Dra'ax

Description:

Raça: Meio-Dragão Construto
Classe: Guerreiro/Mago
Divindade: Bahamut
Idade: 21
Altura: 1.99m
Peso: 135kg

Bio:

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3º dia da expedição, diário de Ahasverus.
“Finalmente encontramos algo que parece ser o covil do colossal dragão rubro que a séculos domina esta região, no vilarejo ao sopé da montanha eu e meus companheiros recolhemos relatos de drásticas mudanças de clima e um forte cheiro de carne decomposta, é possível sentir a densidade do ar a cada metro de rocha que escalamos, os homens estão começando a ficar confusos, são tempos difíceis e a maioria deles nunca enfrentou algo mais do que goblins esquálidos e mal armados, receio estar os levando em uma viagem sem volta. Porém não posso retornar, não agora que estou tão perto”.

5º dia da expedição, diário de Ahasverus
“O ar é rarefeito, a pele de um dos meus companheiros começou a criar pequenas erosões purulentas, quanto mais nos aproximamos do nosso objetivo, mais a sua aura nos afeta, eu começo a me sentir mais fraco e minha moral baixa a cada hora, tento motivar meus homens porém já começo a ouvir pedidos tímidos de retorno…

10º dia da expedição, diário de Ahasverus
“Estávamos dormindo, nosso sentinela caiu no sono e fomos emboscados por criaturas que nunca vi antes, seres disformes que estavam de alguma forma modificados. Nunca senti essa apreensão em meu peito antes, busco consolo em minhas leituras porém já não encontro mais palavras de conforto para motivar meus homens, perdemos na batalha, outros dois estão mutilados e provavelmente não verão um outro amanhecer, agora somos poucos e amedrontados. Mesmo se eu quisesse ir embora, não sei se encontraria o caminho de volta, este lugar parece não respeitar as leis que regem o universo”.

12º dia da expedição, diário de Ahasverus
“As baixas continuaram ao longo dos últimos dois dias, não somente por mortes mas uma espécie de motim fez com que quase todos os homens se juntassem e fossem tentar achar o caminho de volta, de certa forma isso me alegrou, rezei a Bahamut para que eles tivessem um retorno tranquilo, porém noite passada tudo que eu ouvi foram seus gritos de desespero e o som inconfundível de carne sendo dilacerada do osso, atrás de cada rocha algo nos espreita, não sei o que é. Meu escudeiro Alexander foi o único que ficou comigo, somos só nos dois agora”.

14º dia da expedição, diário de Ahasverus
“O otimismo de Alexander me inspira a continuar, sempre com um sorriso no rosto este jovem parece não entender o que está acontecendo aqui, água e comida começam a ficar escassas já que os nossos ex-companheiros levaram grande parte dos mantimentos quando partiram. Estamos chegando perto, devemos estar a mais de mil metros de altitude e começando a traçar um plano de como lidaremos com a besta. É difícil pensar quando se está fraco e com fome”.

15º dia de expedição, diário de Ahasverus
“Chegamos a uma das entradas do covil do suposto Dragão, vi mais alguns indícios de praga mágica próximos, este ser não parece ser somente um animal em busca de comida, algo caótico está acontecendo dentro desta imensa caverna, algo que eu espero que Alexander esteja preparado para lidar. Espero também o mesmo de mim.”

XXº dia de expedição, diário de Ahasveus
“Dentro deste covil perdemos a noção de tempo, não sinto sono porém estou exausto, Alexander não fala muito mas sei o que ele pensa, temo que ele já tenha desistido de viver e só esteja esperando que algo o ataque vindo das sombras. Ainda não encontramos vestígios do Dragão, mas posso sentir a sua aura caótica e sufocante, ele está aqui.”

XXº dia de expedição, diário de Ahasverus
“Avançamos mais um tanto, o covil é dividido em câmaras de armazenamento, é incrível sua arquitetura, tudo forjado a baforadas e garras. A pedra carrega marcas da força extrema de criatura rompendo passagem com suas escamas. Seres deformados e com uma infinidade de características estão mantidos em um tipo âmbar disforme, provavelmente o dragão desenvolveu esta matéria para manter em um estado estático seus experimentos. Que Bahamut tenha piedade de nossas almas quando nos depararmos com esta fera.

XXº dia de expedição, diário de Ahasverus
“Esta é minha ultima escrita, eu e Alexander encontramos algo, alguém, um filhote, um meio-dragão. Eu nunca havia visto um meio-dragão em nenhuma de minhas mil vidas, é impensável quais tipos de rituais ou pior que esta besta realizou para criar tal ser. Porém Bahamut o pôs em meu caminho e está claro para mim que este pequeno será o diferencial, o divisor de aguas na incansável tarefa de conter as forças caóticas nesse mundo. Porém para isso ele terá que conter o caos de sua natureza, eu estou designando Alexander, meu escudeiro, meu companheiro e meu amigo para adotar e criar este ser nas vias de Bahamut e quando atingir a sua fase adulta ele virá me procurar. Não nesta vida pois na sessão ao lado irei confrontar o Dragão de nome Neffialadrixx, nome que ele no alto de sua insanidade segue repetindo ao ecoar das grossas paredes deste covil!
Alexander levará consigo este diário como prova de nossos encontros e como passagem livre em todas as terra fiéis a luz e a ordem. Peço que confiem no julgamento de Bahamut e não deem as costas e esta nova vida que não foi criada por ele mas certamente será regida pelas suas leis, deposito toda a minha fé neste pequeno ser e eu sei tutor e sei que quando as provações chegarem ele se erguera pela humanidade e o caos sucumbira ao nome Draax.”

Ahasverus das Mil Vidas, Grão Sacerdote de Bahamut.
“Sigo lutando não porque sou imortal, mas porque meus inimigos não me dão outra escolha.”

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Destinado a Ahasverus das Mil Vidas, Grão Sacerdote de Bahamut

Vinte anos se passaram desde a nossa ultima reunião, ainda guardo comigo as feridas dificilmente cicatrizadas dos ataques que sofremos naquelas montanhas e perco incontáveis noites de sono com imagens caóticas das emboscadas ininterruptas em nossa subida. Nesses anos de insegurança e duvida confesso-lhe que questionei suas ultimas ordens meu senhor, questionei a sua sabedoria em me mandar fugir com o pequenino, porém com passar dos anos, vendo-o crescer eu entendi. Entendi que mesmo o senhor não revelando seus reais planos, este rapaz seria a chave para o fim de uma batalha que já se prolonga por demasia. Para o bem ou para o mal.

Quando começamos o treinamento de Draax ele estava com cinco anos de idade, arredio e dominado pelo instinto de ferocidade tentamos doma-lo de diversas maneiras, eventualmente o sangue dracônio (porém em alguns casos se manifesta de forma contundente) cedeu a pressão, em tempo o jovem tomou gosto pela literatura e arte. Estivemos impressionados com a facilidade do garoto em aprender e aplicar os conhecimentos adquiridos, comparando com uma criança humana este garoto atingiria sua maturidade de conhecimentos provavelmente cinco anos antes da média da nobreza e do clero.

Aos poucos Draax começou a mostrar uma intrigante proficiência nas artes arcanas, é sabido que os dragões são exímios arcanistas, mas não imaginávamos que isso ia se transferir de forma tão massiva. Com o passar do tempo a curiosidade do garoto aumentou, a esgrima foi a sua próxima “febre”, com as diversas mudanças de localidade que fizemos eu pude introduzi-lo a diversos estilos de combate diferentes, Draax, agora um jovem de quinze anos, desenvolveu uma grande afinidade com a espada e quando menos esperávamos ele estava estudando formas de relacionar seus conhecimentos arcanos com sua invejável capacidade de esgrima.

Com o seu amadurecimento a personalidade mudou, o sangue caótico não parecia ter mais efeito sobre o jovem, ele era calmo, pacífico, concentrado e respeitoso, uma aura heroica o rodeava. Questionava-me a todo o momento quando poderia conhece-lo, a grande admiração por seus feitos também liberou uma necessidade de evasão, não eram poucas as vezes que o rapaz sumia por horas, certa vez disse que estava ajudando um fazendeiro das proximidades na construção de um estábulo, em outro momento tentava rastrear um grupo de bandoleiros que foi visto pela região. A curiosidade do garoto deixou de ser somente pelos livros, artes arcanas ou de combate, a humanidade o intrigava, as suas leis, seus costumes e seus diferenças.

Quando chegamos a região do interior de Baldur eu sabia que ali o perderia para a cidade, ele estava quase completando vinte anos de vida e como qualquer jovem talentoso ele queria se ver livre dos grilhões que o aprisionavam, como um pássaro excitado pela liberdade. Aquela cidade imensa o instigou, os contos sobre aventuras, amores e guerras encheram a sua imaginação, nunca lhe dissemos a importância que sua vida tinha para nós e para Bahamut, mas o menino sabe que é especial, sabe que você tem seus olhos sobre ele. Ele está sumido a três dias, provavelmente foi aos portões de Baldur explorar a cidade, desistimos de tentar segui-lo ou rastreá-lo.

Eu o amo como a um filho, meu grande amigo, e por isso o deixo ir, deixo-o em suas mãos porque sei que tem grandes planos para este jovem e tenho certeza que ele preencherá suas expectativas. A maior capacidade de Draax não é seu grande poder mágico, ou sua habilidade de esgrima. Sua maior qualidade e aquela que vai determinar o rumo de nossa causa é um poder você nunca teve Ahasverus, talvez seja a habilidade mais rara e mais determinante de nosso mundo, Draax tem o poder de cativar e influenciar aqueles a sua volta, não de uma forma sintética, mas com a pureza em seus atos e a leveza de sua alma, este garoto em mãos inimigas pode significar a ruína do mundo como o conhecemos. Cuide bem desta joia.

Alexander
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Com fim da grande caçada a Thoryss, o grupo retornou a Baldur’s Gate carregando seus mortos e os diversos itens que conseguiram juntar ao longo de sua extensa e desgastante jornada. Talvez nenhum dos aventureiros fosse tão inexperiente quando Dra’ax, as marcas de batalha estão permanentes em seu corpo, porém, em sua mente elas são ainda mais profundas e duradouras. Dra’ax fora criado com todo o cuidado por Alexander, treinado em diversas frentes para quando fosse necessário ele se tornasse a vontade de Bahamut, porém nunca lhe treinaram para lidar com a morte, com a perda e a frustração da impotência, isso ele teve de aprender naquele um mês que passou com Lavi, Kael, Solomon, Irtak, Reznor e os outros muitos aventureiros.

Com a morte de Lavi, Dra’ax estava quebrado, culpou-se por ter caído tantas vezes frente a tantos inimigos, culpou-se por ter deixado a pequena segui-los no momento mais duro e perturbador de sua busca, deveria ter sido firme e a mandado para Baldur quando teve a chance. Para ele principalmente a morte de Lavi era culpa sua, uma culpa que ele não conseguia administrar, precisava deixar aquela cidade, aqueles pensamentos, aquelas lembranças. Entregou a espada “Justiça” aos cuidados do templo de Kelemvor, e reuniu-se com Elazar.

Dra’ax buscou em Elazar um mestre da magia para treina-lo, porém o mago deu sua negativa, ele não era o homem certo para treina-lo, não possuía o conhecimento de batalha necessário para que o Meio-Dragão pudesse evoluir e não seria justo com suas habilidades que ele só treinasse as artes arcanas. Elazar deu dois possíveis caminhos para Dra’ax, ir a sul até Candlekeep pedindo asilo e treinamento aos monges de Oghma que lá residiam ou rumar a norte até Waterdeep e lá buscar algum barco que o levasse Returned Abeir, terra natal dos Dragonborns e dos Genasis, a segunda opção pareceu imensamente mais promissora a Dra’ax já que em Returned Abeir ele poderia encontrar-se com outros mestiços como ele, ou pelo menos era isso que imaginara.

Então Dra’ax rumou na primeira caravana a Waterdeep, a preocupação com Darfel se esvaira, Dra’ax sabia que o caçador de dragões iria confronta-lo mais cedo ou mais tarde, porém também sabia que o homem tinha preferência para pega-lo sozinho e provavelmente quando tivesse novamente de posse de seu arco. Chegando em Waterdeep a estadia foi curta, como Dra’ax possuía as quatro mil moedas de ouro, ganhas como recompensa por resgatarem os membros da igreja de Kelemvor da tumba que fora invadida, ele rapidamente achou um barco mercador que o levasse até Returned Abeir. A rota do barco seria até a cidade portuária da maior rota comercial do continente retornado.

Na manhã do dia seguinte Dra’ax partiu com o cargueiro, era um barco formidável, gigantesco, totalmente carregado e a passagem até -——— custou quase um terço de sua pequena fortuna. A viagem duraria em torno de um mês , o dragão pagou por um quarto privativo e passara grande parte da viagem recordando-se dos bons e maus momentos que deste último mês. Culpando-se, na maioria das vezes.

Dedos jovens movem uma peça, um jogo antigo a muito esquecido, um tabuleiro, uma vida…

- Ele está se perdendo, está confuso, as provações foram duras e dolorosas… Ele vai ser meu, lhe darei o conforto que ele precisa e o poder que anseia. – sorriu a bela feiticeira. – Ele está perdendo a fé em você, velho.

Os olhos do velho estavam baixos, parecia cansado e desmotivado a jogar o jogo que a bela moça propunha.

- Ele está questionando a fé que seus peões o induziram a ter, seus malditos peões que o roubaram de mim! – praguejava a bela.

O homem de longos cabelos emaranhados, cobertos por um capuz esfarrapado evita fita-la, lentamente ele move uma peça do tabuleiro.

- É só um garoto, um garoto que teve de enfrentar as provações da vida muito cedo. – O velho volta o movimento daquela peça, desdenha e depois refaz a jogada.
- Um garoto? Não! Ele é uma arma! Uma oportunidade! Onde você vê um ser pequeno e indefeso, eu vejo um grande campeão de possibilidades inimaginaveis neste mundo que você tanto ama, velho! – A fisionomia da mulher alterna entre ódio, sarcasmo, fúria e desdém, ela dá fortes golpes na mesa e as peças daquele estranho tabuleiro teimam em não tombar.

- Este é um caminho que ele pode seguir, sim, mas nem eu e nem você podemos tomar essa decisão por ele… Só podemos observa-lo. – os olhos daquele senhor de idade seguem baixos.

Perdido em lembranças Dra’ax cai no sono, provavelmente o sono mais profundo que é possível ter em um barco de cargas no meio do Mar as Espadas ele sonha com Lavi, Kael, Bale, Oneah, em seu sonho ele produz uma realidade em que nenhum de seus companheiros cai em batalha e que a plenitude da vitória pôde ser comemorada durante vários dias e noites. Infelizmente este véu não pôde ser mantido por muito tempo, uma bola incandescente atravessa o casco da embarcação cargueira atingindo próximo a cabine do dragão, fumaça sobe e o alto som parece desabilitar os aguçados sentidos de Dra’ax.
Rapidamente ele salta da rede e olha em volta tentando entender o que se passa, porém sua resposta não é rápida o bastante e outra bola atinge, dessa vez exatamente em sua cabine, o jovem guerreiro é lançado com violência ao mar e em seus últimos segundos de consciência ele pode ver uma segunda embarcação do mesmo tamanho que a sua, se aproximando…
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Seria impossível prever quanto tempo Dra’ax ficou à deriva, ele acorda com as ondas acariciando seu rosto machucado e com os leves assovios de um pequeno canário amarelado bicando restos de algas em seu rosto. Delirando por fome, dor e sede Dra’ax adentra um mundo negro de sofrimento, um mundo criado por ele e que somente comporta ele, desistindo de sua vida, ele levanta-se e vaga por aquilo que parece ser uma não–muito-extensa praia, tropeça após alguns passos, provavelmente está com uma perna fissurada.

- É, você está um trapo… Um lixo, por onde você passou? – Uma mão masculina é levada a um dos ombros de Dra’ax e o põe de barriga para cima.
- Onde estou? – Os olhos dourados do Meio-Dragão reviram, parecem sem foco. – Quem é você? – palavras embaralhadas e balbucios saem dos lábios dele.
- Calma garoto, todas as suas perguntas vão ser respondidas… E então outras mais virão, mas agora você precisa descansar. Estes mares estão cheios de piratas e Amnianos, foi má sorte sua. – O homem de meia idade e cabelos castanhos repousa a mão sobre o peito de Dra’ax e aos poucos o meio-dragão se sente mais confortável, sua perna deixa de latejar e seus pensamentos voltam a estar em ordem.

- Olivieri? – A visão de Dra’ax se cruza e ele desmaia.
- Não, a hora desse ai já chegou. A sua ainda está longe de vir, Meio-Dragão vermelho.

Dra’ax passou não menos que três dias dormindo, ao acordar ele se alimentou de frutas, bebeu agua potável que estavam dispostas próximos a ele e pode observar que sua perna já havia melhorado consideravelmente, vestiu-se de trapos velhos que estavam ao seu lado e levantou-se. Pode notar que estava em uma espécie de gruta úmida e fresca, um pequeno olho d’agua brotava de seu interior e um caminho de pedras levava a sua saída. O mesmo homem que ele havia encontrado na praia estava parado na entrada da caverna, ele vestia roupas claras, leves e carregava um sabre embainhado na cintura.

Dra’ax mancou em direção ao homem que fitava o horizonte e além, como se escutasse sons que o meio-dragão não conseguiria escutar. Quando Dra’ax chegou até ele o homem de olhos amendoados o fitou, olhando para cima.

- Realmente, você é impressionante. Um achado! – sorridente e homem o analisa dos pés a cabeça.
- Quem é você e onde estou? – Dra’ax é uma mistura de desdém e gratidão. – Você é algum tipo de paladino?
- Paladino, eu? Não, não sou, não sou digno de tal honra. Eu estou aqui somente para passarmos um tempo juntos, você e eu. – Ele dá dois tapinhas nas costas de Dra’ax e ascende uma espécie de fumo envolto em uma folha ressecada. – Meu nome é Marroshok e o seu é Dra’ax, cria do temível dragão vermelho Nephiladra’ax, mas isso você sabe, não?
- Sim, mas como você sabe? – Aos poucos o desdém de Dra’ax foi se transformando em interesse, interesse pelo que aquele homem tinha a dizer-lhe.
- Eu o observo a muito tempo, observei seu mentor Alexander antes disso e o mentor dele Ahasverus, apesar desse ai ser um tipo muito escorregadio e autodestrutivo, quando falam que ele teve mil vidas, acredite, não estão exagerando. Confesso que dos três você foi o mais intrigante nos últimos anos.
- Bahamut? – Ingenuamente Dra’ax olha nos olhos do homem, como se houvesse descoberto o grande enigma, aquele com certeza era Bahamut assumindo uma forma humana para guia-lo como a muito tempo Alexander disse que aconteceria.
- O que?! – O homem de porte médio solta uma extensa gargalhada – Bahamut! Eu?! Não, não meu jovem. Estou muito longe disso.
- Porém quero que você tenha em mente que não estou aqui por acaso e nem você, uma tormenta está por vir Dra’ax, você se afastou de Bahamut por muito tempo e está no seu direito o faze-lo, pois seu sangue descende de um dos mais caóticos Dragões Vermelhos em atividade, grande favorecido de Tiamat, e ninguém mais do que eu sabe como Tiamat pode ser tentadora, mas está na hora de você fazer uma escolha, uma escolha que poderá mudar sua vida Dragão-Vermelho.
- Eu sigo Bahamut, sempre segui… – Dra’ax realiza que a bastante tempo não se volta a sua fé, a bastante tempo não busca no grande dragão forças e que talvez por isso muita tenha lhe faltado nos momentos de necessidade – É verdade, eu o deixei…
- Mas Bahamut não o deixou meu jovem! Nunca o fará! Porém seu destino ainda não foi traçado pelas fiandeiras do tempo e eu estou aqui para ajudá-lo. Seu treinamento começa amanhã, esteja preparado. – O homem segue pelo caminho de pedras e adentra a mata fechada, Dra’ax fica sem palavras, seria aquele homem um enviado de Bahamut ou somente um ermitão lunático vivendo sozinho em uma ilha deserta?

Dias se passaram, realmente aquele homem não era comum, a diferença física entre os dois era brutal, Dra’ax era mais forte, mais explosivo, veloz, porém nos treinos de combate ele fora dizimado, parecia que o homem estava sempre um passo à frente do meio-dragão, técnica e taticamente o homem era impecável, em alguns aspectos inclusive o homem lembrava Darfel, sua frieza era angustiante, durante as listas Marroshok sempre repreendia Dra’ax da melhor forma possível.

Porém os treinos não eram somente de combate, a parte que Marroshok parecia sentir mais prazer eram as conversas, Dra’ax era ingênuo, inseguro e o homem sabia que deveria guia-lo, dar-lhe confiança.

- Você se despediu de seus companheiros em Baldur? – O homem mexe com um galho na pequena fogueira que eles preparavam todas as noites, geralmente para assar alguma carne de caça.
- Não exatamente. – Nas chamas Dra’ax revê os rostos de cada um dos caídos.
- Dra’ax, a vida de um aventureiro, um guerreiro, um benfeitor como você é cheia de percalços, a perda de pessoas queridas faz-se parte das dificuldades de uma campanha importante como a que você fez parte, consegue imaginar como estaria sua mente se Thoryss tivesse conseguido completar o ritual? Seria um evento muito significativo em toda a Costa da Espada e que futuramente se espalharia para o resto de Faerun, quantas “Lavis”, “Oneahs” e “Bales” você salvou? A culpa não foi sua, você é um garoto, um garoto de imenso potencial e que em um determinado momento poderá intervir na vida e na morte daqueles a sua volta, mas esse momento não é agora.
- Então porque você está aqui? – Perguntou Dra’ax inconformado, de voz baixa quase como se não quisesse ser ouvido.
- Estou aqui para ensina-lo um código, o código Ptariano, guia-lo nas vias de Bahamut e ensina-lo a usar a força do grande dragão platina a seu favor. Mas para isso, você tem de querer.

Os meses se passaram, estilos de luta foram passados a Dra’ax, a melhora do meio-dragão foi evidente, mesmo com armas entalhadas na madeira, já que todos os equipamentos de Dra’ax foram perdidos no ataque ao seu barco. Novamente, como se passou com Alexander em seu tempo, Marroshok cria um laço de paternidade com Dra’ax, aquele jovem draconácio o fazia recordar de tudo o que o universo possuía de bom e o dava esperanças a continuar sua infindável luta em favor do bem e da ordem.

_- Este jogo já está maçante velho… – Da de ombros a bela dama de negro.
- Eu estou gostando, gostando muito por sinal. Talvez desta vez eu ganhe de você. – Serenidade no rosto do ancião.
- Ganhar?! De mim?! Não fale bobagens! Você nunca irá ganhar de mim! EU SOU A RAINHA DOS DRAGÕES CROMÁTICOS! E VOCÊ SEU VELHO INUTILTEM A SUCUMBIR PERANTE MEU PODER!

Os olhos do ancião, pela primeira vez desde que se reuniram para jogar, a fitam profundamente, um sorriso tímido toma conta dos lábios dele. – Você é uma aberração que sente prazer em criar outras aberrações, domina-las e as usar como bem entender, posso perder quantas vezes forem necessárias neste pequeno tabuleiro, e desta vez tomei sua atenção tempo o suficiente para executar aquilo que devia ter feito a muito tempo!
A rainha draconiana procura com seus inúmeros olhos a presença de Dra’ax, desespero toma conta de seu coração, como pode ser tão tola, tão ingênua, somente agora ela percebeu que nos ombros de Bahamut só estão pousados seis canários dourados, somente seis.

- ONDE ESTÁ O OUTRO? ONDE ESTÁ O SÉTIMO? – Olhos arregalados, aos poucos a forma humana da bela mulher de cabelos negros começa a mudar, ela perde o controle gradualmente.
- O outro, Marroshok, neste momento está em um plano protegido de suas artimanhas, treinando Dra’ax e o iniciando com o Ritual de Renascimento.
Uma explosão de fúria e frustração toma conta de Tiamat e ela some em um zunido agudo e potente.
- Maldito Bahamut! Maldito!_

Chegara o fim do treinamento de Dra’ax, passaram-se mais de quatro meses desde sua chegada a ilha, ao longo destes meses a Marroshok já havia lhe ensinado as vias do código Pteriano, porém a última provação de Dra’ax ainda estava por vir, uma provação que não havia sido prevista nem por Bahamut ou por Marroshok. Era tarde da noite e o meio-dragão já estava bastante imerso em seu sono, havia sido um dia cansativo, apesar do treino de combate ter acabado o jovem ainda tinha uma infinidade de tarefas a realizar na manutenção de sua estadia na ilha, porém um som chama a sua atenção, algo movia-se rapidamente no vegetação próxima ao acampamento de Dra’ax, algo grande, muito maior e mais pesado do que qualquer outro animal daquela ilha, a ilha era rica em fauna, não foram poucas as vezes que Dra’ax capturou um porco selvagem para manter-se, porém não existiam grandes predadores ali, o som de carne sendo estraçalhada, ossos quebrando e um último grunhido de algum animal de caça atordoou Dra’ax, aquele não era um som comum, algo aconteceu, Dra’ax armou-se de uma lança feita bruscamente para seus treinamentos com Marroshok.

Não foi necessário andar muito para chegar ao causador de todo aquele rebuliço. Dra’ax encontrou a figura em uma extensa clareira, não era uma imagem bonita, quatro animais de médio porte foram carneados e a figura não se deu ao trabalho de come-los, parecia que estava fazendo aquilo somente por fazer, sem fim nenhum. A um primeiro olhar não era possível dizer que aquilo algum dia fora um Dragão vermelho, seus membros traseiros eram totalmente atrofiados, as suas asas já não possuíam mais membranas que permitiam o voo porém contrastando com suas partes inferiores decrépitas o imenso dragão possuía um par de membros superiores extremamente desenvolvidos e uma mandíbula perigosíssima. Apresentações não foram feitas, a besta vermelha investiu sobre Dra’ax ferozmente, com rajadas de golpes e mordidas o dragão não possuía técnica nenhuma e isso Dra’ax observou com cuidado, não havia graça nos movimentos da besta, ele parecia dominado por um frenesi que só o sangue do meio-dragão poderia acalmar, mas não seria naquela noite que sangue mestiço seria derramado, nem uma gota. Aos poucos a imensa besta começou a sentir o cansaço e a frustração de não atingir Dra’ax, as esquivas do jovem beiravam a perfeição, ele havia aprendido bem, aquele combate era simplesmente um espelho dos duelos de Marroshok e ele em suas primeiras semanas de treino, força bruta e nada mais, sem técnica, sem tática…

“ Lutar com estupidez qualquer homem grande consegue Dra’ax, porém você não é um homem, é um dragão e irá lutar como um”.

Ironicamente ao se lembrar as palavras de Marroshok, ele realizou que aquele dragão que o atacava ao ponto de sua exaustão também não lutava como um dragão supostamente deveria lutar, naquela noite quieta e calma a concentração de Dra’ax estava somente na batalha, ele não sentia medo, não sentia desdém, não sentia nada, somente lia os movimentos da besta e desviava, não havia desferido nenhum golpe até agora… Até agora.

Em um momento de desequilíbrio do imenso dragão, Dra’ax aproveitou para golpear um de seus olhos, urros de dor e praguejos em um dracônico muito antigo tiraram a calmaria daquela noite, o dragão recuou dando tempo o bastante para Dra’ax usar sua principal técnica, magicamente os dedos de Dra’ax, seguidos pelos punhos, antebraços, braços e ombros, foram tomando uma coloração acinzentada e adquirindo uma dureza inigualável, com a lança ainda cravada na cavidade ocular do dragão, o mestiço não possuía mais armas, não que precisasse, em um rápido movimento era a hora de Dra’ax investe sobre a besta, saltando e juntando seus punhos em um golpe vertical que aterrissa sobre a parte superior do crânio do dragão, agora caolho, o som dos densos ossos da face do dragão se quebrando são característicos, o monstro perdia sua consciência rapidamente, já no chão e percebendo que seu adversário estava acabado Dra’ax dotado de uma força desumana golpeou a lateral do tórax para finalizar aquela batalha que havia lhe provado o quão pronto estava para retornar a civilização e aos seus companheiros.

O meio-dragão passou a noite ali, ao lado do imenso dragão derrotado, sabia que mais cedo ou mais tarde Marroshok chegaria e ao toque da primeira luz o homem sai da vegetação.

- Dra’ax! Por Bahamut! O que aconteceu aqui?! – O homem estava em choque, olhava diretamente para o dragão que permanecia desacordado.
- Você não me avisou que haviam outros dragões nesta ilha…
- É porque não há! Este é Tessaldar, O Rastejante! Você o derrotou sozinho? Pelos deuses você derrotou um dos lacaios de Tiamat sozinho e desarmado?
- Ele não estava preparado, era lento, burro e muito sedento por sangue, a única coisa que fiz foi ter paciência, quando ele cansou eu o derrubei facilmente. Isso era um dos seus testes Marroshok?
- Não garoto! Eu nunca faria você lutar contra uma besta caótica como Tessaldar, ele já tirou a vida de muitos guerreiros valorosos de Bahamut, vou leva-lo sob custódia, provavelmente Tiamat descobriu onde estávamos treinando você e transportou este verme para cá afim de dar um fim naquilo que ela não pode conquistar, e como Tessaldar não é o que se pode dizer de possuidor de grande poderes acabou que passou despercebido aos meus olhos. Tiamat sabe de seu paradeiro aqui, seu treino acabou.

Na última noite de estadia de Dra’ax na ilha, o presente de Bahamut estava para ser dado. Aquela caverna, vista de fora tinha uma leve forma oval, aquela forma não era um acaso, ali se daria o Ritual do Renascimento, vestindo roupas leves e desarmado Dra’ax se encaminha a gruta que passou a primeira noite na ilha, no caminho ele nota que não está sozinho, sete pequenos canários o acompanham e em sua mente ao som de sete vozes, tanto masculinas quanto femininas um juramento é entoado:

“Honra e respeito aos íntegros, bem e a justiça acima de tudo, tolerância e dever para si, compaixão e proteção as raças menores, destruição aos inimigos da bondade e da ordem.
Que a sabedoria de Bahamut me guie…”

Antes de entrar na caverna uma pena desprende-se de um dos canários, uma pequena e singela pena dourada, Dra’ax a apara na palma de uma de suas mãos e a cerra com força. Os olhos de Bahamut, Marroshok e os outros seis Dragões dourados estavam sobre ele, quando ele adentra a caverna logo cai no sono.

Dá-se a alvorada, como em qualquer outro dia os primeiros raios de sol a leste tocam o extenso mar das espadas, cruzam as folhagens, tocam o olho d’agua adentrando a gruta, refletem nas escamas rubras do magnifico meio-dragão e revelam os presentes de Bahamut e Marroshok. Dra’ax se levanta e ao erguer-se é possível ver o resultado do Ritual de Renascimento, duas imensas e potentes asas que assemelham-se a musculosos braços com afiados esporoes curvos em suas pontas e uma fina membrada indo até as costas do meio-dragão. Nas mãos de Dra’ax encontra-se o segundo presente, um camisão de cota de malha prateado brilhante forjado a partir de uma escama do majestoso Marroshok
- A pena que caiu, era uma escama sua… – Os olhos de Dra’ax fitam Marroshock que o observa ternamente da entrada da gruta.

- Sim e agora ela é sua, que possa lhe ser útil nas provações que estão por vir Dra’ax – Marroshok vira-se para a praia – Mas veja só, a correnteza trouxe algo! – E o homem sai correndo seguido por Dra’ax.
- Meus pertences? Meus pertences! – Dra’ax corre e ultrapassa o humano após reconhecer a mala de couro em que estavam guardadas Uivadora, Rasga-Ossos, Mergulhador, Ataque do Rei e Couraça.
- Vejo que você tem um belo arsenal ai meu jovem, você se parece mais com Ahasverus do que imagina, aquele tipo também tem a mania de recolher todo o qualquer item mágico que visse pela frente e Dra’ax veja, a maré segue a lhe favorecer! – O meio-dragão olha ao longe e vê uma embarcação pesqueira indo na direção do porto de Baldur’s Gate, vira-se para comemorar com Marroshok o fim de seu exilio porém ele encontra-se sozinho, não há sinal de ninguém ali, nem passos na areia e nem a gruta que ele passou os seus últimos cinco meses. A vegetação não é a mesma, a ilha está toda mudada, teria sido aquilo um delírio? Mas se foi um delírio porque ele continua com o a armadura em seu peito e as majestosas asas em suas costas? De qualquer forma Dra’ax seria eternamente agradecido a Marroshok e Bahamut pelos cinco meses de treinamento, ensinamentos e por fim por ter seus equipamentos recuperados.

Com uma potente baforada para cima Dra’ax chama a atenção da embarcação que lentamente muda sua rota para aquela ilha sabidamente deserta, não seria o primeiro naufrago que os pescadores teriam recolhido naquele arquipélago, mas com certeza seria o primeiro meio-dragão que eles teriam visto. Dra’ax tinha assuntos a resolver em Baldur’s Gate, reencontrar-se com seus companheiros seria só o início de uma nova jornada e agora com Bahamut para inspira-lo a novos feitos e novas aventuras.

Dra'ax

Aventuras nos Reinos Esquecidos carlomazo