Bóris Dobra Aço

Anão Clérigo de Moradin

Description:

Raça: Anão
Classe: Clérigo
Divindade: Moradin
Idade: 35
Altura: 1,45m
Peso: 105kg

22775444-425.jpg

7705834.jpg


Bio:

TRILHA:


CAPÍTULO I – Honra

Há dois dias eu soube que o túmulo de minha família foi profanado. Eu sabia que deixar o descanso de nossos heróis nas mãos de outras raças não era seguro. Venho falando há anos que a tolerância à fraqueza e a corrupção ultrapassaram todos os limites. A igreja de Moradin em Baldur’s Gate parece não enxergar que os anões precisam se unir, necessitam de mais que um bairro, devem olhar para as montanhas e erguer a sua própria cidade. Ao invés disso, os clérigos estão trabalhando junto com os humanos – os mesmos que deixaram os itens de nossos antepassados serem violados.
Há dois dias o descanso dos heróis foi perturbado. Meu pai me ensinou que a família é importante, que a nossa raça foi forjada da rocha, das gemas e dos mais poderosos metais. Não nos dobramos e não desistimos dos nossos ideais. Fui tolerante e me concentrei em manter o povo protegido nas montanhas, mas a igreja de Moradin precisa mostrar mais força na cidade. Precisamos de uma voz forte para que sejamos respeitados novamente.
Há dois dias a honra dos anões foi posta em dúvida. Sou o último dos Dobra-Aço, por mais de mil anos minha família esteve na linha de frente na guerra contra os trolls. Baldur’s Gate só existe por causa do sangue dos meus antepassados. A cidade parece não reconhecer a dívida que tem com nosso povo. Agora é hora de ir até lá e cobrar isso. Não importa o quanto a cidade se ache no controle: cedo ou tarde a força de Moradin vai dobrá-la.

TRILHA:


CAPÍTULO II – Confronto

Cheguei a Baldur’s Gate vestindo a Couraça Obsidiana, minha herança mais preciosa. Em cima de meu urso e empunhando um martelo de guerra eu fui até a casa de Doreng. Lá eu exigi saber sobre os itens anões e descobri que a igreja de Kelemvor negou-se a devolver o que é nosso por direito. Aqueles bastardos não fizeram seu trabalho e ainda querem nos roubar!
Tordekk tentou me tranquilizar, mas nem o sumo sacerdote de Moradin conseguiu explicar como nosso povo aceita ser humilhado desse jeito. Ele me contou de Ressyll, sobre a missão conjunta na Colina dos Carvalhos, mas não soube me dizer o porque da nossa igreja não ter enviado anões para utilizar os itens nessa missão. Por que deixar com os humanos?
Após encontros com Gavaror, Faenor, Tordekk, Doreng e Portyr, eu e uma comitiva anã tivemos permissão para ir atrás do grupo que levou nossos itens. Vamos recuperá-los e acabar com Thoryss, que profanou o túmulo dos nossos heróis. Eu e mais três anões cedidos por Doreng partimos em direção da Colina dos Carvalhos para dar um fim nessa história.

TRILHA:


CAPÍTULO III – Glória

Nossa marcha iniciou dois dias depois da comitiva que saiu de Baldur’s Gate. É a chance dos anões mostrarem o seu poder. Moradin nos forjou com o melhor material e não iremos decepcionar nosso Deus. Somos os melhores em batalha, somos os últimos a cair, somos o martelo que esmaga os inimigos.
Sigo na busca pelos itens mágicos que farão meu povo triunfar sobre os trolls. Sigo na busca de sabedoria e glória que os covardes jamais conhecerão. Sigo ajudando os que precisam do meu martelo, protegendo minha família e minha história.

CAPÍTULO IV – REINO

“Os itens mágicos foram forjados para os anões de verdade. Enquanto vocês jantam banquetes com humanos e elfos aqui nessa cidade imunda, os trolls estão acabando com o nosso povo nas montanhas. Vocês não terão nenhum desses itens nas paredes de seus casarões! Não, isso é a esperança dos meus irmãos lá nas colinas. O que você ganha para abandonar nosso povo? Me diga, Doreng! Você fica aqui assinando documentos para vender nossas terras, enquanto anões morrem ao meu lado para defendê-las. Escreva o que eu vou te dizer agora: os anões vão forjar seu futuro junto com Moradin. Vamos ter nosso próprio reino e você vai vir rastejando quando não tiver mais nada nosso para vender aos humanos.”

Foi assim que Bóris saiu do encontro com o burocrata no bairro nobre. Tudo que conseguiu na jornada atrás dos itens anões ele leva consigo na viagem de volta até sua casa nas Colinas dos Anões – que os humanos insistem em chamar de Colina dos Trolls.

O templo de Moradin em Baldur’s Gate não enviou ninguém para a guerra na montanha. Sozinho, Bóris viajou com itens mágicos de Thoryss, além dos itens que foram roubados das catacumbas de Kelemvor.

Bóris foi abençoado por Moradin com o dom da Forja, mas adequar os itens do clérigo louco estava acima de suas capacidades. O anão resolveu procurar Yerik, um armeiro anão muito velho que tinha uma forja próxima a cidade em que Bóris morava. O ferreiro demorou mais de uma semana, mas deixou a armadura toda do tamanho que deveria ser. O velho anão era um antigo clérigo de Moradin que vivia isolado em sua casa-forja, sua vida eram seus itens: peças maravilhosas que Bóris jamais sonhava em ver. Como presente pelo reconhecimento do seu trabalho, Yerik deu-lhe um anel para ajudar os poderes de cura do jovem clérigo. Indagado sobre a guerra contra os Trolls, o velho armeiro disse que preferia continuar ajudando com suas preces e itens de qualidade, pois sua forma física não era desejável na frente de trabalho.

A guerra durou mais de 2 meses, mas a situação foi normalizada e os Trolls foram controlados. Houve muitas baixas, mas Moradin forjou esse povo em aço e rocha e eles não seriam vencidos facilmente. O lich Nimrod é um problema futuro, agora nossa missão é outra: o reino anão.

CAPÍTULO V – RECOMEÇO
timeskip1

Foi bom voltar pra casa. Ver as montanhas e sentir o cheiro da minha terra. Estar com meus irmãos que eu não vi há muito tempo. Tive que me manter escondido, era um exilado de Baldur’s Gate, não poderia ser visto ou estava tudo perdido. Os anões ainda estavam a mercê da ditadura imposta por Gaskel em Baldur’s Gate.

Depois da queda de Ashok e da destruição de grande parte de Ferrolargo, tive que ficar e ajudar a reerguer a cidade. Foram dois meses de trabalho intenso para reorganizar e planejar o futuro daqueles anões. Mora foi, talvez, a maior ajuda que tive no tempo em que estive em Shadowfell. A anã queria vir para Baldur’s Gate comigo a todo custo, mas quem mais poderia coordenar o recomeço da igreja de Moradin em Ferrolargo? Ela precisava ficar. Mesmo após eu insistir que os itens do Exarca pertenciam a cidade, o conselho decidiu que eu deveria levá-los comigo. Mora foi agente principal nessa decisão, convencendo o conselho de que isso formaria um laço entre mim e Ferrolargo – uma espécie de promessa de ajuda se a cidade precisasse de mim novamente. Sob essas condições, aceita levá-los comigo para defender os anões de Toril assim como usei para proteger os de Shadowfell. Além disso, eu e o Farak fomos atrás de Lia, aprisionada por Rat’utarg. Restamos a barda e eu prometi levá-la comigo até Baldur’s Gate.

Assim que Farak abriu um portal para que nós voltássemos, deixei Lia no caminho para a cidade e subi as montanhas atrás de Trakdir. Ele cumpriu a promessa que me fez: voltou de Waterdeep para as montanhas em segredo e desde então mantêm os anões unidos nas montanhas, esperando a minha chegada. Trakdir nunca foi um grande orador, ou um sábio diplomata, mas sua fidelidade para com o povo anão sempre foi incontestável. Do seu jeito, conseguiu organizar um pequeno conselho que manteve o nosso povo com relativa segurança entre a ameaça Troll e a truculência dos Punhos Flamejantes. Depois de tudo que eu vivi desde que desci as montanhas há anos atrás, era claro pra mim que a separação não podia se dar naquele momento. Eu apoiava a criação de um reino anão independente de Baldur’s Gate, mas a cidade precisava voltar a andar nos trilhos primeiro. Nós não tinhamos mais recursos para enfrentar uma guerra em campo agora. Era preciso recomeçar ali também.

Doreng estava pressionando Gaskel a abrir mais espaço para os anões no senado. Finalmente ele estava sendo útil para o seu povo. Podíamos usar isso para ter uma representação no senado que falasse pelos anões que vivem nas montanhas. Era hora de ir até Callidyrr e pagar a dívida com Lalrian: Boris e Reznor seriam senadores. Há muito eu pensava em Reznor. Foi o primeiro de nós a cair durante a viagem até Shadowfell. Parece que depois que ele embarcou para se recuperar em Callidyrr a escuridão só aumentara ao meu redor.

Amn estava cercando Baldur’s Gate por todos os lados. Um ataque bem planejado e bem executado minou as defesas de Callidyrr e estourou uma guerra intensa entre os escravagistas e os elfos. Não gosto de ficar devendo a Lalrian, mas parece ser o único jeito de conseguir apoio para chegar ao senado e defender os interesses do meu povo. Reznor me prometeu se juntar a mim no senado dentro de pouco tempo.

Uma coisa é certa: foi lindo ver a cara de Gaskel no dia em que os anões anunciaram seu novo representante. Achei que ia estourar uma veia na testa do comandante. Quando entrei no senado acompanhado por Trakdir e um grande número de anões em festa, acho que Gaskel se arrependeu de ter concordado com Doreng que aumentar o espaço representativo para os anões seria uma boa ideia para conter as batalhas no norte. Caiu direitinho. Agora ele não pode voltar atrás. Isso estouraria por completo a guerra separatista. Ele teve que nos aceitar.

CAPÍTULO VI – GUERRA
timeskip2

A política é muito mais difícil que o campo de batalha. As coisas não são tão simples assim. Assumi a postura de união com Baldur’s Gate, para reconstruírmos juntos a cidade e deixar o reino anão para um momento oportuno. Nasgar continuou a me visitar, para dizer que Amn apoiaria os separatistas. Acho que isso foi o bastante pra eu saber que não deveria ceder a ideia de independência agora. Se é bom pra Amn, não pode ser bom para os anões.

É estranho estar do outro lado. Os anões separatistas, antes meus irmãos de batalha, agora me acusam de fraco. Não aceitam minha posição mais apaziguadora e meu raciocínio a longo prazo. Eu entendo: também já fui como eles. A experiência me fez ter paciência para alcançar os objetivos. A maior parte dos anões é simpática a minha posição, consegui unir as famílias que não apoiavam a separação e as separatistas menos radicais, que concordam que os anões não estão em um momento favorável para se separar de Baldur’s Gate. Entretanto, um grupo separatista começou a fazer saques em aldeias. Anões contra anões. Inacreditável.

Os ataques são constantes e sempre com alguma mensagem direcionada para mim ou a favor da separação. Estão pregando o terror. Levei a pauta para o senado, mas parece que os Punhos Flamejantes não querem ajudar os anões…que surpresa. Depois de alguma luta, consegui aprovar a criação da Brigada do Martelo, uma espécie de milícia anã que cuidaria dos nossos vilarejos. Designei Trakdir para comandar as brigadas e ordenei que ele investigasse mais sobre quem estava por trás dos ataques. Infelizmente não me surpreendeu saber que Amn estava por trás dos ataques. Parece que um anão chamado Yegor está recebendo armas do maldito reino escravagista.

Tordekk se aproxima de mim oferecendo ajuda da igreja de Moradin. Ele enviaria clérigos para as montanhas, dando suporte aos vilarejos e a brigada. Claro, na cidade as coisas não são tão simples. Para isso ele exigiu que os nossos pequenos templos dentro da montanha fossem ampliados, para mostrar o poder do forjador em todo o seu esplendor. Eu sempre tive uma visão diferente da igreja de Baldur’s Gate, mas agora toda ajuda é bem-vinda. Por mais afastado dos ideias anões em que eu acredito, Tordekk ainda é o sumo sacerdote de Moradin na cidade e, se mantém esse título, Ele acredita no seu valor.

Enquanto apoiava terroristas, Amn também planejou um ataque fulminante a Callidyrr. A guerra estourou por lá, mas Baldur’s Gate tem seus próprios problemas. Os elfos pedem ajuda, senadora Evedhel tenta a todo custo que a cidade envie apoio militar, mas parece que os Punhos Flamejantes estão ocupados demais vigiando as fronteiras ao sul, com medo de um ataque direto de Amn. Enquanto isso, Callidyrr sucumbe.

Três anos de guerra entre Callidyrr e Amn e os elfos estão perdendo feio. Baldur’s Gate começa a sentir o problema em ter um parceiro comercial forte sucumbindo à guerra. Evedhel e eu trabalhamos duro para convencer o senado que o apoio a Callidyrr era fundamental. Os ataques terroristas de Yegor estão cada vez mais raros graças a Brigada do Martelo. Agora estamos enviando metade da milícia anã junto da frota de punhos flamejantes. Além disso, Evedhel enviará grande parte da guarda privada do bairro élfico junto. Gaskel acabou decidindo retirar parte dos exércitos do sul para enviá-los a Callidyrr. Temo pelas nossas defesas, mas se as ilhas Moonshae caírem, a guerra estará perdida.

CAPÍTULO VII – SOLIDÃO
timeskip3

É noite em Baldur’s Gate. Dentro de um dos gabinetes do Senado um anão olha uma brilhante armadura montada na parede oposta a mesa em que está sentado. Bóris não vestia a couraça que herdou do exarca de Ferrolargo há anos. Agora ele vestia roupas nobres, fazia mais acordos do que preces, tentava curar os danos da guerra mais do que curou os ferimentos de seus aliados em batalhas passadas. O véu de Shar paira cheio de dúvidas e parece que as respostas não serão trazidas por Amaunator em algumas horas…

Amante-dos-Elfos. Traidor-da-montanha. Quando, em sã consciência, eu acharia que seria chamado assim pelo meu próprio povo? Foi por causa do meu trabalho em conjunto com a senadora Evedhel que Baldur ajudou os elfos em Callydirr, e só por isso Amn recuou e os Callidirenhos recuperaram das ilhas. O custo foi alto, eu sei. A guerra não foi fácil, mas se não tivéssemos ajudado os Elfos, Amn estaria a um passo de nos atacar. Será que eles não enxergam que o grande inimigo são os malditos escravagistas?

No início todos aplaudiram. A aliança entre os anões, os elfos e os humanos virou um símbolo importante na história da guerra. Com Amn recuando nas ilhas, Evedhel e eu estávamos rodeados de puxa-sacos. Ratazanas querendo se aproveitar da reputação que obtivemos com o sucesso da manobra.

Os Pés-de-Ouro, tradicional família anã mineradora, oferecia jantares e, praticamente, me obrigavam a aparecer. Anfisa é a herdeira legítima da linhagem mais rica de anões de Baldur e faz questão de ostentar o ouro que sua família extrai há séculos nas montanhas. Seu marido, Surkov, não tinha nada antes de se casar. Hoje ele fala como se fosse o líder dos Pés-de-Ouro, oferecendo esses jantares para mostrar o quão próspero é o “seu” clã. Não me surpreende que esse aproveitador tenha sido o primeiro a falar mal de mim pelas costas.

Os anões Barba-dura eram só sorriso quando a Brigada do Martelo controlou os terroristas que ameaçavam suas fazendas ao pé da montanha. Agora Zakhar me culpa por ter enviado parte da brigada em socorro a Callidyrr. Certamente a alcunha de Amante-dos-Elfos surgiu da boca dele. Não posso tirar a razão do homem em se zangar: Yegor voltou a atacar as suas terras – e com mercenários provavelmente cedidos por Amn. O que não posso permitir é que ele leve os Barba-dura para a cidadezinha independente que os terroristas acham que criaram. Isso seria um erro. Se mais anões migrarem para as terras que Yegor prega como livre, teremos um grande problema.

É triste, mas até os Ferro-forte não confiam mais em mim. Baltazar fora um grande amigo de meu pai e eu aprendi o pouco que sei da arte da forja com os ferreiros da família dele. Apesar das forjas dos Ferro-forte estarem a todo vapor por causa da guerra, Baltazar acha que é um erro não concentrar as energias em defender os anões. Maldito cabeça dura, daqui a pouco é capaz dele cair nas histórias de liberdade anã de Yegor.

A minha única aliada nas grandes famílias é Gavrilla. A anciã dos Rocha-Negra controla as rotas de comércio entre as montanhas e para além. Ela nunca me apoiou, mas parece que as rotas de negócio com Callidyrr são bem importantes para os Rocha-Negra. Essa anã não é boba, chefia essa família com mão de ferro e eu sei que posso contar com seu apoio enquanto minha voz no senado for conveniente para ela.

Maldito Yegor. Aproveitou a fragilidade política e militar de Baldur para declarar estado anão independente que ele chamou de Berronar – um claro ultraje a mãe dos anões. O fato é que muitos anões que defendiam a separação de Baldur e a criação de um estado anão cairam no conto de Yegor e migraram para as falésias do litoral, criando um pequeno porto livre para os malditos Amnianos. É tão óbvio que isso é parte da estratégia Amniana para desestabilizar Baldur e nos cercar. Como se não bastasse roubar um pedaço das nossas terras, Yegor deixou o controle da cidadela nas mãos de um humano chamado Frank Dux e partiu com mercenários para mais ataques terroristas nas cidades anãs. Claro, para o povo de Berronar (argh!) é Yegor que governa a cidade, Dux é só um mero garoto de recados.

E como a política é um terreno muito estranho, Doreng voltou a se opor a mim. Claramente para não se associar com o anão mal falado e posar de bonzinho. Tudo bem, ele está a mais tempo que eu nesse jogo e só sabe sobreviver assim. Tordekk me aconselhava e se mostrou um homem muito mais sábio do que julguei no passado. Também não posso culpá-lo por se afastar de mim nesse momento em que os anões precisam mais de fé em Moradin do que em um anão sem apoio no senado. Faenor tem sido um bom amigo e me aconselhado sobre esses tempos difíceis, mas nem com todo o conhecimento que Oghma concedeu ao mundo eu conseguiria agradar a todos. O que é mais surpreendente nessas idas e vindas da política é que Gaskel é um dos poucos que me apoiam, sempre escutando minhas propostas em relação a guerra. Claro, nossa relação não é como a de dois elfos em campos verdejantes, mas existe um respeito que eu preciso reconhecer.

No meio de toda essa desgraça, receber a visita dos pais de Sibila é como dormir sob a montanha depois de passar um ano navegando – e acredite, eu sei bem como é essa sensação. Eu enviei a eles a carta que Sibila nos deixou em Shadowfell. O casal de meio-elfos se emocionou ao saber de tudo que a filha passou e da importância que ela teve para a nossa missão. Saíram da sua mansão em Callidyrr para vir até Baldur me agradecer pessoalmente por tudo que fiz por ela e se colocar a disposição para qualquer apoio que eu precisasse. Engraçado, parece que os elfos me apoiam mais que os anões. Pensando bem, talvez faça algum sentido me chamarem de amante-dos-elfos.

Se eu soubesse antes que Taneli e Movius eram nobres em Callydirr, talvez não tivesse aceitado o apoio de Lalrian. O elfo não me pede nada de absurdo: a abertura dos portos com baixa taxação para Callydirr durante a guerra. Porém, muitas companhias de Waterdeep são atacadas por corsários ou homens de Amn, enquanto as embarcações de Lalrian passam quase ilesas pelas mesmas rotas. Isso não me cheira bem e criou um problema diplomático para nós. Além de tudo isso, Ceogor era nosso aliado e agora está visivelmente contra mim. É o preço que se paga por fazer alianças em horas de desespero. Se Reznor estivesse vivo, aposto que lidaria melhor com essa situação. Vejo Adelaisa sempre que posso para saber se ela e a criança estão bem. Me sinto um pouco culpado por não ter conseguido proteger Reznor, então devo proteção a família do meu amigo. Estranhamente andam usando o nome do Coruja de novo na cidade, mas isso é um problema que eu não posso resolver agora. Deixarei essa história na mão dos Punhos até o momento oportuno.

Depois do tratado de paz ter sido assinado por Baldur, Callydirr e Amn, um novo problema surgiu: a licantropia nas ilhas Moonshae. Um foco da doença surgiu em uma das ilhas que os elfos retomaram e isso gerou um caos gigantesco entre a população das ilhas Moonshae. Refugiados atravessaram o mar fugindo e foram barrados por causa de sinais de mordidas. Ficamos com navios ancorados nos nossos portos por dias sem poder desembarcar ninguém. Depois de muita luta no senado, Gaskel permitiu que os refugiados fossem levados diretamente para o templo de Selune. Em contrapartida, os Punhos Flamejantes receberam carta branca para prender qualquer um que apresente sinais de licantropia nas ruas de Baldur. O templo de Selune está abarrotado de refugiados e o feriado da padroeira da cidade está chegando.

Estou há horas olhando para a armadura que usei na batalha contra Ashok e lembrando de todo o caminho até aqui. Eu andava entre amigos, era convicto do que devia ser feito, guiava quem estava perdido, trazia sentido a vidas que o haviam perdido. Agora me sinto sozinho em meio a um terreno hostil em que eu não posso me defender com um escudo abençoado pelo forjador de almas. Está tarde, amanhã começam as festividades e eu preciso ir pra casa e descansar um pouco. Que Selune abençoe essa cidade, os problemas estão só começando.

Bóris Dobra Aço

Aventuras nos Reinos Esquecidos TiToTiTo