negasse, largaria tudo. A ameaça deu certo e a sociedade estava feita. Com a idade avançada do mercador e sem familiares, meu avô já esperava ser dono de todo o império criado por eles, o que não demorou muito para acontecer, pois anos depois o Senhor dos panos viria a falecer.
Os anos se passaram e a demanda só aumentava, e com a sua influência e discurso de prosperidade da região, logo conseguiu com um vendedor de escravos cerca de 40 pessoas para o trabalho forçado nas suas terras.
Meu avô sempre teve gosto e inteligência para aumentar seus negócios, e sua sede por poder e dinheiro era tanta, que passou a comprar mais escravos para revender. As coisas estavam tomando outra rumo a essa altura, e com os negócios em expansão, ficou evidente que ele não iria parar tão cedo.
Seu lucro era tanto passou a emprestar dinheiro, escravos e terras para pessoas que já tinham posse e também queriam expandir seus negócios. Meu avô fazia contratos inteligentes com esses senhores da terra, caso a pessoa conseguisse a prosperidade na região, meu avô solicitava um percentual adicional até a pessoa quitar a dívida e devolver seus bens, e caso a pessoa quebrasse, meu avô pegava os últimos bens da pessoa falida. As pessoas tinham em mente que meu avô já dominava muitos mercados, e queriam fazer o mesmo para enriquecer como ele, inclusive senhores que já possuíam terras queriam fazer bom uso da mesma e solicitavam uma ajuda de meu avô, porém nesses casos ele ajudava a pessoa a falir, para se tornar ainda mais poderoso, ele dizia que deveriam começar no mercado como ele, com matéria prima para revender, porém meu avô possuía os produtos de melhor qualidade e preço, tornando-se imbatível em uma disputa de mercado. Meu avô era o mais cruel dos negociadores, conseguia tudo o que queria. Meu avô a essa altura já dominava os comércios de tecido, animais, ferro e animais da região. Mas o que meu avô sempre quis foi o domínio do comércio de escravos, o mais rentável segundo ele. O que ficou aos encargos de meu pai.
Capítulo II – O tráfico.
Meu avô ensinara muitíssimo bem a arte dos negócios para meu pai. As terras com plantações, animais e a extração de ferro estavam indo muito bem, sem falar na compra e venda produtos de reinos distantes. Meu pai não se abalou com a morte de meu avô e continuou com os negócios.
Nossas terras eram vastas e parecia não ter fim, era um reino comandado por uma pessoa só e que agora passaria por uma mudança drástica. Meu pai decidiu ir a vários centros urbanos atrás de pessoas que quisessem sair da miséria. O acordo era o seguinte: O miserável trabalharia na extração de ferro, no cuidado de animais, nas plantações ou na tecelagem e teria em troca, alimentação, teto, roupas e segurança. Com a grande quantidade de terras para cuidar, meu pai optou por formar milícias para defendê-las, mas não tardou em mostrar que a ganância estava em seu sangue e logo quis usar seus homens de armas para fazer mais escravos, arrasando pequenas aldeias do continente.
Meu pai agora vendia escravos para terras distantes sob um forte esquema envolvendo lordes e cortes. Não existia dificuldade em passar por terras no qual a escravidão era proibida, sempre dava um jeito, e quase sempre conseguia de forma pacífica. Houve uma vez no leste que impediram a todo o custo, porém a lâmina do agora forte exército de meu pai silenciou a negativa e rendeu mais escravos para ele. Tínhamos agora um lorde como escravo, e mesmo assim meu pai achava que poderia ter mais poder e influência no continente, sua sede por poder era sim, sem limite.
O nome de meu pai é conhecido por vários vilarejos e cidades do hemisfério norte. Com grande prestígio e renome, conseguimos pegar dinheiro emprestado com a maioria de mercadores de ouro e prata para suprir nossas necessidades em viagens longas e pagar sem qualquer dificuldade. Meu pai herdou um poderio e não fazia ideia.
Lembro-me da primeira vez que ficou brabo comigo, eu tinha cerca de 7 anos, eu não sabia o que era escravidão, achava que aqueles homens faziam tudo por que gostavam ou porque precisavam, como aqueles vindos dos grandes centros urbanos. Em uma das casas em que os escravos viviam eu vi uma família deles e me lembro que tinha ido falar com o menino pequeno que estava abraçado na mãe, ouvindo um provável sermão do pai, tanto a mãe quanto o menino apontavam para a floresta que havia no horizonte, em frente a essa casa, e logo depois apontavam para os grilhões, entendi que não queriam mais ficar ali, já que em minha concepção ninguém era obrigado a ficar em nossas terras (eu não sabia dos horrores cometidos por meu pai) acabo por conseguir abrir os grilhões dos três, e na mesma hora todos saem correndo em direção a essa floresta. Me lembro que houve um alvoroço por isso, e que homens da milícia foram atrás daquela família para recapturá-los, porém só o menino voltou vivo. Agora eu entendia o que meu pai fazia. Cresci com isso, tendo que aceitar todos esses horrores.
Poucos anos depois, em uma longa conversa com minha mãe que também não aceitava muitas coisas em meu pai, mas mesmo assim dizia que o amava, eu prometi para ela que faria a coisa certa com tudo o que tínhamos, que tudo aquilo estava ali para um propósito e que de jeito algum aquela maldade toda era o real propósito das coisas.
Meu pai descobriu uma mina de ouro ao fazer um esquema triangulação comercial que consistia em levar nossos produtos manufaturados para terras bárbaras no qual eles mesmos se escravizavam, trocávamos então esses produtos por escravos que eram vendidos para as terras do arquiduque e que agora nos fornecia novas matérias primas para confeccionarmos produtos novos e de melhor qualidade.
Como o arquiduque tinha forte influência, também não tinha problemas com regiões em que o escravismo era proibido.
Capítulo III – Escravos da terra, escravo de sonhos, e escravo de meu próprio pai.
Com o passar dos anos eu fui crescendo e tendo uma compreensão melhor do mundo e de como as coisas são (ou ao menos deveriam ser) graças ao meu mestre Nasser.
Sempre me disse que os homens nasceram para serem livres e desfrutar de tudo o que o mundo oferece, porém, as guerras e a sede por poder acabam por impedir isso, acabam por impedir um mundo justo, de paz, harmonia, e beleza.
Sempre tive grande apreço por dois grandes professores, Nasser e Siltus. Gostaria que um deles fosse meu pai, pois, tenho neles o modelo de um homem que busca a felicidade de todos, incansavelmente.
Desde a infância, Nasser me ensina como um homem deve viver e agir em prol do mundo, e não somente agir para si mesmo. Me ensinou também desde a infância que valores seguir e como espalhar eles pelo mundo, sem nunca deixar de lado o uso da razão e da perseverança, e me ensinou a duras penas que as coisas não sairão do jeito que eu espero, que acontecerão coisas fora de meu controle e que eu tenho que me manter firme mesmo assim, pois eu tenho inteligência o suficiente para contornar as situações, mesmo que eu faça coisas que eu ache ruins.
Já Siltus foi meu professor de magia até eu sair de casa, me ensinou como improvisar e a sobreviver com magias quando necessário. Foram anos de treinamento e busca por um aperfeiçoamento ímpar. Tenho como um grande amigo, e ainda quero realizar um de seus grandes desejos: Criar uma escola arcana .
Já meu conhecimento militar eu devo ao general Giorgas e a Serfy, diferentemente de meus outros professores, esses usam mais a força como esclarecimento da vida e das leis. Não possuem escrúpulos e passam por cima de quem precisar para satisfazer os desejos de meu pai, que consequentemente satisfaz os desejos de ambos.
Me lembro da primeira ameaça que sofri de Serfy, eu tinha 15 anos e ele quis me aplicar uma prova, dizendo que eu estaria me preparando para ser um exímio assassino profissional. Nesse ponto até concordo com ele, mas quero que ele fosse o alvo de meus testes desde que o vi estuprar uma escrava enquanto ela colhia grãos sozinha para poder completar sua cota diária de colheita.
Ele havia me dito que eu deveria matar um mercador que estava atrapalhando os negócios de meu pai em uma fronteira, e que se eu dissesse para meu pai qualquer coisa, ele mataria Rivas e Hens, meus melhores amigos. O pior de tudo é que ele é um dos homens de confiança de meu pai, e minha já fraca relação com meu próprio pai só deixa as coisas mais favoráveis para ele.
Anos se passaram e meu conhecimento sobre como matar pessoas sem deixar rastros, táticas em batalhas, magias, e filosofia só aumentavam. Eu passei meus últimos anos tentando achar uma maneira de juntar tudo isso para o bem dos homens.
Todo homem que desmerece o mundo precisa morrer, enquanto os bons devem prosperar. Dediquei meus últimos anos de treinamento em fundir todas essas técnicas conhecidas e criar um novo e mais eficaz jeito de mudar o mundo, agora, sem deixar rastro algum.
Enquanto essa rede imunda acaba com o mundo, eu sigo meu treinamento para dar um fim nisso tudo, ainda que fizesse coisas erradas ao lado de meu pai, eu sabia que no fundo era eu, e somente eu como herdeiro para terminar com essa desgraça, eu só preciso do momento certo e quando isso acontecer, não existirão mais escravos nessas terras, crianças de toda a região terão solidariedade tocando seus corações, todos aqui viverão em completa harmonia e nada nos faltará, e isso deve ser aplicado ao mundo, a morte dos tiranos deve ser aplicada ao mundo.
Matei dezenas de homens que se atreveram a competir com meu pai no comércio, tudo pela ganância de meu pai e pelo desejo de um futuro melhor para os homens.
Até hoje não sei como lidar com esse dilema, ou eu abandonava tudo e não poderia fazer nada depois, ou fingia estar do lado de meu pai até a sua morte para então colocar meus planos em prática.
Eu sei que é questão de tempo até meu velho pai morrer e eu herdar todo esse império, no qual eu pretendo, devolver ao povo, o que é do povo. Custe o que custar.
Mas eu só preciso do momento certo…
Me perdoem, cidadãos do mundo.

Time Skip I

Logo após eu completar 23 anos de idade, meu pai contraiu uma doença muito forte. Então resolve chamar a seus mais leis servos, a minha mãe e a mim para informar que, assim que ele morresse, eu estaria no comando daquele império no qual ele exercia o poder.
Assim que eu soube dessa notícia, já começo a bolar em minha cabeça como farei para melhorar tudo aquilo que ele construiu em cima da ideia de meu avô. Como eu colocarei todos os meus ideais em prática? O que farei para manter a todos ali e como impedir que outros que pensam igual ao meu pai prosperem? Foram meses de anotações, ideias e conversas com Nasser e Siltus. Apesar de saber que Giorgas será fiel a mim, quando eu suceder meu pai, sei que não posso lhe confiar tudo, ou as ideias que tenho para o futuro sucumbirão. Já Serfy, é pior ainda, pois descubro através de Rivas que ele pretende pedir um financiamento para meu pai um pouco antes de sua morte para poder criar em Baldur’s Gate, sua cidade natal, uma espécie de guilda de assassinos no qual eu não me incluo, mesmo sendo seu maior discípulo. O que me faz crer que em um futuro, ele poderá me apunhalar pelas costas. Se ele realmente pedir esse financiamento, estará armando algo.
No dia mais chuvoso do ano, Giorgas , com o rosto inchado, me acorda com as palavras no qual sempre acordava meu pai: “Senhor, o dia está propício para enriquecermos essas terras. O que pretende comer para pensar melhor no assunto?” Eu fiquei parado na cama, olhando para ele e pensando: “Apesar de ser um tremendo puxa saco, me será útil.” Digo que apenas quero ver meu pai e vamos até o quarto dele, no qual está morto sobre a cama, parece descansar, mas ninguém sabe, que a partir de agora, quem descansa são as pessoas que vivem ali.
Giorgas diz que irá avisar aos escravos para erguerem a estátua que ele pedira, pois queria ser enterrado sob ela e ser lembrado pelo grande homem que foi. Informo a Giorgas que seu funeral será tão simples quanto o dos escravos, o que faz todos no cômodo arregalarem os olhos. Eu não tiro os olhos do corpo de meu pai e digo em voz alta: “ele é apenas um homem, como todos que aqui residem e trabalham. Ninguém merece o que ele pede, a única coisa que merecemos após a morte é um monte de vermes nos devorando, é isso que merecemos, é isso que nos tornamos depois de mortos, comida de vermes. Preparem um caixão de madeira, pois ele será enterrado ao lado do Sr. Till.” Sr. Till era o escravo que mais foi torturado por meu pai, e se, no pensamento de meu pai, grandes homens deviam ser enterrados lado a lado, no meu, todos os iguais devem ser também.
“E Giorgas, não temos mais escravos.” Digo para ele com um sorriso no rosto me dirigindo ao mesmo local no qual meu pai se comunicava com todos da região. Toco o sino 4 vezes, exatamente como ele fazia quando queria convocar a todos no pátio e digo abaixo da chuva, como meu pai nunca fizera: “Bom dia trabalhadores de Tethyr, o que cai sobre vocês não é chuva. O que cai sobre vocês é esperança e uma nova era.
Todos agora serão trabalhadores destas terras, todos terão direitos e deveres. Serei o porta-voz de todos em qualquer assunto que seja. Vamos trabalhar juntos para que prosperemos sempre, vamos juntos prosperar com o comércio.
A partir de agora, os escravos estarão livres para trabalhar como qualquer um de nós.
Vamos explorar mais essa terra e tudo o que ela tem para nos oferecer. Todos aqui trabalharão em pequenos pedaços de terra e pagarão uma taxa para isso. Todo trabalhador venderá seus produtos em nossas caravanas nas rotas de comércio e entre nós e 15% do lucro gerado será destinado para essas terras (eu) em forma de taxa. Aquele que não conseguir pagar essa taxa por 3 meses seguidos, terá sua fonte de renda confiscada e leiloada, todo o dinheiro gerado com o leilão irá para essas terras.
Aqui teremos: Artesãos (ferreiros, ceramistas, carpinteiros, tecelões, artistas) mineiros, pastores (equinos, bovinos, caprinos) agricultores, lenhadores.
Mantenho tudo da mesma forma que meu pai ia gerindo, porém agora, com o escravismo em baixa, teremos mais trabalhadores e mais renda para aplicarmos nas terras, já que todos devem taxas.

Time Skip II

Com a baixa nas vendas dos mercadores vizinhos, logo começam alguns sinais de sua insatisfação, com alguns trabalhadores meus mortos e até uma tentativa de invasão de terras, mas conseguimos dar uma resposta rápida e eliminamos de vez nossos rivais no comércio de tecidos, causando a ira de outros mercadores, pois agora, tínhamos a rota dos tecidos só para nós e alguns pequenos comerciantes como rivais. Logo viram que seria difícil de nos derrubar da rota do comércio, pois com o prestígio de meu pai e o plano de futuro em vista, eles optaram por realizar o mesmo: Pensar no futuro.
Como meu pai se mantinha neutro em relação a guerras para poder ter contato com vários mercadores de ouro e prata e dar continuidade em seus empréstimos, logo as pessoas mais próximas a meu pai começaram a achar que com minha idéia de apoiar algum dos lados na guerra para poder ter um retorno maior de dinheiro com suprimentos e financiamento poderia ser perigoso demais para a região. Disseram que eu deveria manter as coisas como meu pai mantinha para que todos ficassem a salvo, pois era justamente o que eu estava almejando ao pensar em financiar um dos lados da guerra, mas o risco de perder era real, e se isso acontecesse, seria o fim de uma era de negócios e prosperidade.

Como a aliança entre Amn e Tethyr está forte, os laços através das rotas de comércio só aumentam, logo, prosperamos mais ainda. Todo o dinheiro vindo das rotas estava sendo convertido em estrutura para em um futuro próximo, conseguirmos aumentar mais ainda a demanda e o lucro.
O importante para a região agora é ter a confiança dos grandes compradores de produtos que oferecemos, parar com o grande negócio que Thillas está fazendo em Calimport para tentar frear a economia de Memnon, e abastecer cada vez mais Amn para que vença a guerra e tenhamos uma economia mais forte e voltada para as próximas guerras, gerando cada vez mais lucro e riqueza para a região através das rotas comerciais abastecedoras de Amn.
Faz parte também do plano trabalhar com mão de obra autossuficiente. Os escravos da região foram libertados e agora trabalham e prosperam, junto com os outros trabalhadores, tendo a chance também de aumentar seus lucros e consequentemente , contribuindo mais com a comunidade ao pagar as taxas requisitadas para poder exercer as atividades no feudo.
O pensamento que coloco em prática para a comunidade agora é simples: Mais gente trabalhando em diversas funções e gerando cada vez mais lucro. Com a eclosão da guerra, os escravos acabaram por ter seu preço bem mais baixo do que o normal, causando prejuízo em algumas localizações e enfraquecendo o pagamento de impostos. Penso que se continuarmos assim, logo a escravidão não tardará a ser desfeita.
Como aliado de Amn, meu pai foi um grande fornecedor de escravos e vários materiais. Como meu pensamento não é trabalhar a escravidão e sim aproveitar o máximo o que cada homem tem a oferecer pela terra, fica mais fácil se Amn precisa de armamento e tecidos, o que grande parte dos trabalhadores daqui conseguem fazer.
Se conseguirmos ser mais audaciosos ainda e buscar por fugidos de guerra, escravos fugidos e miseráveis para compartilhar mão de obra, logo construiremos uma grande força em Tethyr, capaz de produzir cada vez mais materiais e ter um grande poder exportador.
Esse meu modo de gestão não está sendo bem visto pelos mais próximos de meu pai, como o Gen. Giorgas. Em uma reunião fechada com outros membros da corte na qual incluía minha mãe, e outros servos de confiança de meu pai, disseram que eu estaria colocando a vida de todos em risco ao sugerir que Amn se apodere de tudo, e seja o grande comprador de nossas mercadorias. Deram o exemplo de que meu pai mediava a situação ao aceitar propinas dos reinos que pediam para que não vendesse armamento para seus rivais, o que era feito como contrabando. No momento em que descobrissem que Amn estava sendo abastecida por nós, os reinos rivais poderiam se voltar contra a região abastecedora a fim de acabar com grande parte de seus produtores.
Reuni-me com um diplomata de Amn para acertar que sempre que necessário, nós prestaríamos auxílio a Amn, e unicamente a Amn, e em troca, toda e qualquer represália contra nós eles deveriam intervir.
Ao retornar, sou preso em minha própria terra sendo acusado de traição, pois coloquei em jogo toda a região próspera ao iniciar o acordo.
Tudo armação. Tudo o que Amn precisava era de um enfraquecimento econômico de seus rivais ao pagar propina para nossa região, logo, eles não queriam toda essa exclusividade, mas sim os melhores materiais. E Giorgas queria que eu iniciasse o acordo para poder me colocar contra o meu próprio povo.

Evento II

Dor. Muita dor.
Mandava e alguém cumpria. Controlava. Fazia o que queria. Era o filho do dono. Era o dono. E agora?
Preso. Nos primeiros dias, nas celas do teu próprio feudo, acreditava que era uma armação. Depois, te derrubaran. Te nocautearam. Acordou no escuro. Não era mais teu feudo. Não era lugar algum que tu conhecia. Ninguem falava contigo. Ninguém escuta teu chamado. Nem teus gritos. A porta era de metal. Tres dias sem comer. Água, só a que escorria pelas paredes. Lamber pedra pra tomar água. Miséria, fedor, podridão. Sem luz. Gotas caindo. Tempo passa. Fome. Muita fome. Dias ou meses?
Armação? Amn? Tethyr? O que era isso mesmo? Guerra ou lucro? Qual é o sentido de liberdade agora?
Acorda em um dia como todos os outros mas tudo diferente. Areia fina e seca. Tigela com agua suja. Comida em pote de barro. Latrina. Lugar diferente. Esperança. Gritos de dor, sons de ossos quebrando e de carne rasgando e de morte. A morte enche teus ouvidos. Fraco, a esperança é arrancada a golpes de cutelo e machado. Mas não em ti. Os golpes são ouvidos e os gritos também. Passos. Será que é a tua vez? Chegou a tua hora?
Medo. Todo dia medo de morrer. Medo da dor. Medo do esquecimento. Nada faz sentido. Ou faz?
Liberdade? Guerra?
Outro dia. Sem gritos. Sem areia. Um balançar enjoado. Luz nas frestas do teto. Cheiro de sal. Água com sal. Tu não esta sozinho. Uma mulher do teu lado. Linda como o céu. O que é céu? Os gritos continuam. Os gritos dessa mulher linda. Toda noite. Depois ela volta. Um homem traz e o mesmo leva. Nunca olha pra ti, nunca fala contigo. A cela é a mesma. Sem força pra resistir. Sem força pra lutar.
Fome. Chicote. Dor. Cheiro de sal. Cheiro de sangue. Ela grita de noite. Tu, pela manhã. No chão de vocês dois, o suor dela, o teu sangue e a porra dos outros. Ela cuida de ti. Tem pena de ti. Na imundice, tu cuida dela?
E o que é liberdade agora? Quem é Amn? Quem é Fennor?
Acorda mais um dia. Já não sente as costas. Não consegue caminhar. Tem sol, tem vida, mas quer morrer. Armação? Lucro?
Cheiro de sal. Uma nova quarto. Uma nova cela. Ela não esta lá. Tem um homem. Mordido por um cão um dia, amaldiçoado para sempre. O que é liberdade? Não está sozinho. Tem cinquanta contigo. Só cabem 20. Todos fugindo. Tu esta livre? O que é estar livre? Este amaldiçoado te dá forças. Te alimenta.
Te recupera. Abre os olhos. Ve dor. Mas não a tua. Um amaldiçoado não resiste e uiva. Morde três inocentes. Os quatro são lançados ao mar. Teu amigo resiste sempre. Perdeu tudo na guerra. A filha, desaparecida. A esposa, não sabe. Não importa.
Preciso me erguer pra ajudar os outros, diz ele.
Te sente forte de novo. Baldur’s gate é o nome da cidade portuária. A guerra terminou. Amn venceu e recuou. Não se passaram anos, como tu imaginava. Apenas 18 meses.
Mas o que é liberdade agora? O que é lucro? E o mais importante…
Quem é Fennor? (dor, muita dor)

Time Skip III

Agora, tudo o que interessa é saber o que aconteceu. Porque estou aqui? Quem me trouxe? E vingar-se dos responsáveis. Giorgas está por trás disso, mas e os outros? Minha mãe está envolvida na própria desgraça do filho tudo para manter seu desejo com o General do falecido marido? Muitas perguntas e as respostas estão realmente longe.
Passar pela dor que os escravos de meu pai passavam é realmente muito ruim, jamais pensaria que pudesse acontecer comigo. As celas me deixaram mais forte e sedento por vingança.
Como fazer? Por onde começar?
A única coisa que consola a mim no momento é saber que Amn saiu vitoriosa e que talvez isso adie os planos de quem me jogou aqui.
Preciso de notícias de Nasser e Siltus, urgente. Como proceder? Maldito seja Giorgas, conseguiu me atingir de uma forma que alguém jamais conseguiu atingir antes. Estou ficando louco? Tudo deu errado, absolutamente tudo.
Saio em busca de respostas sobre a guerra, qual o seu desfecho, como ficaram as rotas comerciais a partir de agora.
Nessa busca acabo por encontrar Thyala, Troggus e Lann. Um curioso trio de vigilantes de Snakewood, que estava retornando de uma patrulha. Explico toda a situação para eles e me dizem que irão ajudar, mas precisarão de algumas coisas.

Fennor

Aventuras nos Reinos Esquecidos neeeeery