Farak

Druida do Reino das Fadas

Description:

Raça: Anão
Classe: Druida
Idade: 45 anos
Altura: 1,35m
Peso: 79kg

Bio:

Capítulo 1 – Um Lugar Chamado Lar

É um fim de tarde calmo e frio nas montanhas nevadas, e os anões que a habitam estavam se preparando para dormir. Perto das montanhas, um grande rio segue seu curso e um de seus afluentes penetra na terra, originando um lençol freático que abastece os anões com água. A neve é muito comum naquela região e as montanhas, cercadas por imensos bosques de pinheiros, tornam-se um lindo lugar para se ver. Devido ao frio e à grande quantidade de trabalho dos anões, poucos davam valor às belezas naturais do local.
A organização das montanhas era feita em clãs, que eram unidades independentes, mas que viviam em harmonia. Cada clã possuía seus próprios túneis e cidades, seus próprios especialistas e trabalhadores e seu próprio líder, geralmente o patriarca, que era responsável por negociar trocas entre os clãs ou com lugares distantes e todos os líderes juntos organizavam as defesas, que protegiam a todos. Um clã representa a vida de um anão, e todos se esforçam para que seu clã produza os melhores bens, possua os melhores soldados, mesmo que a serviço de toda a comunidade. Por uma questão de honra.
Conforme anoitecia, os anões mineradores, lenhadores e caçadores se preparavam para descansar, pois teriam mais um dia de trabalho pela manhã. Os especialistas ficavam até tarde produzindo suas jóias e bens, pois trabalhavam melhor com o silêncio da noite. E os vigias preparavam-se para uma fria noite de trabalho. Naquela noite, como já era de costume, uma jovem e levada anã, filha do chefe do clã, não conseguia dormir e resolveu tentar chamar um pouco de atenção.

- Mamãe! Eu não consigo dormir. Me conta uma história?

A mãe, já acostumada com a filha, que ultimamente estava mais apreensiva do que o normal, se aproximou da cama, sentou-se na beirada, e começou a contar-lhe uma história recente, que ficara sabendo conversando com anões da cidade e que achara muito interessante.

Capítulo 2 – A História de um Caçador

“Vou lhe contar a história de um anão chamado Farak . A algum tempo atrás, existiam dois caçadores em nosso clã que se destacavam dos outros. Um deles era uma anã chamada Helga. Ela era muito conhecida por suas armadilhas, que eram espalhadas nos melhores lugares do bosque. Helga era muito esperta e acompanhava os rastros dos animais, podendo saber onde colocar uma armadilha para pegar eles.”

- O outro era Farak, certo mamãe?

“Acalme-se filha! O outro era Sahbid. Um exímio atirador, que espreitava os animais de uma longa distância, mirava e sempre trazia carne fresca e peles para nosso clã. Um dia, Helga e Sahbid se encontraram durante uma caçada, e se apaixonaram.

Pouco tempo depois, eles se casaram e passaram a caçar sempre juntos. Nesse tempo, nosso clã ficou muito conhecido por ter os melhores caçadores destas montanhas.”

- E então quem é Farak?

Dando um riso e um suspiro, a mãe então continuou.
“ Helga e Sahbid então tiveram um filho, e a ele deram o nome de Farak.”
A menina teve um calafrio com a menção do nome, mas a mãe não percebeu e apenas cobriu seu pescoço com as cobertas e continuou.
“ Farak creseu aprendendo a ser um caçador, e seus pais perceberam que ele tinha um certo dom natural com os bichos do bosque. Imagine a surpresa deles quando viam seu filho cercado de pássaros que eles sabiam ser muito ariscos, ou acariciando um cervo que deveria ser o jantar da família!”
A mãe começara a rir, mas a filha olhava séria por cima de seu ombro, pensativa.

Algum problema filha?
Ah, não! Estava quase pegando no sono. Por favor, continue.

Começando a desconfiar de algo, a mãe continuou.
“ O fato é que Farak não tinha coragem de matar animais e quando seus pais o faziam, ele chorava, e isso decepcionou um pouco o casal. Eles achavam que Farak era muito jovem e tinha apenas o coração mole, mas era algo a mais do que isso.”

E o que era?

A mãe levantou uma sobrancelha para a filha e continuou a história.
“ Um dia, eles resolveram que Farak teria que aprender a lidar com isso.O levaram até uma parte distante do bosque e fizeram com que matasse um animal. Depois de muito choro e reclamações, o menino o fez, mas seus pais não ficaram nada satisfeitos com o esforço que teve que ser feito. Naquela mesmo dia, durante a noite, Farak fugiu de casa e seus pais foram buscá-lo assim que perceberam sua ausência. Sahbid ficou sabendo com os vigias que seu filho passara correndo em direção aos bosques e Helga então rastreou os passos do filho na neve. Em determinado ponto, as pegadas do filho sumiram e em seqüência, apareceram pegadas de um lobo. Não havia sinais de luta, nem sangue, os pés sumiram, patas apareceram, simples assim. Helga e Sahbid hoje são especialistas, eles fazem muitas coisas com o couro e peles de animais, mas não tem coragem de sair pelos bosques e caça-los. Dizem até que eles reencontraram o filho, mas que não conseguiram convencê-lo a voltar para casa por algum motivo e toda vez que ouvem o uivar de um lobo ecoando pelas montanhas eles sentem como se o filho estivesse falando com eles, desejando boa noite ou algo assim.”
A mãe levantou-se da cama silenciosamente e saiu do quarto onde a filha permanecia de olhos fechados, respirando tranqüilamente.

Capítulo 3 – O Mestre do Bosque

Farak estava correndo como um animal acuado. Ele não sabia porque, num momento estava deitado em sua cama tentando controlar o choro pelo animal que havia matado, e em outro uma onda de pânico o invadiu e ele resolveu correr. Ele correu pela cidade como se houvesse um predador atrás dele, e o predador fosse qualquer casa, qualquer estátua, qualquer coisa que houvesse dentro da cidade. Ele correu na direção da saída, na direção dos bosques, onde aquelas coisas não conseguiriam pegá-lo.
Os vigias tentaram falar com ele, mas ele se esquivou e correu. Quando chegava mais adentro do bosque, seu pânico passava, assim como a adrenalina. Neste momento, Farak começava a se lembrar que não havia trazido qualquer coisa com ele para se proteger do frio. Ele começava a perder a sensibilidade nos pés e nas mãos, e momentos depois, perdia também a consciência.

Farak acordou em um lugar mais quente, agradável, e com um homem, realmente um humano, olhando para ele. O humano vestia muitas peles de animais e eles pareciam estar em uma gruta, perto de uma fogueira.

- Quem é você? O que eu estou fazendo aqui? – pergunta o jovem anão.
Você veio até mim, anão, mas eu posso responder suas perguntas. Eu sou Isfar e você veio aqui para aprender a controlar seus poderes.
Como eu cheguei aqui? Eu só lembro de ter desmaiado na neve.
Você não desmaiou, apenas perdeu seu controle sobre a consciência quando mudou de forma. Isto é uma das coisas que quer aprender comigo, mudar sua forma mas manter sua mente. – Diz Isfar, tocando a própria cabeça.
Mudar de forma?
Descanse, estas coisas podem enlouquecer você se você força-las para dentro de si. Amanhã você inicia o treinamento.

Obedecendo ao humano, sabendo que estava cansado, Farak dorme.
No dia seguinte, Isfar explica que Farak nascera para ser um druida.
Druidas eram criaturas capazes de ouvir o que todas as coisas naturais tinham para lhes dizer, eram capazes de ajudar quando necessário, e eram também ajudadas por elas. Isfar dizia que seus poderes vinham dos espíritos da natureza, que estavam em todos os lugares onde havia vida e um druida era capaz de manipular estes espíritos quando julgasse necessário. Explicou também que um druida passa dificuldades para viver em grandes cidades se não conseguir se controlar, explicando o pânico que sentira quando estava na cidade. Farak também descobrira que podia se transformar em animais, e de algum modo, seu medo de matar animais vinha de sua habilidade de sentir a presença de outros druidas, evitando que os matasse em uma caçada.
Isfar não passava muito tempo em um mesmo lugar, mas nunca se afastava muito das montanhas onde Farak havia nascido.
O treinamento durou cinco anos. No início, Farak se achava um idiota por ter que se concentrar tanto o tempo todo, mas quando começava a conseguir os primeiros resultados, ele ficara exultante para aprender mais. Depois de dois anos de treinamento, Farak já conseguia algum domínio de sua forma animal e aprendera a utilizar as forças do vento e do gelo para realizar alguns truques. Ele utilizava seus poderes através de um cajado, feito com galhos de pinheiro entrelaçados, que Isfar o havia ajudado a fazer. Ele já conseguia matar animais, apenas para comer e utilizar as peles, e achava que poderia se controlar o suficiente para ficar pouco tempo em uma cidade. Mas em um dia, Isfar disse que para continuar, ele deveria dizer a seus pais que jamais voltaria. Um druida é filho da natureza, e ele não poderia ter uma ligação tão forte com Helga e Sahbid.
Farak então os encontrou quando os dois estavam caçando, aproximou-se deles sob forma de um lobo, mas antes que eles pudessem fazer qualquer coisa, transformou-se em anão novamente e explicou-lhes sua nova situação. Ele estaria sempre perto deles, mas não poderia viver com eles, pois a qualquer momento, a natureza iria precisar de sua ajuda.
Ao fim do treinamento, Isfar se despediu, disse que sua missão ali nas montanhas era treinar um novo druida, e agora poderia voltar para sua origem.
Farak passou mais algum tempo vagando sozinho pelas montanhas, assim como fazia com Isfar, esperando o momento em que lhe seria designado algo para fazer. Este tempo todo havia lhe deixado marcas, ele havia obtido muita sabedoria em pouco tempo e muitos poderes, mas ainda não tinha nenhuma responsabilidade.

Capítulo 4 – O Chamado da Natureza

Quando a mãe saiu do quarto, a menina abriu os olhos. Ficou olhado para a parede na escuridão por algum tempo, pensando num sonho que havia tido algum tempo atrás, esperando os pais dormirem. Quando ouviu o primeiro ronco do pai no quarto ao lado, ela se cobriu com algumas peles e saiu da casa. Ela andou escondida pela cidade e foi em direção aos bosques, na esperança de conseguir entregar uma mensagem que lhe fora enviada.
A menina andava a esmo pelos bosques, sem saber pelo que procurar, em pouco tempo já estava perdida e continuava andando em busca de algo.
Ao ouvir o uivar de um lobo, ela estremeceu e parou. Olhando ao redor, ela via alguns olhos brilhando na escuridão, e sabia agora que seu plano não havia sido tão bom. A garota se desesperou e gritou. Agora ela via alguns lobos se aproximando, caçando-a Quando achava que tudo estava perdido, ela ouviu novamente o uivar de um lobo, e todos os lobos a seu redor começaram a recuar, até sumir de vista.
Ela esperou, imóvel por alguns instantes, quando apenas um lobo chegou correndo e antes que ela pudesse se assustar, o lobo transformou-se em um anão segurando um cajado que ultrapassava seu tamanho. Suas barbas longas enredavam alguns galhos e neve. Ele aparentava ser jovem, mas tinha traços de um anão velho. Nesta altura ela já não sabia em qual categoria ele era melhor encaixado. E com o pânico que sentia, ela nem queria perguntar, apenas queria despejar sua mensagem.

Você é Farak?
Sim, quem é você jovem? O que faz sozinha no bosque a uma hora dessas?
Eu sou Valhalla. Eu tive um sonho com você druida. Nele, você viajava para a terra dos humanos e os espíritos o seguiam.
E o que eu devo fazer lá?
Meu sonho só mostrava a sua partida, não a chegada.
Vou lhe deixar em casa antes de partir, jovem Valhalla.

O anão assume a forma de um pequeno urso, e carrega a criança até a área mais aberta do bosque, onde ficam as entradas das montanhas.

Obrigado Valhalla, por enviar-me o chamado da natureza.
Obrigado Farak, por me escutar e trazer de volta.

Farak parte para as terras dos humanos, sabendo que a jornada será longa e seu destino incerto, mas com um alívio em seu coração, sabendo que não havia sido esquecido.
Valhalla volta para casa, sem que seus pais percebam que havia saído, deita em sua cama e dorme instantaneamente, sabendo que a mensagem importante que carregava havia sido entregue.

Timeskip
Capítulo Um – Uma Nova Empreitada

Uma jovem Sacerdotisa dormia inquieta em sua cama. A muito tempo seus sonhos proféticos estavam mais calmos, as mensagens dos Deuses eram vagas, misteriosas e encriptadas. Mas aquela noite estava diferente. A sacerdotisa suava com o calor do fogo do demônio que morria em sua visão, tremia com o sofrimento do jovem meio-dragão que o derrotava, chorava por todos que havia visto morrer até ali. Ela não sabia quanto tempo estava sonhando, num sonho tudo não passava de um lampejo, mas os sentimentos pareciam durar uma eternidade. Então ela viu a face da morte, um deserto escuro, fantasmas do passado, e uma espada feita de escuridão. Tudo parecia tão longe, mas ela sabia que aquela ameaça era real. Antes de acordar, desesperada, ela viu uma luz forte e viu um rosto conhecido, um druida que conheceu quando criança. Seu rosto estava mudado, mas ela sabia o que deveria ser feito. Era hora de Valhalla, a jovem sacerdotisa de Chautea, entregar mais uma mensagem.

Draax estava perdido, a centelha da vida jamais seria vista novamente para o meio-dragão. Marduk retornaria a sua pós-vida em algum tempo, mas seria apenas uma casca do que já fora um dia, e servo de um mal maior. Solomon, que o druida julgara ter uma importância na missão divina, fora condenado a uma eternidade de sofrimento. Sibila, Otto e Fhatuya estavam mortos. Lia não estava na fortaleza, Saatari se isolou após a batalha e Bóris se preocupava demais com os anões de Ferrolargo. Farak estava sozinho novamente e sabia que o sentimento de solidão iria consumi-lo em Shadowfell.

Primeiro, o druida estava determinado a encontrar Lia. Suas magias de adivinhação mostravam o lugar, mas era desconhecido a ele. Ele, então, resolve pedir a ajuda de Naresh, a maga da Torre de Porto dos Perdidos, que o ajuda a localizar o paradeiro da barda: Ela havia sido raptada por Rat’utarg. Farak pede a ajuda de Bóris para lidar com o demônio e juntos eles vão até o seu esconderijo. Rat’utarg tenta negociar a vida de Lia pelas chaves, mas seria um preço que Farak não estaria disposto a pagar. Uma batalha se trava, e os anões conseguem afugentar o demônio, salvando a barda. Lia estava pálida, fraca e torturada. Era apenas uma sombra da alegre e curiosa mulher que Farak conheceu um dia. Ele então decide pedir a Bóris que a leve para Toril.

Nos tempos que seguiram a queda de Ashok, podia se sentir uma força se criando no Deserto da Danação, e Farak sabia o que poderia ser. Agora, de posse das duas chaves, sua missão parecia clara: usá-las para fechar os portais e impedir que o Mal que se criava entrasse em Toril. Isso impediria também que o Plano das Sombras fosse utilizado como passagem para seu mundo. Mas o anão sabia que isso significava o trabalho de uma vida inteira, e ele teria que permanecer em Shadowfell por toda sua existência.

Farak se despede de Bóris e Lia antes de fechar o portal que havia começado tudo, aquele que havia atravessado com Arannis e Lia no que parecia ser outra vida atrás. O druida, então, faz um pacto com Naresh, que o ajuda a localizar os portais abertos em Shadowfell, em troca de que ele buscasse alguns objetos e realizasse algumas tarefas para ela em suas viagens. A missão final da maga nunca pareceu clara para Farak, mas ela nunca pedia nada inerentemente maligno, e o ajudava a cumprir a sua missão, aquela que Silvanus o havia colocado. E isso bastava. Pelo menos pelos próximos meses.

Capítulo Dois – A Morte de uma Missão

As chaves precisavam recarregar, mesmo para fechar os portais. Os portais não eram fáceis de serem localizados, estavam em locais instáveis, e exigiam uma concentração intensa para se fechar, mesmo com o poder imenso dos artefatos. Quando tentou fechar o primeiro, Farak achou que não daria certo, levou um longo tempo e muito esforço do druida para conseguir. O segundo portal foi fechado três meses depois e pairava a dúvida se as chaves haviam retornado a seu poder original. Mas ele conseguiu. Quando o portal se fechou, Farak se sentiu estranho, observado, notado. Em seu caminho de volta ele foi atacado, mas conseguiu fugir.
O terceiro portal levou mais tempo para ser localizado. Naresh estava ocupada em seus afazeres. Quando não estava em alguma missão para a maga, Farak observava a guerra fria que se travava no plano das sombras. Os orcs haviam conseguido escravizar demônios, e todos se preparavam para um ataque vindo do deserto da danação, que estava inacessível. O druida pensou diversas vezes em observar o que Ressyl estava fazendo, mas a maga sempre o aconselhava a se manter longe. Quando finalmente encontrou o terceiro portal, Farak já era esperado. Alguém havia colocado monstros guardando o local. Alguém sabia o que estava sendo feito, e não estava gostando. Mas o druida foi poderoso o suficiente para lidar com isso, Silvanus ainda estava do seu lado, e o terceiro portal foi fechado.
Naresh não gostou da notícia, disse ao druida que sentia que seres superiores haviam se interessado na missão e que ele deveria ter muito cuidado nas próximas tentativas. Farak estava resoluto em cumprir a missão de seu Deus, e isso era o que o movia, o que impedia o Plano das Sombras de entrar em sua mente. Quando não consultava a maga, ele passava a maior parte do tempo em formas animais, caçava como animal, dormia como animal, viajava como animal. Quando o quarto portal foi localizado, Naresh o ofereceu dinheiro para contratar mercenários para o acompanhar em sua missão. A viagem foi mais demorada, pois nem todos poderiam voar, mas ao chegar em seu destino, o druida ficou satisfeito em ter ouvido o conselho da maga, pois uma grande força o esperava. A batalha foi dura, todos os mercenários pereceram e Farak é gravemente ferido. Sua determinação lhe permite fechar o portal antes de retornar para Naresh, mas desta vez ele sentiu a fúria das criaturas que o observavam.
Quase um ano se passou até que o quinto portal fosse localizado. Era uma região de difícil acesso, instável, não seria qualquer mercenário a conseguir acompanhar Farak em sua jornada. Desta vez, Naresh o acompanhou. O ataque foi menor do que o esperado, e a maga conseguiu isolar a área magicamente por tempo suficiente para o druida fechar o quinto portal. Mas de algum modo ele sabia que o próximo portal seria sua morte.
Naresh se recusou a localizar o sexto portal por um tempo. A maga dizia que os seres superiores agora haviam começado a levar a sério a empreitada que eles estavam se metendo, que eles iriam precisar de ajuda, ou desistir ou morrer. Quando Naresh finalmente aceitou mostrar onde estava o sexto portal, Farak foi sozinho, pretendendo primeiro ver o que o aguardava, mas não encontrou nada, apenas o portal aberto. Desconfiado, o druida utiliza seus poderes para se proteger como pode antes de começar o ritual, mas é interrompido por um demônio poderoso. Saatari aparece para ajudar, mas a força dos dois não é suficiente para deter a criatura. Então, para surpresa de Farak, Arannis aparece, e o demônio é obrigado a fugir pelo portal, para Toril, e Saatari o segue. Arannis diz ao Druida que sua missão é tola, que ele deveria voltar para Toril antes que fosse tarde e que ele realmente atraísse a atenção de criaturas poderosas. Farak tenta dialogar com o mago, mas ele se mostra evasivo, como sempre, até mesmo para falar de sua filha, Iuna. O mago apenas lhe diz que se Silvanus realmente tem algum plano para sua vida, este não seria no plano das sombras, pois ele não era forte o suficiente. Derrotado, Farak atravessa o portal, fechando-o pelo lado de seu plano natal, e resolve ir até o lugar onde tudo começou, sua casa, Adbar.

Capítulo 3: O Chamado da Luz
Farak voava em direção à sua terra natal. A forma de pássaro sempre havia sido sua favorita, o fazia se sentir livre, o permitia viajar rápido. Em poucos dias chegou até Adbar, vendo a antiga montanha coberta de neve, sentindo o frio que sempre o acompanhou na sua infância. Mas logo descobriu notícias ruins: seu pai, Sahbid havia falecido, pois os bosques de Glimmerwood estavam perigosos. Sua mãe, Helga, havia se isolado por perder o marido e achar que tinha perdido seu único filho. Ele havia abdicado de sua família quando iniciou sua missão e agora tudo parecia ter sido em vão. O druida chegou a procurar sua mãe, e ela parecia desorientada, mas ficou feliz em vê-lo e parecia que tinha finalmente visto um sentido na vida novamente. Eles conversaram, mas Farak também estava perdido e sabia que quando encontrasse o caminho novamente não poderia leva-la. Ele a deixou, como havia feito anos atrás.
Um chamado do templo de Chautea surpreendeu Farak, e o fato do druida responder ao chamado surpreendeu a sumo-sacerdotisa. Ela perguntou a ele sobre uma jovem chamada Valhalla e Farak lembrou da jovem criança que havia tido visões que o levaram até Silverymoon, a tanto tempo atrás. A jovem, agora sacerdotisa, havia partido três anos atrás em sua busca, pois ela havia falado com os Deuses e o pior estava para acontecer. Mas a alta sacerdotisa não sabia o que era. Valhalla havia ido até Silverymoon e seguido o caminho trilhado por um elfo chamado Arlas, mas depois de chegar em Waterdeep havia perdido o contato com o templo. Farak se dispôs a ajudar sua antiga Igreja, mas antes havia outro lugar que gostaria de visitar.
Nos bosques ao redor de Adbar, Farak encontrou a gruta que seu antigo mestre, Isfar, utilizou como moradia durante seu treinamento como druida. A gruta estava vazia, mas as lembranças percorriam sua mente. Até que o vento trouxe uma voz que apenas disse: encontre-me onde esteve a criatura mais poderosa que já viu. A mente de Farak voltou-se para Ashok, mas logo se lembrou do avatar de Silvanus e partiu em busca do local onde o havia encontrado. Anos haviam se passado e encontrar o local exato seria uma tarefa quase impossível, mas quem havia enviado a mensagem queria ser encontrado e Farak se reuniu novamente com Isfar, o druida que o havia treinado.
Isfar estava mais velho, pois o tempo era cruel com os humanos, mas recebeu Farak com um sorriso e uma lição. Chautea era sua mãe, havia guiado seus primeiros passos e o mostrou como ter confiança em si mesmo. Silvanus era seu pai, ele o enviou em um caminho árduo, lhe mostrou como funcionava o mundo real e o ensinou a ser forte. Isfar lembrou a Farak que ele sempre havia sido bom. Mesmo em sua fé cega, ele se preocupava em ajudar a quem pudesse em seu caminho e foi assim desde quando chegou a Isfar como aprendiz. Estava na hora de Farak libertar a luz que havia dentro dele para realmente fazer a diferença no mundo, era hora de servir também Lathander, Amaunator. A mente de Farak se desviou de Adelaisa para Turan, seu antigo amigo. Mas antes, havia uma última coisa que Silvanus iria lhe mostrar.
Isfar explicou que Farak já havia se tornado um druida muito mais poderoso que ele próprio, e havia pouco que ele pudesse lhe ensinar. Seria necessário uma criatura mais poderosa para que isso acontecesse e foi por isso que o antigo mestre o havia chamado naquele local. Pegando uma das chaves que Farak carregava no pescoço, Isfar explicou que próximo do local onde o avatar de Silvanus apareceu havia uma linha mais tênue entre este plano e o plano de seu Deus: as Deepwilds. Farak se lembrou que uma chave precisaria ficar para trás para que isso acontecesse, mas Isfar lhe disse que isso era mais importante, que entregaria a outra chave à Valhalla e ela poderia ser encontrada em Baldur’s Gate quando seu treinamento terminasse. Junto com seu antigo mestre, Farak utilizou o poder das chaves para abrir o portal, e o atravessou.
O que viu a seguir quase o cegou. O plano que estava agora era uma selva densa, mas de algum modo bem iluminada. Os raios de sol atravessavam a copa das árvores como lanças e Farak sentia que a magia era muito forte ali. Uma voz feminina chamou seu nome e, a princípio, Farak não viu quem era. Era uma minúscula fada, que se apresentou como Gilly. Esta era a criatura poderosa que iria lhe ensinar. E ensinou. Farak ficou quase dois anos nas Deepwilds e aprendeu a mudar de forma de um jeito diferente, aproximando os animais que antes se transformava de seres divinos. Aprendeu a utilizar sua magia de forma a extrair energia daquele plano. Aprendeu que sua missão agora seria proteger a vida e destruir as sombras. Aprendeu que não serviria a apenas um Deus, mas a vários. Havia uma missão maior, mas ele precisava estar forte o suficiente para começa-la. Nem mesmo Gilly sabia o segredo que Valhalla guardava, a fada disse que esta não era sua função, que tudo teria seu tempo. Ao fim do treinamento, Gilly guiou Farak até um portal aberto e se despediu, fazendo-o retornar a Toril.
O druida se transformou em pássaro novamente e voou, desta vez em direção a Baldur’s Gate.

Farak

Aventuras nos Reinos Esquecidos Artur_Richter